A Vila Galé vai chegar a 15 hotéis em operação no Brasil em outubro, após a abertura de duas novas unidades: Vila Galé Reserva do Paiva, em Cabo de Santo Agostinho (PE), e Vila Galé Collection Ópera, em São Luís (MA). A rede portuguesa, que completa 25 anos de atuação no País em 2026, mantém ainda projetos em diferentes estágios de negociação e aprovação, enquanto direciona os resultados obtidos no mercado brasileiro para financiar a própria expansão.
Atualmente, são 13 hotéis em funcionamento no Brasil, dentro de um portfólio global de 52 unidades. Segundo Gonçalo Rabelo de Almeida, CEO da Vila Galé, a estratégia adotada pela empresa é reinvestir no mercado brasileiro a maior parte dos resultados gerados localmente. “O lucro do Brasil é reinvestido todo no Brasil”, afirmou durante encontro realizado nesta quinta-feira (17), na presença de outros executivos, como Pedro Ribeiro, diretor de Marketing e Vendas e Francisca Calado, responsável de Comunicação em Portugal.
O executivo explica que, após os investimentos realizados pela sede portuguesa na fase inicial da operação brasileira, a expansão passou a ser sustentada principalmente pelo próprio caixa da operação no País. Eventualmente, há aportes adicionais de Portugal, mas a lógica atual é manter os recursos gerados no Brasil dentro do mercado.
O modelo também diferencia a Vila Galé de uma parcela relevante das redes internacionais presentes no mercado brasileiro. A companhia atua de forma verticalizada: compra os terrenos, investe na construção, administra os hotéis e opera com marca própria. Não há, segundo Almeida, venda de quartos para investidores, fractional ou time sharing.
Expansão em diferentes formatos
A estratégia de crescimento combina três formatos principais. O primeiro é o de resorts de praia, com grandes áreas de lazer, múltiplos restaurantes e capacidade na faixa de 400 a 500 apartamentos. Foi esse modelo que deu maior visibilidade à rede no mercado brasileiro e segue como uma das principais frentes da operação.
O segundo é formado pelos hotéis urbanos, voltados também ao público corporativo, enquanto o terceiro corresponde à linha Collection, que aposta em propriedades menores e, em diversos casos, na recuperação de edifícios antigos. João Pessoa (PB) e São Luís (MA) estão entre os projetos brasileiros associados a esse conceito, segundo a apresentação da rede.
A Vila Galé também trabalha com uma versão menor de resort Collection. Em Cumbuco (CE), a rede mantém dois empreendimentos: um resort de maior porte, voltado principalmente ao público familiar, e uma unidade menor, com proposta de estadia mais tranquila e perfil mais próximo do segmento boutique.
Entre os projetos em desenvolvimento, Piauí (TO) e Curitiba (PR) aparecem como negociações mais avançadas, enquanto São Luís ainda tinha previsão de avanço para o fim do ano. Florianópolis também está no pipeline e aguardava, na data do encontro, a aprovação dos projetos pela prefeitura. A expectativa apresentada pela empresa era iniciar a construção ainda em 2026 e abrir o hotel em 2028.
A velocidade de implantação é outro ponto destacado pela direção. Em projetos construídos do zero, Almeida estima um prazo de até três anos entre o início das conversas e a entrega do hotel, considerando aproximadamente um ano para negociação, processos e licenciamento e outros 18 a 20 meses de obras. Em Belém (PA), a rede afirma ter concluído a construção em dez meses, após quatro meses de licenciamento, em um projeto que contou com articulação das autoridades locais diante da demanda por hospedagem.
Brasil ainda depende do mercado doméstico
Apesar da expansão, a operação brasileira ainda tem uma composição de demanda bastante diferente da portuguesa. Enquanto 60% dos hóspedes da Vila Galé em Portugal são estrangeiros e 40% portugueses, no Brasil a proporção é de 88% de brasileiros e 12% de estrangeiros.
Para ampliar a participação internacional nos hotéis brasileiros, a rede trabalha com companhias aéreas, participa de eventos na Europa, visita operadores e promove apresentações dos produtos brasileiros diretamente aos parceiros dos mercados emissores. O objetivo é ampliar a exposição do Brasil entre consumidores europeus, mercado que, segundo Almeida, ainda conhece pouco o destino.
Portugal continua sendo um dos principais mercados internacionais para a rede no Brasil, mas a empresa também busca diversificar a origem dos visitantes. Alemanha e França foram citadas entre as frentes trabalhadas comercialmente, com ações direcionadas a perfis específicos de viajantes, como o interesse alemão por natureza e Amazônia.
A relação entre os dois mercados também aparece no sentido inverso. O Brasil chegou a ocupar a quarta posição entre os principais mercados internacionais para Portugal, mas perdeu espaço nos últimos anos, especialmente para os Estados Unidos. Almeida relaciona esse movimento à expansão das conexões aéreas americanas, à maior recorrência dos brasileiros que já conhecem Portugal e ao efeito da desvalorização do real sobre as viagens internacionais.













