Embratur: Brasil recebe 6,5 milhões de turistas internacionais e soma US$ 7 bi em receitas até agosto

Na abertura da Abav Expo 2026, Bruno Reis compara desempenho atual aos números de 2006 e 2016 e defende estratégia de longo prazo para o setor

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

São Paulo (SP) – O Brasil recebeu 6,5 milhões de turistas internacionais e registrou US$ 7 bilhões em receitas entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados apresentados por Bruno Reis, presidente da Embratur, nesta quarta-feira (30), durante a abertura da 53ª Abav Expo. No Expo Center Norte, em São Paulo, o executivo utilizou os resultados recentes para defender uma mudança de perspectiva sobre o Turismo internacional: mais do que elevar o volume de visitantes, o País deve buscar viajantes que permaneçam por mais tempo, tenham maior gasto e distribuam seus recursos por diferentes destinos brasileiros.

Em seu discurso, Reis traçou um paralelo entre três momentos separados por intervalos de dez anos. Em 2006, três anos após a criação do Plano Aquarela, o Brasil recebeu cerca de 5 milhões de turistas internacionais, com receita de US$ 4 bilhões. Em 2016, ano dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, foram aproximadamente 6,5 milhões de visitantes e US$ 6 bilhões em receitas. Já em 2026, o País atingiu, em apenas oito meses, o mesmo volume de turistas registrado durante todo o ano de uma década atrás e superou aquele resultado em receitas.

“Independentemente se a gente vai chegar em 9, 9,5, 10, 11 (milhões), a discussão aqui é que o número de turistas é importante, mas existe algo ainda mais importante, que é trazer para o Brasil um turista que deixe um impacto positivo no País”, declarou. Para Reis, esse perfil envolve visitantes que permaneçam por mais tempo, gastem mais, conheçam diferentes destinos, contribuam para a geração de emprego e renda e tenham interesse em retornar ao Brasil.

Estratégia por trás dos resultados

Ao avaliar o avanço do turismo internacional, o presidente da Embratur argumentou que os resultados não podem ser atribuídos apenas a um movimento espontâneo do mercado. Segundo ele, campanhas promocionais, press trips, famtours, participação em feiras, projetos apoiados pela agência e programas de aceleração de startups fizeram parte de uma estratégia estruturada nos últimos quatro anos.

“Nada do que aconteceu foi simplesmente orgânico. Havia uma estratégia por trás”, afirmou. Reis citou ainda o crescimento da conectividade, das receitas e do número de visitantes, além da atração de investimentos, da criação de empregos e da distribuição da renda gerada pela atividade turística. O desempenho brasileiro, segundo ele, ocorreu em meio a um cenário geopolítico e macroeconômico complexo, no qual outros mercados registraram retração no turismo internacional.

A participação na Abav Expo também antecede uma data simbólica para a agência. A Embratur completa 60 anos em 18 de novembro. Reis afirmou que o aniversário deve servir não apenas para celebrar recordes, mas também para observar o que classificou como uma “evolução e transição de mentalidade” na condução da promoção internacional do País.

Bruno Reis projeta olhar para 2036

O presidente da Embratur também levou a discussão para a próxima década. Durante o discurso, contou ter utilizado inteligência artificial para elaborar, a partir dos dados apresentados, um exercício de projeção para 2036. O resultado apontado pela ferramenta foi de aproximadamente 14 milhões de turistas internacionais e US$ 16 bilhões em receitas dentro de dez anos. Reis, no entanto, usou a projeção sobretudo como ponto de partida para discutir quais atores terão responsabilidade sobre o crescimento do setor.

Na avaliação apresentada pelo executivo, o avanço depende de uma atuação conjunta entre governo federal, Ministério do Turismo, Embratur, estados, municípios, aeroportos, companhias aéreas, entidades, associações, Congresso Nacional e iniciativa privada. Hotéis, restaurantes, parques, guias, operadoras e agências de viagens aparecem entre os segmentos responsáveis por qualificar a oferta e a experiência dos visitantes.

“Quem vai fazer isso acontecer em 2036 somos nós. Nós que estamos aqui hoje, nós que estamos nessa cerimônia, nós que trabalhamos todos os dias, que acreditamos no turismo, que somos a potência dessa indústria”, disse Reis. O presidente da Embratur também defendeu maior interlocução do setor com diferentes esferas do poder público para elevar a participação do turismo nas discussões econômicas e institucionais do País.

Para Reis, o Turismo deve ser tratado para além de sua dimensão ligada ao lazer, com impacto sobre emprego, renda, desenvolvimento regional e inclusão. “O que falta para completar essa transição de mentalidade na nossa indústria é muito simples. É fazer mais e falar menos. É fazer junto, é fazer com estratégia, com compromisso, com espírito coletivo”, concluiu.

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