Mesmo diante de um ambiente econômico mais desafiador para a aviação, a Latam pretende encerrar 2026 mantendo a estratégia de expansão que vem conduzindo nos últimos quatro anos. Aline Mafra, diretora de Vendas e Marketing da Latam Brasil, detalhou como a chegada dos Embraer E195-E2, os investimentos em produto, a expansão internacional e os avanços na distribuição devem sustentar o próximo ciclo da companhia.
Segundo a executiva, os resultados apresentados pela empresa no segundo trimestre deram segurança para a continuidade dos investimentos mesmo em um cenário de maior pressão sobre as companhias aéreas. Mais do que uma expansão iniciada com a chegada da Embraer, a executiva ressalta que o movimento é resultado de uma estratégia construída ao longo dos últimos anos. Markdown colado
“A gente conseguiu ter um resultado positivo e, mais do que isso, consegue manter o nosso plano de crescimento. Tem muita gente falando que a Embraer é o nosso plano de crescimento, mas o nosso plano de crescimento vem de quatro anos. Antes da pandemia, a gente operava 44 destinos. Hoje, já opera 63”, afirma.
Embraer amplia malha
A incorporação dos Embraer E195-E2 surge como uma nova ferramenta dentro dessa estratégia. A primeira fase envolve os 12 primeiros aviões, dentro de um compromisso inicial de 24 aeronaves. A previsão apresentada por Aline é que a primeira decolagem aconteça perto do fim de novembro.
A nova frota permitirá chegar a mercados adicionais, mas a estratégia não se resume à abertura de destinos. Segundo a executiva, aeronaves de menor densidade também tornam viáveis ligações diretas entre cidades que possuem demanda relevante, especialmente corporativa, mas que não necessariamente justificariam a utilização de aviões maiores. “Existe uma oportunidade que vai além de um novo destino. Existe uma demanda, especialmente corporativa, que busca eficiência de viagem e não quer fazer uma conexão”, explica.
Entre as ligações destacadas estão Brasília–Ribeirão Preto, Porto Alegre–Campinas, Curitiba–Londrina e Curitiba–Cuiabá. Aline utiliza o conceito de “avião do tamanho certo” para explicar a lógica: não se trata apenas de atender uma cidade menor, mas de adequar a capacidade da aeronave à demanda existente entre dois mercados e, assim, viabilizar uma conexão sem escala. A companhia também prepara quatro novos destinos dentro dessa primeira etapa de expansão, incluindo Cabo Frio e Macaé, ampliando a capilaridade de uma operação doméstica que já alcança 63 destinos.
Investimentos começam a sair do papel
Paralelamente à expansão da malha, a Latam avança no plano de investimentos em experiência anunciado nos últimos anos. Parte das entregas já está disponível aos passageiros. Entre elas está o retrofit dos Boeing 787, incluindo a introdução de uma nova cabine executiva com portas individuais em algumas aeronaves. A conectividade a bordo também começou a chegar à frota de aviões de dois corredores. Outra entrega prevista é a nova sala VIP da Latam em Guarulhos, cuja inauguração está programada para maio de 2027.
A companhia também avança com a Premium Comfort, nova cabine intermediária entre a Economy e a Business. Segundo Aline, a expectativa é começar a comercializar os assentos ainda no fim de 2026, embora os primeiros voos com o produto sejam posteriores. “Não era promessa. Toda aquela nossa solidez financeira está se transformando em uma experiência melhor para os clientes”, afirma a diretora.
Os investimentos acompanham também o crescimento da base de passageiros frequentes nas categorias superiores do Latam Pass. Para a diretora, o avanço aumenta a responsabilidade da companhia de preservar a qualidade percebida pelo passageiro. “A gente tem crescido muito na quantidade de passageiros elite. Então, é quase um compromisso nosso manter a experiência. Se a gente não acompanha com investimentos, eles poderiam sentir uma piora”, explica. Markdown colado
O mercado internacional representa outra frente da estratégia. Mafra cita Bruxelas, Amsterdã, Cidade do Cabo, Punta Cana e Ushuaia entre os movimentos realizados pela companhia, além da ligação direta para Cusco prevista para começar em 2027. Apesar das incertezas econômicas enfrentadas pela indústria aérea, a orientação permanece de crescimento.
“A nossa intenção é continuar crescendo. A gente acredita que o Brasil tem muita oportunidade. De fato, a indústria hoje está enfrentando desafios, mas a maior prova de que somos uma companhia robusta, preparada para momentos incertos, é o fato de continuarmos investindo em produto e crescendo em oferta”, avalia.
Corporativo influencia decisões de malha
Dentro dessa expansão, o mercado corporativo ocupa posição estratégica. Aline afirma que a liderança da Latam no segmento é acompanhada como um KPI relevante e influencia inclusive as decisões relacionadas à construção da malha. A chegada a novos mercados e a criação de voos diretos fazem parte dessa lógica. Para o passageiro corporativo, entretanto, a executiva avalia que conectividade e preço não são suficientes para sustentar a preferência pela companhia.
“Ter uma operação sólida é um pilar fundamental para sustentar o corporativo. O corporativo não é só malha e preço. É malha, preço e consistência na nossa execução”, destaca. Nesse conjunto entram também canais dedicados aos clientes frequentes e ferramentas que permitam maior autonomia durante a jornada.
NDC entra no último capítulo
A distribuição também avança para uma nova etapa. Aline explica que a implementação do NDC (New Distribution Capability) no Brasil seguiu um ritmo diferente de outros mercados da Latam por causa das particularidades locais e porque o País já possuía uma conexão direta mais desenvolvida.
Agora, segundo a executiva, a maior parte das vendas já ocorre por meio do NDC e as funcionalidades específicas necessárias ao mercado brasileiro foram implementadas. O próximo passo será concluir as ferramentas relacionadas ao pós-venda. “Agora a gente vai entrar no último capítulo, que é fechar as pontas do pós-venda, porque as agências não podem perder autonomia”, ressalta.
A preocupação com o canal indireto aparece também na preparação para mudanças regulatórias e tributárias. Segundo a diretora, a Latam vem trabalhando para que sistemas e fluxos de distribuição estejam preparados para registrar corretamente as informações e aplicar a tributação correspondente, processo que tem levado agências a procurar a companhia em busca de orientação.
Ao combinar expansão doméstica, novas rotas internacionais, renovação de frota e cabine, investimentos em experiência e evolução dos canais de distribuição, a Latam chega à reta final de 2026 mirando a continuidade de uma estratégia que, segundo Aline, não depende de uma única aeronave ou lançamento. A chegada dos Embraer amplia as possibilidades, mas integra um movimento iniciado anos antes e que a companhia pretende manter em 2027.











