São Paulo (SP) – A Alagev já começou a desenhar seu próximo ciclo e prepara mudanças tanto em seu principal evento quanto na forma de se relacionar com diferentes mercados brasileiros. Luana Nogueira, diretora executiva da associação, antecipou detalhes do Lacte 22, marcado para os dias 22 e 23 de fevereiro de 2027, no WTC, em São Paulo, além de projetos que devem ampliar a atuação da entidade para além da capital paulista.
O ponto de partida será o próprio Lacte. Depois de duas edições marcadas por uma identidade visual mais intensa, a próxima edição adotará uma proposta minimalista, construída em torno do conceito “Faça Valer”. “O minimalismo não significa ausência ou vazio, mas é fazer valer aquilo que realmente importa. Fazer valer a nossa voz, fazer valer a nossa gente, fazer valer o nosso amanhã, fazer valer o que a gente é, o que a gente faz”, explica Luana.
A mudança estética acompanha uma discussão mais ampla sobre o próprio conteúdo do encontro. Tecnologia seguirá presente, assim como sustentabilidade, carreira e liderança, mas a intenção é colocar as pessoas e as relações entre os diferentes elos da indústria no centro da programação.
“A gente está precisando colocar as pessoas no centro. Está precisando, ok, falar de tecnologia, mas valores humanos, valores das conexões, valores da opinião pessoal”, afirma. Para Luana, o desafio da Alagev está justamente em conectar interesses distintos sem privilegiar apenas um dos lados de uma cadeia multissetorial.
Mais de 100 modalidades de patrocínio
A estrutura comercial do Lacte também começa a ser preparada. A associação prevê mais de 100 tipos diferentes de cotas de patrocínio, além de propriedades adicionais. Mantenedores terão prioridade na escolha dos espaços antes da abertura para os demais patrocinadores.
Saúde e bem-estar deverão ganhar maior protagonismo. Depois das experiências desenvolvidas neste ano, a Alagev pretende organizar um grupo de preparação para a corrida associada ao evento, permitindo que os participantes tenham cerca de cinco meses para treinar. A proposta é aproximar a iniciativa da estrutura encontrada em grandes corridas de rua, mantendo também seu componente social e de propósito.
Outra transformação estará na construção dos conteúdos. Os trabalhos iniciados nas reuniões Globais, aprofundados posteriormente pelas squads da entidade, deverão alimentar os mini labs do próximo Lacte. “É uma jornada que a gente vai apresentar. Não é algo que começou hoje, vai só ser feito para apresentar amanhã. Ele veio ao longo do tempo construído pela comunidade”, destaca Luana.
Global on the Road
Se o Lacte permanece como grande ponto de encontro da comunidade, a Alagev também quer estar mais próxima dos profissionais durante o restante do ano. Uma das principais apostas para isso é o Global on the Road, criado para descentralizar reuniões, conteúdo e networking historicamente concentrados em São Paulo.
“O Brasil tem mercados e realidades muito diferentes. O Global on the Road nasce para aproximar a Alagev dessas comunidades, ouvir as suas necessidades e ampliar as conexões”, resume a executiva.
Para Luana, essa regionalização é necessária porque as diferenças não se resumem ao tamanho dos mercados. Elas aparecem também na maneira como empresas compram e administram viagens.
“É cultural, assim como comida. É igualzinho. Quando a gente fala de regionalismo, muda Minas, muda o sotaque nordestino. O jeito de comprar viagem, de gerir viagens é totalmente diferente”, compara.
Em outubro, o Global on the Road terá passagens previstas por Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Fortaleza. Uma das ferramentas que acompanhará o projeto será o Pulso, material desenvolvido pela Alagev para reunir uma leitura curada sobre movimentos globais e seus possíveis reflexos no mercado brasileiro.
Nova comunidade no Centro-Oeste
A descentralização deverá avançar novamente no próximo ano. Luana revelou ao Brasilturis que a Alagev trabalha na criação de uma comunidade dedicada ao Centro-Oeste, elevando para 18 o número de comunidades da associação.
A iniciativa também deverá buscar conexões com profissionais do Norte, considerando a proximidade de determinadas dinâmicas empresariais. Agronegócio e mercado governamental aparecem entre as particularidades que justificam um trabalho próprio na região.
“Existe um abismo de prática, de comportamento. Então, não dá para a gente simplesmente aproximar o Centro-Oeste, porque tem uma particularidade muito significativa”, avalia.
A expectativa é colocar a nova comunidade em funcionamento no início de 2027, com participação já nas primeiras reuniões setoriais do ano. “A gente está precisando ajudá-los a construir estrategicamente os programas de viagens para o Centro-Oeste. Então, precisamos fazer o nosso footprint chegar lá, nossa identidade”, acrescenta.
Missões internacionais
A agenda de internacionalização completa esse movimento. Entre os projetos mencionados estão participações e missões educacionais para eventos internacionais. Para 2027, a Alagev já trabalha com dez vagas de hosted buyers no IMEX Frankfurt e outras dez no IMEX Las Vegas, além de buscar participação estruturada na IBTM e preparar uma delegação para o SXSW.
O conjunto de iniciativas mostra uma Alagev tentando atuar em duas direções simultâneas: aproximar-se das particularidades regionais brasileiras e aumentar a exposição de sua comunidade ao mercado internacional. Para Luana, porém, o princípio permanece o mesmo daquele que orienta o próximo Lacte: usar a força coletiva da comunidade para gerar conhecimento e negócios sem provocar rupturas entre os diferentes participantes da cadeia.




