São Paulo (SP) – A reforma tributária e seus possíveis impactos sobre a competitividade dos destinos brasileiros estão entre as principais pautas acompanhadas pela Unedestinos. Em conversa com o Brasilturis nesta quinta-feira (1º), durante a 53ª Abav Expo, no Expo Center Norte, Toni Sando, presidente da entidade, defendeu maior articulação entre as organizações do trade para dimensionar o peso econômico do Turismo e levar as demandas do setor aos poderes Executivo e Legislativo.
O tema esteve no centro de uma reunião do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Cetur/CNC), realizada durante a manhã. A Unedestinos integra o colegiado e acompanha as discussões por considerar que mudanças incidentes sobre segmentos específicos da atividade turística repercutem diretamente sobre a competitividade dos destinos.
“O impacto que isso vai gerar para o Turismo e eventos é enorme. Então, a gente tem que estar muito atualizado”, afirmou Sando. Segundo ele, a atuação conjunta entre associações permite construir uma mobilização mais abrangente em defesa do setor.
O presidente explicou que a Unedestinos possui uma atuação diferente daquela exercida pelas entidades que representam segmentos específicos. Enquanto associações setoriais defendem interesses de hotéis, restaurantes, organizadores de eventos e outros elos da cadeia, a entidade observa os efeitos dessas questões sobre os destinos como um todo.
“Qualquer coisa que impacta um desses setores impacta o destino”, resumiu. Sando citou como exemplo mudanças nas regras da hotelaria e dificuldades operacionais enfrentadas pelo setor de eventos. Na avaliação do dirigente, fatores que elevem custos ou dificultem a realização de um evento podem levar seus organizadores a optar por outra cidade.
Competitividade preocupa entidade
A possibilidade de o novo sistema tributário elevar custos a patamares superiores aos encontrados em mercados concorrentes preocupa a Unedestinos. Para Sando, o acompanhamento próximo das mudanças é necessário para evitar que o Turismo brasileiro perca competitividade internacional.
“A gente tem que estar sempre alerta. O Turismo, do ponto de vista de política de Estado, não é prioridade. Isso faz com que a gente observe que, com a reforma tributária, se não ficar monitorando muito próximo, a gente acaba tendo alíquotas acima de taxas competitivas do ponto de vista mundial”, declarou.
O dirigente também apontou que questões trabalhistas têm reflexos diretos sobre a operação turística, sobretudo em atividades intensivas em mão de obra. Para sustentar as demandas do setor perante o poder público, Sando considera indispensável produzir dados capazes de demonstrar a dimensão econômica das atividades de turismo e eventos.
“Para defender as causas, você precisa de dimensionamento, precisa de dados estatísticos, precisa mostrar o poder econômico desse setor para que os parlamentares e o Executivo possam entender de forma mais clara”, afirmou.
A agenda institucional também alcança o cenário eleitoral. Segundo o presidente, pautas consideradas estratégicas pelo trade já foram apresentadas a candidatos, com o objetivo de inserir temas relacionados ao Turismo nas discussões para os próximos ciclos de governo.
Sando vê perspectiva positiva para 2027
Apesar das preocupações regulatórias, Sando demonstrou otimismo com o desempenho do Turismo brasileiro. Para o dirigente, a atividade já superou os indicadores registrados antes da pandemia e apresenta condições para manter uma trajetória de crescimento em 2027.
“Estamos numa crescente. A gente já passou todos os números de antes da pandemia. Eu, particularmente, sou muito otimista com relação às expectativas de 2027 e de crescimento”, declarou.
O presidente da Unedestinos considera, porém, que o avanço depende da continuidade das políticas e ações de promoção, independentemente das mudanças de governo. A interrupção de iniciativas, segundo ele, pode comprometer o espaço conquistado pelo País tanto no mercado doméstico quanto no internacional.
“Você não pode tirar o Brasil das prateleiras das operadoras internacionais. A gente não pode parar de incentivar o brasileiro a visitar mais o Brasil, conhecer o Brasil. A hora que a gente para, a gente retrocede”, disse. Para Sando, cabe ao trade e à sociedade civil organizada atuar para preservar projetos que apresentem resultados para o setor.
Na Abav Expo, a Unedestinos utiliza sua participação principalmente como espaço de relacionamento e articulação. A entidade mantém uma base de encontro para profissionais dos Convention & Visitors Bureaux, que também participam dos estandes de seus respectivos estados, e aproveita a concentração de lideranças do setor para reuniões e entrevistas de seu podcast.
Para Sando, o valor de uma feira dessa dimensão não se restringe à comercialização. “É muito mais networking, relacionamento e aprendizado”, afirmou. “As pessoas às vezes perguntam: ‘Essa feira está boa?’. A feira sempre é boa. Depende do que você faz nela.”

