Bonito lança Plano de Ação Climática para o período de 2025 a 2030

Documento reúne medidas de mitigação e adaptação, incluindo transição energética, eletromobilidade, gestão de resíduos e restauração de ecossistemas

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

Durante a Abav Expo 2026, realizada entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro, Bonito (MS) lançou o Plano de Ação Climática do município, com estratégias de mitigação e adaptação previstas para o período de 2025 a 2030. A iniciativa conta com apoio da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS) e integra o movimento Bonito Ecocriativa Smartcity, que reúne ações públicas e privadas nos eixos de educação, economia criativa, inovação, acessibilidade e sustentabilidade.

A elaboração do documento está relacionada ao compromisso assumido por Mato Grosso do Sul com a Declaração de Glasgow, da qual o Estado é signatário desde 2023, e à meta estadual de alcançar a neutralidade de carbono até 2030. A adesão à declaração também contribuiu para a inclusão da ação climática no planejamento do turismo sul-mato-grossense.

Para Bruno Wendling, diretor-presidente da Fundtur-MS, o plano estabelece uma nova etapa na atuação do destino sobre a agenda climática. “Assim como Bonito entrou para a história como primeiro destino de ecoturismo carbono neutro do mundo, agora entra novamente como o primeiro destino turístico a lançar um Plano de Ação Climática no país. Entendendo que a agenda climática não é mais um ‘plus’ no mercado internacional. É uma obrigação. Mas ela exige muito mais esforço, mais investimentos. Não tem como a gente voltar, agora é só caminhar pra frente”, afirma.

Wendling também relaciona o plano à estratégia de desenvolvimento do Estado. “A agenda climática não é uma agenda paralela de Bonito ou de Mato Grosso do Sul, ela é o próprio Mato Grosso do Sul, faz parte importante do reposicionamento do nosso Estado”, destaca.

Medidas previstas

O plano foi elaborado a partir do primeiro ciclo de inventário e certificação das emissões de gases de efeito estufa relacionadas ao turismo em Bonito. O levantamento permitiu identificar a participação do setor nas emissões e estabelecer bases para as estratégias de mitigação e adaptação previstas no documento.

Entre as medidas estão a transição energética e a eletromobilidade, ações de educação climática e engajamento de turistas, aprimoramento do manejo de resíduos sólidos e incentivo à economia circular. O plano também prevê ações de restauração de ecossistemas e reflorestamento, com foco na conservação do bioma e da biodiversidade local.

Segundo Josmail Rodrigues, prefeito de Bonito, o documento estabelece prioridades para a implementação das medidas até 2030. “Nosso Plano de Ação Climática foi elaborado com o objetivo de identificar e priorizar ações de mitigação pragmáticas que serão implementadas ao longo do período 2025–2030”, explica.

O prefeito afirma que o planejamento também deverá orientar a aplicação de recursos. “O plano desempenha um papel crucial na priorização do orçamento público e na mobilização de recursos públicos e investimentos privados. Através de uma abordagem colaborativa, buscamos catalisar novos investimentos que viabilizem a execução das atividades previstas, garantindo a sustentabilidade financeira e operacional das iniciativas propostas”, afirma.

Ação integrada

A atuação da Fundtur-MS na agenda climática envolve ações internas e articulação com municípios e destinos turísticos, empresas, organizações da sociedade civil, universidades, instituições de pesquisa e representantes do trade turístico.

A estratégia considera a participação dos governos estaduais e municipais na adaptação e mitigação dos efeitos da mudança do clima, em razão da proximidade com as demandas locais e da capacidade de articulação para implementar medidas nos territórios.

O Plano de Ação Climática de Bonito é uma das iniciativas do movimento Bonito Ecocriativa Smartcity e reúne medidas relacionadas à sustentabilidade, inovação, conservação ambiental e qualidade de vida.

“A cidade boa para seu morador também é boa para o turista”, resume a Fundtur-MS, ao defender a incorporação da transição climática ao planejamento dos destinos e às políticas públicas de turismo.

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