HotelDO cresce 70% e acelera expansão internacional com inteligência artificial

Empresa cresce 70% em 2026, alcança 10,5 mil agências cadastradas e prepara expansão de sua inteligência artificial para toda sua base

Kamilla Alves
Kamilla Alves
Gestora Web - E-mail: milla@brasilturis.com.br

São Paulo (SP) – A HotelDO inicia um novo ciclo de expansão com duas frentes que, à primeira vista, poderiam caminhar em direções distintas: mais tecnologia e mais gente. Enquanto prepara a ampliação de sua inteligência artificial para toda a base de 10,5 mil agências cadastradas, a empresa também aumenta sua estrutura comercial e mira a contratação direta de 5 mil hotéis nos Estados Unidos e na Europa.

As prioridades foram definidas durante o summit realizado pelo grupo em Buenos Aires e fazem parte do planejamento para o próximo semestre. Segundo Marcio Nogueira, diretor-geral da HotelDO, a expansão internacional do inventário é uma das principais avenidas de crescimento da companhia, que já considera consolidada sua atuação na América Latina.

“A gente vai trabalhar fortemente na contratação de produto dos Estados Unidos e da Europa. Estamos muito fortes, muito consolidados no mercado da América Latina, então nosso objetivo para este semestre é trazer 5 mil hotéis diretamente nesses dois destinos”, afirma Nogueira.

O movimento acompanha uma fase de crescimento da HotelDO. De acordo com Nogueira, a empresa avança cerca de 70% em 2026 e registra recordes de faturamento, clientes compradores e agências ativadas. Das 10,5 mil agências cadastradas, 80% já realizaram compras na plataforma, patamar que estava previsto apenas para o fim do ano.

O desempenho também aparece em outras verticais. Segundo o executivo, as vendas de locação de carros e seguro viagem triplicaram na comparação com o ano passado, enquanto a operação aérea já posiciona a companhia entre as dez maiores consolidadoras em vendas no Brasil.

IA para liberar tempo, não substituir pessoas

É nesse cenário que a HotelDO pretende acelerar a inteligência artificial própria voltada ao B2B. Cerca de mil agências já têm acesso à ferramenta e a expectativa é disponibilizá-la para toda a base nas próximas semanas.

Nogueira conta que o produto tomou um rumo diferente daquele imaginado inicialmente justamente pela participação dos agentes de viagens em seu desenvolvimento. “Quando a gente pensou nessa IA, tinha uma ideia. Nessa construção com o agente de viagens, mudamos totalmente o rumo”, explica.

Para o executivo, o potencial da inteligência artificial está menos em tarefas isoladas, como traduções ou consultas, e mais na capacidade de assumir processos repetitivos e devolver tempo aos profissionais. Essa lógica já vem sendo aplicada internamente. Segundo ele, os colaboradores da companhia não apenas utilizam IA, mas também desenvolvem agentes para automatizar partes de suas rotinas.

O próprio Nogueira diz ter reduzido em cerca de três horas diárias o tempo dedicado a determinadas tarefas após desenvolver agentes de IA para executá-las. A ambição é levar essa lógica para as agências.

“Minha ideia é que, quando o agente de viagens estiver dormindo, essa IA esteja se conectando às mídias sociais e aos canais de atendimento da agência para pegar informações relevantes. Quando ele estiver acordado, ela pode apoiar todo esse processo para que o agente faça aquilo que faz melhor, que é a curadoria”, explica.

Para Nogueira, porém, automação não significa retirar pessoas da operação. Pelo contrário. “O humano é essencial. Tanto que a gente vem contratando gente a cada dia. Tecnologia precisa de pessoas. Precisa de alguém para criar, ensinar e trabalhar com ela”, afirma.

A HotelDO hoje possui, segundo o diretor-geral, quatro vezes mais profissionais comerciais do que no período pré-pandemia. A intenção é tornar essa equipe menos operacional e mais consultiva, usando os dados disponíveis para chegar às agências com informações sobre comportamento de compra, produtos em crescimento e mudanças no perfil do viajante.

“Quero que o comercial visite o agente sabendo se ele cresceu ou não, que produto está vendendo e como o mercado está reagindo. Se a janela de compra deixou de ser de seis meses e passou para quatro, ou se o cliente está indo mais para resorts ou cruzeiros, quero levar esses insights para que o agente consiga se preparar estrategicamente para vender”, exemplifica.

Com a aproximação da alta temporada, Nogueira diz que a perspectiva permanece positiva. Para ele, a combinação entre ampliação de inventário, diversificação de produtos, tecnologia e relacionamento com as agências sustenta o atual ciclo de crescimento da empresa.

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