A Flybondi protocolou, em 2 de outubro, um pedido de concurso preventivo, mecanismo equivalente à recuperação judicial no Brasil, em meio ao agravamento da crise financeira e à redução de suas operações. O processo tramita na Vara Comercial Nacional nº 24, em Buenos Aires, e envolve a controladora FB Líneas Aéreas.
O pedido tem como objetivo permitir que a companhia negocie suas dívidas e evite a falência. Entre as obrigações estão débitos com arrendadores de aeronaves, fornecedores de manutenção, empresas de abastecimento de combustível, EANA (órgão de navegação aérea), Intercargo, funcionários e passageiros que aguardam reembolsos.
As dívidas públicas da companhia ultrapassam ARS 4 bilhões e podem chegar a ARS 4,6 bilhões quando considerados juros e custos relacionados a determinadas penhoras. A empresa também possui cerca de US$ 5,5 milhões em obrigações ligadas à manutenção de duas aeronaves que estão fora da Argentina.
A crise também afetou a frota e a malha aérea da Flybondi. Atualmente, três aeronaves da companhia permanecem em solo argentino, todas sem operação comercial. Outros dez aviões foram devolvidos aos arrendadores ou estão em processo de devolução.
A redução da operação representa uma mudança em relação ao desempenho registrado um ano antes. Segundo dados da ANAC Argentina citados no texto, a Flybondi transportou mais de 254 mil passageiros em agosto de 2025 e respondeu por 17% do mercado doméstico. Em agosto de 2026, foram 1,8 mil passageiros, com participação de 0,1%.
A situação também ocorre em meio a um conflito societário entre os grupos COC Global, que ingressou na Flybondi em 2025 com aporte superior a US$ 70 milhões, e Cartesian Capital Group, acionista da companhia.
O quadro se agravou após a Receita Federal argentina determinar o bloqueio das contas bancárias da Flybondi, aumentando as dificuldades da empresa para cumprir seus compromissos financeiros.








