Montevidéu (Uruguai) – A Azul Viagens está reformulando a organização de sua prateleira de produtos para facilitar a busca, a montagem e a comercialização de pacotes pelas agências de viagens. As novidades foram apresentadas por Fernanda Paranhos, gerente sênior de Produtos da operadora, durante a programação do Agente Tá On na Estrada Internacional, realizado no Uruguai.
A estratégia envolve a reorganização dos produtos disponíveis no site, a ampliação das experiências temáticas, a oferta de roteiros que combinam diferentes destinos e o desenvolvimento de bloqueios aéreos por origem. A proposta é tornar as opções mais fáceis de encontrar e oferecer condições comerciais mais competitivas aos parceiros.
Segundo Fernanda, as mudanças partiram de dificuldades relatadas pelos próprios agentes, que apontavam problemas para localizar determinados produtos, encontrar tarifas atrativas e identificar hotéis adequados em destinos com menor oferta de opções negociadas diretamente pela operadora.
“Quando eu entrei, ia aos eventos, conversava com o pessoal de vendas e percebia algumas dores. Havia produtos mais difíceis de encontrar, dificuldades para montar determinados pacotes e até problemas para localizar bloqueios”, explicou.
A partir dessas demandas, a Azul Viagens começou a reorganizar a chamada prateleira de produtos, que reúne pacotes previamente estruturados, com itens como passagem aérea, hospedagem e serviços. A intenção é reduzir o trabalho de composição da viagem e facilitar a apresentação de opções completas ao cliente.
Experiências temáticas e pacotes combinados
Entre as frentes de desenvolvimento está a reformulação da prateleira de experiências, que reúne produtos associados a eventos, festas e atividades específicas. O portfólio inclui opções para o Réveillon, Carnaval, Natal Luz, Oktoberfest e corridas esportivas, além de novas oportunidades incorporadas ao longo do ano.
Um dos lançamentos recentes citados por Fernanda é o pacote para o Natal de Curitiba, experiência que, segundo a executiva, tem parceria com a Disney. A operadora também trabalha com produtos para o Natal Luz, em Gramado, e com pacotes relacionados a eventos esportivos.
O segmento de corridas foi apontado como uma das apostas com bom desempenho comercial. A proposta atende tanto atletas que participam de provas de longa distância quanto viajantes que aproveitam a viagem para correr percursos de 5 ou 10 quilômetros.
“É uma oportunidade muito bacana. Toda cidade tem assessorias esportivas, grupos e pessoas que querem unir viagem e experiência”, destacou a executiva ao comentar o potencial desse mercado.
A recomendação é que os agentes explorem parcerias com assessorias de corrida e grupos esportivos de suas próprias cidades, utilizando esses canais para identificar clientes interessados em viajar para participar de provas. Fernanda também mencionou a procura por produtos exclusivos, citando como exemplo uma corrida em Fernando de Noronha.
Outra frente é a prateleira de destinos conjugados, que reúne pacotes com diferentes localidades em um mesmo roteiro. A operadora já disponibiliza mais de 30 combinações, entre opções nacionais e internacionais, e pretende ampliar gradualmente a oferta.
A ideia é facilitar a comercialização de itinerários que exigiriam mais trabalho de montagem por parte do agente. Ao reunir hospedagens, deslocamentos e outros serviços, a Azul Viagens busca oferecer uma solução pronta e, em alguns casos, condições mais vantajosas do que a contratação dos componentes separadamente.
“Isso realmente é um norte, uma facilidade. Tem muita gente que pede para deixar o pacote montado, com as indicações e até os passeios, para facilitar a vida na hora da venda”, afirmou Fernanda.
Bloqueios por origem ampliam competitividade
Outra novidade destacada foi a ampliação dos bloqueios aéreos organizados por origem. O modelo permite que a operadora reserve parte dos assentos de voos regulares e trabalhe uma precificação própria para determinados produtos, oferecendo maior previsibilidade tarifária.
Fernanda explicou que os voos regulares estão sujeitos às oscilações de preços definidas pelas companhias aéreas. Nos bloqueios, a Azul Viagens consegue administrar uma parcela da capacidade e trabalhar com uma curva de preços mais estável, aproximando a oferta das condições de um voo dedicado.
“Quando eu consigo colocar no bloqueio, tenho uma demanda para começar a oferecer um produto com maior competitividade e estabilidade de preço”, explicou.
O mecanismo também funciona como uma etapa de desenvolvimento de mercado. A operadora pode começar com poucos assentos em uma determinada origem e ampliar a disponibilidade conforme a procura cresce. Se o desempenho justificar, a operação poderá evoluir para um voo dedicado.
A estratégia é especialmente relevante para destinos e cidades que ainda não apresentam volume suficiente para sustentar uma operação exclusiva. Segundo Fernanda, a prateleira já reúne bloqueios em mais de 27 destinos, com mais de 80 opções cadastradas no sistema, e a empresa segue negociando novas possibilidades.
A organização por origem também facilita a pesquisa dos agentes. Em vez de procurar cada pacote separadamente, o profissional pode acessar as opções disponíveis a partir de sua cidade e identificar os produtos estruturados com as condições negociadas pela operadora.
Além dos bloqueios, a prateleira de feriados reúne produtos planejados para períodos de maior procura. A proposta é antecipar oportunidades de venda, com pacotes e condições específicas para datas em que os passageiros costumam buscar viagens de curta duração.
Tags para facilitar a escolha de hotéis
A reformulação inclui ainda recursos visuais para ajudar os agentes na seleção de hospedagens internacionais. Entre eles estão as identificações “Favoritos Azul”, “Recomendado” e “Mais procurado”, que sinalizam características diferentes dos hotéis disponíveis.
Os produtos identificados como “Favoritos Azul” estão relacionados a acordos diretos e parcerias consideradas estratégicas pela operadora. Já a marcação “Recomendado” indica hotéis com negociação e margem previamente trabalhadas.
A etiqueta “Mais procurado”, por sua vez, ajuda o agente a escolher hospedagens em destinos nos quais a Azul Viagens não possui necessariamente um acordo direto. Nesses casos, a indicação considera aspectos como qualidade e localização, contribuindo para a montagem do pacote.
A medida busca reduzir uma dificuldade comum na venda de cidades secundárias, quando o profissional conhece o destino, mas precisa de referências para selecionar um hotel bem localizado e adequado ao perfil do cliente.
Tauá João Pessoa entra no radar comercial
Durante a apresentação, Fernanda também comentou o trabalho de negociação para ampliar a competitividade de produtos hoteleiros. Um dos exemplos foi o Tauá João Pessoa, resort recém-inaugurado na capital paraibana, que começa a ganhar espaço na distribuição da Azul Viagens.
A executiva reconheceu que a marca Tauá é tradicionalmente associada a empreendimentos no interior de São Paulo e Minas Gerais, mas ressaltou que a unidade de João Pessoa possui um perfil diferente, com foco em lazer e hospedagem à beira-mar.
Entre os desafios apontados pelos agentes estão a percepção de preço e a ausência do sistema all-inclusive. Fernanda explicou que, no momento, não há previsão de mudança no regime de alimentação, uma vez que a decisão depende do posicionamento definido pelo próprio resort.
A questão tarifária, porém, está entre os pontos acompanhados pela operadora. Segundo ela, a equipe compara os preços com os de empreendimentos concorrentes de perfil semelhante e encaminha as percepções do mercado aos parceiros. “Uma das coisas que a gente sempre olha quando coloca um produto na prateleira é a competitividade. Precisamos comparar com os concorrentes e garantir que o produto esteja bem posicionado”, afirmou.
Fernanda citou como exemplo a revisão recente da política de gratuidade para crianças. Antes, o benefício era válido até os 6 anos. Após o feedback da Azul Viagens, o resort ampliou a faixa etária para até 12 anos, alinhando-se a práticas de concorrentes e contribuindo para melhorar a competitividade da oferta para famílias.
Tecnologia e participação dos agentes
Apesar dos avanços na organização dos produtos, Fernanda reconheceu que ainda existem limitações relacionadas à tecnologia e à integração de sistemas, especialmente para simplificar processos de emissão e ampliar as possibilidades de contratação de serviços terrestres.
A executiva afirmou que a empresa segue trabalhando para encontrar soluções, mas ressaltou que a implementação depende de integrações tecnológicas que nem sempre estão disponíveis de imediato.
Ao encerrar a apresentação, Fernanda reforçou que o desenvolvimento do portfólio depende da troca contínua com os profissionais que estão em contato direto com os passageiros. “Se vocês tiverem dúvidas ou dores, tragam para a gente. A gente ouve vocês, leva para negociação e tenta melhorar os produtos para vocês”, concluiu.

