Turismo fatura R$ 25,5 bilhões em julho, mas desacelera

Receita do setor cresce 2,6% em um ano, enquanto crédito caro e inadimplência elevada afetam o consumo; FecomercioSP projeta alta de 4% em 2026

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

O turismo brasileiro faturou R$ 25,5 bilhões em julho, maior valor já registrado para o mês na série histórica, com crescimento de 2,6% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados são da Pesquisa do Faturamento do Turismo Nacional, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Entre janeiro e julho, a receita do setor chegou a R$ 168,8 bilhões, alta de 3,4% na comparação anual e recorde para o período. Apesar dos resultados positivos, a entidade aponta desaceleração gradual do ritmo de crescimento, associada ao desempenho da economia brasileira, ao custo elevado do crédito e à inadimplência, fatores que afetam a renda das famílias e as decisões de gastos com lazer e viagens.

Transporte aéreo cresce com aumento da demanda

O transporte aéreo de passageiros registrou o maior faturamento entre as atividades turísticas em julho, com R$ 8,1 bilhões, alta de 3% em relação ao mesmo mês de 2025.

O resultado foi sustentado pela demanda doméstica, que avançou 4%, enquanto o número de passageiros transportados cresceu 2,4%, indicando recuperação em relação a junho. Diferentemente de períodos anteriores, a alta do faturamento não foi acompanhada pelo aumento das tarifas. A passagem aérea teve preço médio de cerca de R$ 703, ante R$ 742 em julho do ano passado.

No mesmo intervalo, o preço do querosene de aviação (QAV) subiu mais de 50%. Segundo a FecomercioSP, as companhias aéreas não conseguiram repassar integralmente o aumento dos custos aos passageiros, o que ajuda a explicar a redução da tarifa média.

Hospedagem recua e alimentação mantém crescimento

Os meios de hospedagem faturaram cerca de R$ 5,6 bilhões em julho, queda de 1,4% na comparação anual, após retração de 0,2% em junho. Dados do Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb) apontam redução de 1,3% na taxa de ocupação e aumento de 5,3% na diária média.

A FecomercioSP ressalta que os indicadores do Fohb refletem principalmente hotéis de maior porte, enquanto os dados de faturamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) abrangem uma variedade maior de estabelecimentos, incluindo pousadas, hostels e hotéis independentes. Esses empreendimentos tendem a ser mais sensíveis à desaceleração econômica e à contenção dos gastos das famílias.

A alimentação voltada ao turismo manteve o desempenho positivo, com faturamento de R$ 3,9 bilhões em julho, alta anual de 6,5%. No acumulado dos sete primeiros meses, o crescimento chegou a 5,6%. De acordo com a análise da entidade, a desaceleração da inflação de alimentos tende a aliviar os custos de bares e restaurantes turísticos, favorecendo preços mais competitivos.

Outros segmentos também apresentaram recuperação em julho. A locação de meios de transporte cresceu 2%, alcançando R$ 2,9 bilhões, após dois meses de queda. As atividades culturais, recreativas e esportivas avançaram 1,6%, com faturamento de R$ 709 milhões.

O transporte rodoviário de passageiros registrou receita de R$ 1,8 bilhão, alta de 4,9% na comparação anual. Já o transporte aquaviário cresceu 6,9%, somando R$ 778 milhões. As agências de viagens, operadoras turísticas e outros serviços de turismo avançaram 2,3%, com faturamento de R$ 1,7 bilhão.

Bahia lidera alta percentual

Na análise regional, que exclui o transporte aéreo, o turismo brasileiro faturou R$ 17,4 bilhões em julho, crescimento de 2,4% em relação ao mesmo mês de 2025. Entre as Unidades da Federação, 17 registraram aumento da receita e dez tiveram queda, indicando que o crescimento não ocorreu de forma homogênea no País.

São Paulo manteve a liderança, com faturamento de aproximadamente R$ 7 bilhões, equivalente a cerca de 40% do total nacional. A receita estadual cresceu 2,6% em julho e acumulou alta de 3,4% nos primeiros sete meses de 2026. Segundo a análise da FecomercioSP, o resultado é sustentado pelo fluxo de eventos corporativos e pela atividade do mercado da capital paulista.

A Bahia registrou a maior variação percentual entre os estados com receitas mais expressivas, com alta de 18,7% e faturamento de R$ 759 milhões. O Rio Grande do Norte cresceu 16,3%, alcançando R$ 141 milhões, enquanto o Amapá avançou 12,4%, embora com menor volume de receita.

Entre os resultados negativos, as maiores quedas foram registradas em Mato Grosso do Sul (-8,6%), Tocantins (-7,7%), Ceará (-6,9%) e Pernambuco (-6,7%).

Projeção de alta de 4% em 2026

Apesar da desaceleração observada ao longo do ano, a FecomercioSP mantém a previsão de crescimento de aproximadamente 4% no faturamento do turismo brasileiro em 2026. Caso a projeção se confirme, a receita anual se aproximará de R$ 300 bilhões, estabelecendo um novo recorde para o setor.

A Carta Setorial de agosto do Conselho de Turismo da FecomercioSP apresenta uma análise mais detalhada dos resultados, da desaceleração do mercado e dos impactos do cenário econômico sobre empresas e consumidores. O material está disponível no site da FecomercioSP.

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