O Museu do Louvre, em Paris, reabriu nesta quarta-feira (21), após ter seu funcionamento interrompido por uma manifestação estudantil na segunda-feira (19). O protesto bloqueou os acessos à instituição, considerada o museu mais visitado do mundo, e impediu a entrada de turistas. O movimento foi organizado por estudantes da Escola do Louvre, que reivindicaram melhores condições de ensino e manifestaram oposição à repressão policial durante os recentes protestos na França.
Na segunda-feira, a administração do museu informou que não conseguiria abrir as portas no horário habitual, às 9h, no horário local, devido à presença dos manifestantes. A interrupção provocou a formação de filas de visitantes nas proximidades da famosa pirâmide de vidro, um dos principais cartões-postais da capital francesa.
Diante da situação, o Louvre publicou um comunicado em suas redes sociais para informar os visitantes sobre a suspensão temporária das atividades. “Prezados visitantes, devido a um movimento social estudantil, o museu está fechado no momento. Pedimos desculpas pelo inconveniente”.
Os estudantes distribuíram panfletos nas imediações da instituição, nos quais declararam apoio “à luta pelo direito de estudar, de trabalhar, de viver livremente em boas condições”. A mobilização também teve como objetivo chamar a atenção para as reivindicações de jovens e trabalhadores envolvidos nas manifestações que ocorrem em diferentes regiões francesas.
“Estamos orgulhosos de anunciar que bloqueamos o maior museu do mundo”, afirmava uma das mensagens divulgadas pelos manifestantes durante o bloqueio. A paralisação afetou a programação dos turistas que pretendiam visitar as coleções e exposições do Louvre naquele dia.
A manifestação ocorreu exatamente um ano após o roubo de joias registrado no museu, episódio que provocou uma crise institucional. A coincidência da data acrescentou simbolismo ao protesto realizado diante de um dos principais equipamentos culturais e turísticos da França.
A Escola do Louvre, responsável pela organização do movimento, é uma instituição de ensino superior instalada no complexo do museu. O estabelecimento oferece formação em áreas como História da Arte, Arqueologia, Epigrafia, Antropologia e Museologia.
França enfrenta onda de manifestações
O bloqueio do Louvre ocorreu em meio a uma série de protestos que atingem a França nas últimas semanas. Inicialmente concentradas em reivindicações estudantis, as mobilizações passaram a receber apoio de sindicatos e grupos contrários ao aumento do custo de vida e dos combustíveis. Parte dos atos registrou episódios de violência, incluindo saques, incêndios e confrontos com as forças de segurança. No sábado (17), cerca de 2,4 mil pessoas foram detidas.
As primeiras manifestações ocorreram em setembro, em escolas de ensino médio situadas em bairros periféricos ao norte de Paris. Entre as principais reclamações estavam a falta de professores e as condições inadequadas das instalações escolares, problemas que motivaram a organização dos estudantes.
Com o avanço das mobilizações, as reivindicações passaram a incluir críticas à desigualdade social, à insuficiência de investimentos públicos e à deterioração dos serviços oferecidos à população. O movimento ganhou dimensão nacional e passou a reunir diferentes categorias profissionais.
A instabilidade social ocorre na reta final do mandato do presidente Emmanuel Macron, em um contexto de polarização do eleitorado e fragmentação política. Para o turismo, episódios como o bloqueio do Louvre evidenciam os impactos que as manifestações podem provocar no funcionamento de atrações culturais e na programação dos visitantes.








