Fabiano Camargo encerra ciclo na Braztoa e destaca autonomia da equipe como legado

Presidente do Conselho da entidade até dezembro, proprietário da CT Operadora aponta o fortalecimento da equipe executiva como legado e destaca a Reforma Tributária e o IRRF entre os desafios da próxima gestão

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

Beja, Portugal – Fabiano Camargo, proprietário da CT Operadora e presidente do Conselho da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), encerra seu mandato em dezembro de 2026 e não pretende disputar uma nova gestão. À frente da entidade desde o período posterior à pandemia, o dirigente avalia que uma das principais contribuições de sua passagem pelo cargo foi ampliar a autonomia da equipe executiva e defende a alternância de lideranças como forma de incorporar novas perspectivas à associação.

O mandato atual foi encurtado em seis meses para alinhar o calendário da entidade ao período de mudanças políticas em Brasília. A eleição da nova diretoria está prevista para novembro, com posse em janeiro de 2027. No momento da entrevista, ainda não havia uma chapa formalmente inscrita, embora alguns associados já tivessem manifestado interesse em participar da próxima gestão.

Camargo afirma que a continuidade administrativa tem sido uma característica da Braztoa, com a formação de chapas únicas nas últimas eleições. Para ele, a união entre os associados contribui para manter o trabalho da entidade sem rupturas decorrentes de disputas internas.

“Existe uma alternância clara de mandatos e de estilos, mas todos com foco na união entre a associação”, afirma. Embora pudesse concorrer novamente, o dirigente diz não ver com bons olhos um eventual retorno à presidência. A intenção é continuar participando da Braztoa como associado e, futuramente, contribuir no conselho formado por ex-presidentes.

Equipe executiva como legado

Ao comparar o início de sua gestão com o cenário atual, Camargo destaca as mudanças na estrutura interna da Braztoa. Quando assumiu o Conselho, a entidade ainda lidava com os efeitos da pandemia e com demandas legislativas que exigiam atuação frequente em Brasília, incluindo questões relacionadas às regras de cancelamento de viagens, à Lei Geral do Turismo e ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF).

Durante o período, a associação também acompanhou pautas como a continuidade de medidas de apoio ao setor de turismo e eventos e, mais recentemente, a regulamentação da Reforma Tributária. Segundo o dirigente, a agenda legislativa segue relevante, mas o cenário permite hoje maior dedicação a outras frentes de trabalho.

Outra transformação ocorreu na governança da entidade, com a transição de uma diretoria executiva para o modelo de presidência executiva. Marina Figueiredo assumiu essa função no início da gestão de Camargo, em uma mudança aprovada anteriormente e implementada durante o período.

Para o presidente do Conselho, o fortalecimento da equipe interna permite que as atividades cotidianas avancem com mais autonomia, enquanto os representantes eleitos mantêm suas próprias empresas. “O maior legado que vai ser deixado é o empoderamento cada vez maior da equipe interna, porque isso faz com que as decisões sejam mais ágeis e o trabalho seja muito melhor executado”, afirma.

O executivo atribui o início desse processo à gestão anterior, de Roberto Haro Nedelciu, da Raidho, e considera que a mudança vem sendo construída ao longo de mais de um mandato.

Reforma Tributária e IRRF no radar

A próxima gestão deverá dar continuidade às discussões tributárias que mobilizam a associação. Entre as prioridades apontadas por Camargo estão a regulamentação da Reforma Tributária, as regras relacionadas às empresas aéreas e o IRRF, tema que afeta diretamente as empresas de operação e agenciamento de viagens.

O dirigente afirma que a discussão sobre o imposto se tornou mais difícil diante das necessidades de arrecadação e das condições das contas públicas. Segundo ele, a alíquota, que chegou a 8% em 2026, deve subir para 9% em 2027 e, posteriormente, alcançar 25%.

“Para nós, é um tema muito importante que seja ajustado”, diz Camargo, ao destacar que a questão deverá permanecer entre as prioridades da Braztoa. Ele acrescenta que a regulamentação da Reforma Tributária exigirá acompanhamento não apenas das operadoras, mas também de outras atividades do setor, incluindo regras que afetam as companhias aéreas e a atuação de consolidadores.

O dirigente ressalta que o ambiente político e econômico também será um fator de atenção para a próxima presidência. Com eleições no Brasil e mudanças que podem afetar a agenda legislativa, a associação precisará acompanhar os desdobramentos e manter a interlocução com o poder público.

Convenções internacionais

Durante o mandato de Camargo, a Braztoa também avançou na realização de convenções e missões comerciais fora do Brasil. O dirigente, no entanto, atribui esse movimento à evolução do relacionamento entre a associação e os destinos, e não exclusivamente à sua gestão.

Segundo ele, destinos internacionais passaram a identificar nas convenções uma oportunidade de apresentar seus produtos ao mercado brasileiro e ampliar a visibilidade entre os profissionais do setor. A presença da imprensa nesses encontros também contribui para divulgar as experiências e apoiar a comercialização posterior pelas operadoras.

A entidade passou a trabalhar com destinos de diferentes perfis, desde regiões que demandam maior desenvolvimento comercial até mercados com infraestrutura turística já estabelecida. A edição de 2026, realizada no Alentejo, em Portugal, é um exemplo dessa aproximação. Para Camargo, os participantes encontraram produtos com potencial de venda ao público brasileiro, e alguns associados já avaliavam como incorporá-los aos próprios programas.

O calendário internacional também terá continuidade em 2027, quando a convenção será realizada em O’Higgins, no Chile. A escolha ocorreu após uma missão comercial na região, em novembro de 2025, que permitiu aos operadores conhecer a oferta local e identificar oportunidades de parceria.

Ao concluir seu mandato, Camargo pretende permanecer próximo à associação, mas sem retornar à presidência. Para ele, a chegada de novos dirigentes permite identificar pontos de melhoria e acrescentar perspectivas ao trabalho já realizado. “O que é bom vai se mantendo e novas visões que podem agregar vão chegando. Então, sempre vai sendo uma construção para melhorar a associação”, conclui.

O Brasilturis viaja a convite da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), sob proteção da Global Travel Assistance (GTA).

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