A Gol Linhas Aéreas solicitou autorizações para operar voos diretos para Paris, Nova York e Orlando, como parte de estudos para ampliar sua malha internacional a partir de 2026, segundo informações confirmadas por fontes do setor.
De acordo com pessoas com conhecimento do tema, a companhia fez pedidos de slots para os aeroportos Charles de Gaulle, em Paris, John F. Kennedy, em Nova York, e também para Orlando. As eventuais operações seriam realizadas com aeronaves Airbus A330, modelo de corredor duplo que pode passar a integrar a frota da empresa no próximo ano.
As solicitações fazem parte de uma análise mais ampla de oportunidades internacionais. Segundo uma das fontes ouvidas, a Gol pediu slots para esses destinos e “muitos outros”. No mês anterior, a companhia já havia obtido autorização das autoridades portuguesas para operar voos para o Porto durante a temporada de verão de 2026, conforme o calendário da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), que vai do fim de março ao fim de outubro.
Por outro lado, a empresa não conseguiu autorizações para operar em Lisboa e Londres, aeroportos considerados saturados e com forte concorrência por slots, especialmente para companhias classificadas como novas entrantes nesses mercados.
A Gol ressalta que o pedido e eventual aprovação de slots não representam confirmação de início das operações. A companhia ainda avalia a viabilidade comercial dos destinos e pode desistir total ou parcialmente das autorizações solicitadas. Até o momento, não há registros públicos sobre os slots da empresa nos sites das administrações aeroportuárias da França e dos Estados Unidos.
Em nota, a Gol informa que “continuamente avalia oportunidades de expansão de sua malha aérea regional, nacional e internacional” e que, por ora, não há confirmação de voos além daqueles já operados ou anunciados oficialmente.
Atualmente, a companhia já mantém voos para Orlando a partir de Brasília (DF) e Fortaleza (CE), operados com aeronaves Boeing 737 Max 8, de corredor único e capacidade para 186 passageiros.
A330 e estratégia internacional
O interesse em novos destinos internacionais ocorre em paralelo ao anúncio feito em outubro pelo Grupo Abra, controlador da Gol, sobre a aquisição de até sete aeronaves Airbus A330-900neo, com capacidade aproximada de 300 passageiros e indicadas para voos de longa distância. As entregas estão previstas ao longo de 2026.
No mercado, há a expectativa de que parte dessas aeronaves tenha origem na Azul, que negocia a devolução de unidades do mesmo modelo à arrendadora Avolon, empresa que também fechou contrato com o Grupo Abra. Publicamente, o grupo informa que os A330 poderão ser destinados a qualquer companhia da holding, como Avianca, Gol, Wamos Air e, futuramente, a chilena Sky. Ainda assim, o CEO da Gol já manifestou interesse em utilizar o modelo no Brasil.
A companhia também realizou recentemente uma pesquisa com clientes do programa Smiles para avaliar a receptividade a voos próprios para a Europa, iniciativa que ocorreu no mesmo período do anúncio da incorporação dos novos aviões.
Possíveis bases no Brasil
Caso as novas rotas sejam confirmadas, os principais candidatos a ponto de partida no Brasil são os aeroportos de Guarulhos (SP) e Galeão (RJ). Após sair da recuperação judicial, em junho, a Gol informou a intenção de transformar o Galeão em seu principal hub, movimento que vem sendo acompanhado pelo aumento gradual de operações no terminal.
Guarulhos, por sua vez, segue como uma alternativa relevante, considerando a presença histórica da companhia no maior aeroporto do país e a viabilidade operacional para o lançamento de voos internacionais de longa distância a partir de São Paulo.

