A Gol registrou na Agência Nacional de Aviação Civil pedidos de slots para iniciar, a partir de 1º de junho de 2026, voos internacionais de São Paulo para seis destinos na Europa e nos Estados Unidos. Os registros indicam operações a partir do Aeroporto Internacional de Guarulhos com destino a Lisboa, Londres, Paris e Roma, além de Orlando e Miami, ampliando o escopo internacional da companhia aérea.
As informações constam em dados liberados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e se referem à temporada de verão da aviação, que se estende até 24 de outubro. Segundo os registros, a intenção da Gol é iniciar as rotas com voos diários, utilizando aeronaves Airbus A330-300 configuradas com 298 assentos, modelo apto a operar voos de longa distância.
Caso confirmadas, as novas operações representariam uma mudança relevante na estratégia da companhia, que historicamente operou com frota padronizada de Boeing 737. A adoção do A330-300 sinaliza a intenção de encerrar, ao menos parcialmente, o conceito de frota única e viabilizar ligações diretas entre São Paulo e mercados intercontinentais.
Slots e limitações operacionais
Apesar da aprovação dos pedidos no Brasil, a viabilidade das rotas depende também da confirmação de slots nos aeroportos de destino. Em Lisboa, a Gol conta atualmente com 84 slots aprovados, número insuficiente para sustentar uma operação diária durante todo o período. Já no Aeroporto de Heathrow, em Londres, a coordenação local informou que o pedido inicial da companhia foi rejeitado por restrições de capacidade, colocando a Gol em lista de espera, com baixa probabilidade de liberação de espaços.
Para Paris e Roma, não há registros públicos consolidados. Autoridades francesas confirmaram apenas a existência de um pedido para operações no Aeroporto Charles de Gaulle. Já o Aeroporto de Roma informou que, até o momento, não há indicação formal de início de voos da companhia na temporada de verão europeia.
Além da Europa, os pedidos incluem Orlando e Miami, destinos onde a Gol já atua a partir de outras cidades brasileiras. A ampliação para Guarulhos reforçaria a presença da empresa na Flórida, mercado estratégico para o turismo emissivo brasileiro.
Frota e estratégia internacional
Outro ponto observado pelo mercado é a escolha do A330-300, em detrimento do A330-900neo, modelo encomendado pelo Grupo Abra, controlador da Gol. O grupo possui aeronaves A330-300 em operação por meio da Wamos, empresa especializada em wet lease, o que pode facilitar a disponibilização inicial de aviões para a operação internacional.
Ainda assim, a quantidade limitada de aeronaves pode restringir a frequência efetiva das rotas ou levar a ajustes no plano original. A companhia também não confirmou se pretende operar todas as rotas simultaneamente a partir de junho.
Vale destacar que a Gol já sinalizou que avalia continuamente oportunidades de expansão de sua malha aérea regional, nacional e internacional, mas que, até o momento, não há confirmação de voos além dos aeroportos onde já opera ou anunciou oficialmente.

