O Grupo Latam Airlines encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 125 milhões e receita de US$ 4,2 bilhões, crescimento de 28% em relação ao mesmo período do ano passado. Os resultados foram divulgados nesta terça-feira (4), durante coletiva de imprensa conduzida pelo CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, e pelo CFO do grupo, Ricardo Bottas.
O desempenho foi registrado em um dos cenários mais desafiadores para a companhia nos últimos anos. No trimestre, os gastos com combustível alcançaram US$ 1,7 bilhão, alta de 93,1% em comparação ao segundo trimestre de 2025, enquanto o preço pago pelo insumo, considerando operações de hedge, aumentou 81,3%.
Mesmo sob esse contexto, a companhia reportou margem operacional de 5,4% e EBITDA ajustado de US$ 713 milhões, sustentados pela diversificação de receitas, crescimento da demanda premium, expansão do Latam Pass e disciplina na execução da estratégia comercial.
“Os resultados do segundo trimestre demonstram a solidez estrutural do grupo, assim como a proposta de valor para os clientes e sua capacidade de atuar em um ambiente volátil e incerto”, afirmou Ricardo Bottas, CFO do Latam Airlines Group.
Segundo o executivo, a combinação entre o segmento premium, as operações de carga, o programa de fidelidade e uma posição financeira sólida permitiu preservar a rentabilidade mesmo em um trimestre tradicionalmente mais fraco para o setor.
Grupo amplia operação e transporta 21,1 milhões de passageiros
Entre abril e junho, a Latam transportou 21,1 milhões de passageiros e ampliou em 8,9% sua capacidade consolidada.
O crescimento foi puxado principalmente pelas operações internacionais, cuja oferta aumentou 11,8%. No Brasil, a capacidade doméstica avançou 5,7%, enquanto as afiliadas do Chile, Colômbia, Peru e Equador registraram expansão de 5,3%.
A taxa de ocupação permaneceu em níveis considerados saudáveis, atingindo 81,8%.
Durante a coletiva, Jerome Cadier destacou que a companhia mantém sua estratégia de expansão no mercado brasileiro mesmo diante da pressão sobre os custos operacionais.
Segundo o CEO, os investimentos abrangem renovação de cabines, instalação de Wi-Fi em voos internacionais, desenvolvimento da nova cabine Premium Comfort, modernização dos lounges, inteligência artificial, evolução do Latam Pass, ampliação da frota, contratação de profissionais e expansão da malha aérea.
Programa de fidelidade ganha relevância
Outro destaque do trimestre foi o desempenho do Latam Pass. O programa alcançou 56 milhões de membros e respondeu por 67% de toda a receita de passageiros da companhia. Já o número de clientes das categorias Elite cresceu 26% em relação ao mesmo período de 2025.
Para a empresa, a fidelização dos clientes tem sido um dos pilares para fortalecer a competitividade e reduzir a dependência exclusiva das receitas provenientes da venda de passagens.
Caixa reforçado e recompra de ações
No campo financeiro, a Latam gerou US$ 473 milhões em fluxo de caixa operacional ajustado durante o trimestre e encerrou junho com US$ 2,7 bilhões em caixa.
Considerando as linhas de crédito disponíveis, a liquidez total alcançou US$ 4,2 bilhões, equivalente a 26,2% da receita acumulada dos últimos doze meses.
A alavancagem líquida ajustada permaneceu em 1,5 vez, abaixo do limite máximo de 2 vezes estabelecido pela política financeira da companhia.
Os acionistas também aprovaram um programa de recompra de ações que poderá atingir até 5% dos papéis em circulação ao longo dos próximos cinco anos.
Perspectivas permanecem positivas
Com base no desempenho do primeiro semestre e em uma perspectiva mais favorável para o preço do combustível, a Latam revisou suas projeções para 2026.
A companhia espera ampliar entre 9% e 10% sua capacidade total neste ano, além de alcançar EBITDA ajustado entre US$ 4,1 bilhões e US$ 4,4 bilhões.
A expectativa também é encerrar 2026 com liquidez mínima de US$ 4,7 bilhões e alavancagem líquida ajustada igual ou inferior a 1,6 vez.
Durante a coletiva, Cadier também reforçou que o mercado brasileiro ainda possui amplo potencial de expansão.
“O Brasil bateu recorde de passageiros em 2025. Que bom. Deve ter um número bom em 2026 também. Mas, se olharmos os últimos 10 ou 12 anos, ainda estamos em níveis parecidos com os do começo da década de 2010.”
Segundo ele, o País precisa discutir um plano de longo prazo para a aviação, contemplando estabilidade regulatória, redução de custos operacionais e maior eficiência para permitir que o mercado dobre de tamanho na próxima década.
Ainda na coletiva, Cadier detalhou, em primeira mão, como será a implementação das aeronaves E195-E2 que a companhia irá receber.

