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Copa do Mundo 2026 exige cautela e expõe riscos de pacotes não oficiais

Venda passa por mudança estrutural, reforça hospitalidade homologada pela Fifa e amplia alerta ao trade turístico brasileiro

Kamilla Alves
Kamilla Alves
Gestora Web - E-mail: milla@brasilturis.com.br

Com a aproximação da Copa do Mundo Fifa 2026, o mercado brasileiro de turismo e eventos entra em um período de atenção redobrada. Operadoras oficiais e empresas com histórico de atuação no torneio alertam para o aumento da oferta de pacotes não homologados, comercializados fora do circuito autorizado, prática que pode comprometer desde a entrega de ingressos até a experiência completa do viajante.

O alerta ganha força em um contexto de transformação estrutural do produto Copa do Mundo. Segundo executivos do setor, o evento deixou de ser tratado como uma simples viagem esportiva para se consolidar como uma experiência premium, altamente regulada pela Fifa, com regras rígidas de acesso, hospitalidade e operação.

“O maior erro hoje é tratar a Copa do Mundo como se fosse apenas a compra de um ingresso. Estamos falando de uma experiência complexa, com protocolos claros definidos pela Fifa”, afirma Aldo Leone Filho, CEO da Agaxtur, que acompanha o torneio há diversas edições.

De acordo com o executivo, ofertas paralelas aumentam o risco para o consumidor e fragilizam a cadeia formal do turismo.

Da viagem esportiva ao produto premium

Nos últimos ciclos, a Copa passou a atrair um público mais diversificado, que vai além do torcedor tradicional. Famílias, casais e grupos corporativos passaram a enxergar o evento como uma experiência de alto valor agregado, em que logística integrada, conforto e serviços exclusivos são parte central do produto.

“O perfil do público mudou. Hoje, quem compra Copa do Mundo busca segurança, padrão internacional e previsibilidade. Não há espaço para improviso”, observa Aldo. Esse movimento acompanha uma tendência global de premiumização dos grandes eventos esportivos, com foco na jornada completa do viajante.

Hospitalidade substitui o conceito de ingresso

Outro ponto de atenção destacado pelos operadores oficiais é o modelo atual de comercialização adotado pela Fifa. Não há mais venda intermediada de ingressos de forma isolada. O acesso aos estádios ocorre por meio de produtos de hospitalidade, que incluem áreas exclusivas, serviços e controle rigoroso de entrada.

“Quando alguém oferece ingresso solto fora do sistema oficial, o risco é enorme. A Fifa não reconhece essas vendas”, reforça o executivo. Para o trade, a educação do consumidor tornou-se um ativo estratégico neste ciclo.

Modelo oficial no Brasil

No mercado brasileiro, a comercialização oficial dos produtos de hospitalidade da Copa do Mundo Fifa 2026 é realizada pela Golden Goal, representante exclusiva da On Location no país. A empresa atua em parceria com um pool restrito de operadoras — Agaxtur, Ambiental, Globalis e Queensberry — por meio da iniciativa Pra Cima Brasil.

O modelo integra hospitalidade oficial e serviços de viagem em uma oferta única, seguindo os protocolos internacionais exigidos pela Fifa. Para os operadores, essa estrutura reduz riscos, garante rastreabilidade e assegura a entrega do produto conforme contratado.

Informação como proteção ao consumidor

Diante do aumento de ofertas irregulares, a orientação ao mercado é clara: agentes de viagem e consumidores devem verificar se o produto está inserido no circuito autorizado. “A Copa acontece a cada quatro anos, mas os problemas surgem sempre que alguém tenta encurtar o caminho. Informação é a principal ferramenta de proteção”, conclui Aldo.

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