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Demanda global por viagens aéreas deve mais que dobrar até 2050

Projeções indicam crescimento sustentado, com avanço puxado por mercados emergentes e mudanças estruturais no setor

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

A Associação do Transporte Aéreo Internacional (Iata) divulgou, nesta terça-feira (17), suas projeções de longo prazo para o transporte aéreo, apontando que a demanda global por viagens de aéreas deve mais que dobrar até 2050. O estudo considera diferentes cenários e indica crescimento contínuo ao longo das próximas décadas.

No cenário intermediário, a demanda deve alcançar 20,8 trilhões de passageiros-quilômetro pagos (RPKs), com uma taxa média de crescimento anual de 3,1% entre 2024 e 2050. O ponto de partida são os 9 trilhões de RPKs registrados em 2024. Em uma perspectiva mais otimista, a taxa chega a 3,3% ao ano, levando a demanda a 21,9 trilhões de RPKs. Já no cenário mais conservador, o crescimento médio seria de 2,9%, com volume total de 19,5 trilhões de RPKs.

“As perspectivas para as viagens aéreas são positivas. As pessoas querem viajar e, em todos os cenários que modelamos, espera-se que a demanda por viagens aéreas mais que dobre até meados do século. Isso é uma boa notícia para o desenvolvimento econômico e social global, porque o crescimento da aviação catalisará oportunidades, incluindo empregos, em todo o mundo. Nosso relatório de Projeções de Demanda de Longo Prazo oferece aos governos, à indústria e aos fornecedores de energia uma base robusta para o planejamento de longo prazo. Ele reforça a necessidade de estruturas de políticas públicas que apoiem fatores-chave de sucesso, como o desenvolvimento eficiente de infraestrutura, a facilitação do acesso aos mercados, a harmonização regulatória e uma transição eficaz para energia limpa”, afirmou Willie Walsh, diretor-geral da Iata.

Crescimento será liderado por mercados emergentes

A expansão da demanda não ocorrerá de forma homogênea entre as regiões. De acordo com o estudo, Ásia-Pacífico e África devem apresentar os maiores ritmos de crescimento entre 2024 e 2050, com taxas médias anuais de 3,8% e 3,6%, respectivamente. Em contraste, mercados mais maduros, como Europa e América do Norte, devem avançar em ritmo mais moderado, com 2,5% e 2,8%.

Entre os fluxos com maior potencial de expansão estão os mercados intra-África, com crescimento estimado de 4,9% ao ano, além das conexões entre África e Ásia-Pacífico (4,5%), Ásia-Pacífico e Oriente Médio (3,9%), e intra-Ásia-Pacífico (3,9%). O levantamento também destaca a necessidade de investimentos em infraestrutura e marcos regulatórios nas regiões em desenvolvimento.

Tendências e fatores que influenciam o crescimento

O relatório aponta que a pandemia de covid-19 provocou uma mudança estrutural na demanda global por transporte aéreo. Diferentemente de crises anteriores, a queda abrupta no volume de passageiros gerou um descompasso que não deve retornar à tendência pré-pandemia até 2050, mesmo nos cenários mais favoráveis.

Outro ponto observado é a desaceleração gradual da taxa de crescimento ao longo das décadas. Entre 1972 e 1998, o setor cresceu, em média, 6,1% ao ano. Esse ritmo caiu para 4,5% entre 1998 e 2024 e deve atingir cerca de 3,1% no período entre 2024 e 2050. A redução reflete a maturidade dos mercados, ainda que o volume absoluto de passageiros continue em expansão.

Modelo considera variáveis econômicas e estruturais

As projeções foram elaboradas a partir de um modelo econométrico global desenvolvido pela Iata, com base em dados de instituições internacionais e em seu banco próprio de informações sobre tráfego aéreo. O estudo reúne mais de meio milhão de observações, abrangendo cerca de 41 mil pares de países entre 2011 e 2024.

Entre as variáveis consideradas estão população, emprego, frequência de voos e capacidade das aeronaves. O principal fator que influencia a demanda é o Produto Interno Bruto per capita ajustado pela paridade do poder de compra. O modelo também incorpora cenários relacionados à transição energética global e foi validado com base em dados históricos, apresentando nível de precisão médio de 98% nas projeções da indústria.

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