O ano de 2026 já começa a ser desenhado agora e, para as agências de viagens, ele exigirá muito mais do que boas vendas ou promoções atrativas. O mercado está mais complexo, mais competitivo e, principalmente, mais exposto a riscos. Por isso, a principal tendência que enxergo para os próximos anos é clara: sobrevive e cresce quem se antecipa, se protege e se posiciona corretamente.
A primeira grande pauta é a segurança das agências de viagens. Estamos vivendo um momento em que golpes, fraudes, fornecedores pouco transparentes e relações comerciais frágeis deixaram de ser exceção. Em 2026, será indispensável que o agente seja criterioso na escolha de parceiros, plataformas, meios de pagamento e fornecedores. Cautela não é medo, é maturidade de mercado.
Escolher com quem caminhar será tão importante quanto vender bem. O agente precisará olhar além de preços e comissões, avaliando histórico, reputação, suporte e responsabilidade das empresas com as quais se relaciona. Fornecedor bom é aquele que está presente nos momentos difíceis, não apenas nos bons.
Outra tendência irreversível é o investimento em comunicação e posicionamento de marca. A máxima “quem não é visto não é lembrado” nunca foi tão verdadeira. Em um mercado cada vez mais barulhento, o agente que não comunica seu valor, sua autoridade e seu diferencial corre o risco de se tornar invisível, mesmo sendo excelente no que faz.
Comunicação não é apenas postar nas redes sociais. É construir uma imagem profissional, coerente e confiável. É estar presente, educar o cliente, mostrar bastidores, explicar processos e reforçar constantemente o valor do trabalho do agente de viagens. Em 2026, não bastará ser bom; será preciso parecer bom, ser lembrado e ser reconhecido.
Outro ponto fundamental será a busca por parceiros e entidades que realmente defendam os interesses dos agentes de viagens. O mercado está cheio de discursos bonitos, mas o agente precisa se perguntar: quem está, de fato, do nosso lado? Quem nos protege? Quem se posiciona quando o agente é prejudicado?
Estar conectado a grupos, entidades e profissionais comprometidos com a classe não é apenas uma questão de representatividade; é uma estratégia de sobrevivência coletiva. Agente isolado é agente vulnerável. Agente em comunidade é agente fortalecido.
Também veremos uma valorização ainda maior da capacitação contínua. O consumidor está mais informado, mais exigente e mais digital. Isso exige do agente atualização constante em produtos, destinos, legislação, tecnologia e atendimento. Capacitar-se deixará de ser um diferencial e passará a ser uma obrigação para quem quer permanecer relevante.
Os FAMs também ganham um papel estratégico nesse cenário. Mais do que conhecer destinos, eles serão ferramentas essenciais de relacionamento, autoridade e geração de conteúdo real. Quem vive o produto vende com mais propriedade, cria vínculos com fornecedores e entrega mais segurança ao cliente final.
Por fim, acredito que 2026 será o ano em que o agente de viagens precisará, definitivamente, escolher de que lado quer estar: o da improvisação ou o da profissionalização; o da solidão ou o da união; o da vulnerabilidade ou o da blindagem.
O futuro do turismo não será dos maiores, mas dos mais preparados. E preparação passa por segurança, posicionamento, capacitação e, acima de tudo, por estar ao lado de quem realmente se importa com a classe dos agentes de viagens.
Esse é o caminho. E ele começa agora.

