O comportamento do turista brasileiro passa por uma transformação estrutural, impulsionada principalmente pela ampliação da oferta e pela diversidade de produtos disponíveis no mercado. Se antes viajar era restrito a uma parcela menor da população, hoje o acesso se expandiu, acompanhado por um cenário de múltiplas possibilidades. “Antes, viajar era luxo. Hoje existe uma viagem para cada bolso, estilo e perfil”, afirma Aldo Leone, CEO da Agaxtur.
A mudança não se limita ao aumento do número de viajantes, mas também à diversificação dos destinos. O turista brasileiro, que tradicionalmente concentrava suas viagens em poucos locais, passou a explorar diferentes regiões do mundo, com maior acesso à informação e mais autonomia na escolha. Entre os destinos internacionais, a Itália se destaca como principal referência, seguida por Portugal e outros países europeus. Embora mercados consolidados como Orlando permaneçam relevantes, já não concentram o fluxo como em décadas anteriores. “Não é só preço. É volume. Onde antes havia poucos hotéis, hoje existe oferta em escala”, destaca.
Esse novo cenário também evidencia um processo de dispersão geográfica. O brasileiro viaja mais e para destinos menos óbvios, ampliando sua presença global. “Hoje você encontra brasileiro em praticamente qualquer lugar. Se for para a Islândia ou para a África do Sul, é muito provável que encontre outros brasileiros. Isso não acontecia no passado”, diz o CEO.
Com o aumento das opções, o desafio deixou de ser apenas viajar e passou a ser decidir. A multiplicidade de voos, roteiros, condições climáticas e experiências tornou o planejamento mais complexo e estratégico. “Sem planejamento, vira caos. Não existe viagem improvisada sem risco”, afirma Leone.
Nesse contexto, o papel do agente de viagens ganha ainda mais relevância. Diante de uma oferta praticamente ilimitada, a orientação qualificada se torna essencial para organizar escolhas, reduzir incertezas e garantir uma experiência mais assertiva. “O agente de viagens passa a ser mais do que nunca necessário. É quem organiza as escolhas, reduz incertezas e sustenta a decisão do cliente”, conclui Leone.

