A escalada de tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, acendeu um alerta no setor de turismo no Brasil diante dos impactos no fornecimento de combustível de aviação. Com o fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo, companhias aéreas já enfrentam restrições no acesso ao querosene de aviação (QAv).
De acordo com a Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp), a tendência é de repasse dos custos ao consumidor, com aumento estimado de até 30% nas passagens aéreas. O cenário pode impactar diretamente a demanda por viagens e o desempenho da cadeia turística nas próximas semanas.
Segundo Edson Pinto, diretor-executivo da entidade, a alta do petróleo já provoca limitações no abastecimento em aeroportos no Brasil e no exterior. “A estimativa é de aumento de até 30% nas passagens, diante da escassez do petróleo no mundo. Isto respingará no Turismo brasileiro, que, no segundo semestre de 2025, apresentou números consistentes de crescimento. Voos mais caros tornam as viagens mais caras. O consumidor sente no bolso e, por óbvio, é a primeira coisa que ele corta para preservar o orçamento”, afirma.
O executivo também aponta que as companhias aéreas tendem a reduzir a oferta de passagens promocionais, revisar rotas e ajustar operações. “O prejuízo segue efeito cascata: perdem as empresas de aviação, assim como os setores de Hotelaria, de Bares e de Restaurantes. Perde o Turismo como um todo. Tínhamos uma previsão bastante otimista para 2026 […] Se o conflito no Oriente Médio persistir ainda mais, este calendário, que era promissor, tende a ser afetado”, diz.
A São Paulo, principal polo de turismo de negócios do país, pode registrar redução no fluxo de visitantes em feiras, congressos e eventos corporativos. A entidade também prevê impacto nas reservas hoteleiras e na geração de empregos temporários.
Para consumidores, a recomendação é priorizar viagens de curta distância e destinos domésticos, especialmente para as férias do meio do ano.
Medidas do governo
O Governo Federal do Brasil anunciou ações emergenciais para mitigar os efeitos da alta do combustível. Entre elas, está a isenção de PIS e Cofins sobre o querosene de aviação.
Para Edson Pinto, a medida é insuficiente. “Não basta apenas zerar os impostos federais”, pontua. Segundo ele, é necessário que estados também reduzam o ICMS sobre o combustível para ampliar o suporte às companhias aéreas.

