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Tap registra lucro pelo quarto ano seguido e transporta 16,7 milhões de passageiros em 2025

Companhia encerra plano de reestruturação e projeta crescimento com foco na expansão da malha transatlântica e modernização da frota

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

A Tap Air Portugal voltou a registrar resultado positivo em 2025, alcançando lucro líquido de 4,1 milhões de euros e completando o quarto ano consecutivo no azul. O desempenho financeiro ocorreu em um cenário de pressão de custos e instabilidade no setor aéreo global, e foi acompanhado pela conclusão dos compromissos previstos no plano de reestruturação aprovado pela União Europeia. Caso desconsiderado o impacto extraordinário relacionado à atualização das taxas de imposto sobre o rendimento, o lucro recorrente teria atingido 46 milhões de euros no período.

As receitas operacionais somaram 4,3 bilhões de euros no ano, avanço de 1,2% em comparação com 2024. O resultado foi impulsionado principalmente pela venda de passagens e pelo crescimento do negócio de manutenção, que registrou expansão superior a dois dígitos. Ao longo de 2025, a companhia transportou 16,7 milhões de passageiros, aumento de 3,4% na comparação anual, enquanto a taxa média de ocupação atingiu 84,2%, com ganho de 1,9 ponto percentual.

Mesmo com a expansão da capacidade e da demanda, o desempenho das receitas unitárias refletiu um ambiente de maior concorrência em mercados estratégicos e efeitos macroeconômicos, especialmente na América do Norte. Nesse contexto, o indicador de receita por assento disponível apresentou retração, indicando ajustes no equilíbrio entre oferta e preços praticados no setor.

Os custos operacionais recorrentes totalizaram 4,07 bilhões de euros em 2025, crescimento de 3,6% frente ao ano anterior. O aumento foi influenciado por despesas relacionadas ao tráfego aéreo, à folha de pagamento e à depreciação de ativos, fatores parcialmente compensados pela redução nos gastos com combustível. Ainda assim, a companhia manteve margens operacionais positivas, com EBITDA recorrente de 742,9 milhões de euros e margem de 17%, além de EBIT recorrente de 243,4 milhões de euros.

Conclusão do plano de reestruturação e perspectivas para a expansão da operação

Em 2025, a Tap finalizou o cumprimento das obrigações operacionais e financeiras estabelecidas no plano de reestruturação aprovado pela União Europeia. O reconhecimento por parte das autoridades europeias sinalizou a recuperação da viabilidade econômica da empresa e abriu caminho para uma nova etapa de crescimento. Também foi autorizada a extensão do prazo para a alienação de participações em empresas do grupo até junho de 2026, com a companhia comprometendo-se a devolver recursos ao acionista no âmbito desse acordo.

Ao final de dezembro de 2025, a empresa apresentava posição de liquidez de 765,3 milhões de euros, valor superior ao registrado um ano antes. O indicador de endividamento líquido em relação ao EBITDA permaneceu controlado, demonstrando maior estabilidade financeira e capacidade de investimento para os próximos ciclos operacionais.

Para 2026, a estratégia da companhia está baseada em crescimento gradual e sustentável, sustentado pela renovação e modernização da frota com aeronaves Airbus neo, que oferecem maior eficiência operacional e menor impacto ambiental. A expansão da malha aérea deverá ocorrer principalmente nas rotas transatlânticas, com destaque para o mercado brasileiro, considerado um dos principais vetores de crescimento da empresa.

Além da ampliação das operações internacionais, a companhia pretende fortalecer a base operacional na cidade do Porto, com o lançamento de novas rotas e o desenvolvimento de um centro de manutenção aeronáutica. Em paralelo, a empresa continuará investindo na experiência do passageiro, incluindo melhorias no produto de cabine e na oferta de serviços a bordo.

Segundo Luís Rodrigues, CEO da companhia, “Em 2025, a Tap apresentou resultados sólidos, suportados por uma procura resiliente de passagens em toda a rede, principalmente na segunda metade do ano, e por um contributo relevante do negócio de Manutenção, que continuou a reforçar o seu peso nas receitas totais. Apesar de um contexto desafiante, marcado por pressões inflacionárias nos custos e por constrangimentos nas cadeias de abastecimento e operacionais expressivos em toda a indústria, mantivemos margens resilientes e reforçamos a posição financeira da Companhia. Este desempenho suportou um resultado líquido positivo pelo quarto ano consecutivo.”

O executivo também destacou que a companhia inicia um novo ciclo estratégico. “Em 2026, a Comissão Executiva irá acelerar a execução das iniciativas já definidas, com foco claro nas prioridades operacionais. Esse processo será acompanhado pelo início de uma nova fase de crescimento disciplinado e sustentável, com um maior enfoque na expansão transatlântica, especialmente com duas novas rotas no Brasil, reforçando a nossa liderança e rede neste mercado, para um total de 15 destinos, dos quais 10 são atendidos exclusivamente pela Tap.”

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