São Paulo (SP) – A Gol apresentou na WTM Latin America 2026, realizada entre os dias 14 e 16 de abril no Expo Center Norte, em São Paulo (SP), os principais avanços de sua estratégia de internacionalização, com destaque para a entrada de aeronaves de longo curso na operação da companhia. Durante entrevista ao Brasilturis, o diretor de Vendas da empresa, Danillo Barbizan, detalhou as novidades que marcam um novo momento na atuação internacional da aérea, incluindo a abertura de rotas intercontinentais e a introdução de uma nova classe executiva.
Segundo o executivo, a participação na feira está diretamente relacionada ao momento de expansão internacional da Gol e à importância do relacionamento com o trade. Ele explicou que o evento reúne tanto agentes brasileiros quanto compradores internacionais, o que se conecta à estratégia atual da empresa. “Um dos motivos para a gente vir na WTM tem a ver com esse mix de negócio que é o agente de viagem local, mas também essa oportunidade que a feira traz com muitos buyers internacionais, o que conversa muito com a estratégia de internacionalização da companhia”, afirmou.
A principal novidade apresentada pela Gol é a incorporação de aeronaves Airbus A330, utilizadas em voos de longa distância. Os equipamentos fazem parte da estrutura da holding Abra e representam um passo importante para ampliar o alcance da empresa no mercado internacional. “Esses aviões estão sendo alocados para a gente e já anunciamos duas rotas muito importantes: Galeão–Nova York e Galeão–Lisboa”, disse.
Com a introdução dessas aeronaves, a companhia passa a operar voos transcontinentais com maior autonomia e novos padrões de serviço. Um dos destaques é a criação de uma classe executiva inédita na empresa, denominada Insígnia, voltada ao público que busca maior conforto em viagens de longa duração. “Agora a gente cruza realmente o oceano para a Europa com voos diretos para Lisboa, com um produto de classe executiva chamado Insígnia”, afirmou.
O Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, foi escolhido como principal hub para essa nova fase da operação internacional da Gol. De acordo com Barbizan, a decisão leva em conta fatores logísticos e a capacidade de conexões disponíveis no terminal. “O Galeão tem condições de tráfego mais favoráveis para quem se conecta, e isso é fundamental para a operação internacional”, explicou.
Além das rotas já anunciadas, a companhia estuda novas possibilidades de expansão com aeronaves de longo curso. Entre os destinos em análise estão Paris e Orlando, que já aparecem no radar da empresa como próximos passos no processo de crescimento internacional. “Falando de A330, está no radar o voo Galeão–Paris e o Galeão–Orlando também. Essas já são realidades que estamos trabalhando”, afirmou.
Outro movimento estratégico destacado pelo executivo foi a atualização do programa de fidelidade da Gol, que ganhou um novo nível voltado a clientes frequentes com perfil internacional. A mudança busca atender passageiros que anteriormente dependiam de companhias parceiras para realizar viagens de longa distância. “Acabamos de lançar um novo nível no nosso programa de fidelidade, pensado para o passageiro que voa bastante para o exterior”, disse.
No mercado doméstico, a empresa também apresentou crescimento na oferta de assentos, especialmente em hubs regionais e rotas corporativas. Um dos destaques é a expansão da operação em Salvador, que passou a ter aumento significativo na capacidade de voos. “Acabamos de anunciar crescimento de 21% na oferta de assentos em Salvador, que é um hub importante do Nordeste”, afirmou.
O executivo ressaltou ainda o papel estratégico do segmento corporativo na malha aérea da companhia, especialmente em rotas que conectam grandes centros a cidades do interior. Segundo ele, algumas dessas rotas registraram crescimento expressivo na oferta de assentos ao longo do último ano. “Estamos olhando muito para o mercado corporativo e ampliando a oferta em rotas com alta demanda de negócios”, disse.
Outro ponto abordado durante a entrevista foi o impacto do aumento do preço do combustível na operação das companhias aéreas. Barbizan explicou que o querosene de aviação representa parcela significativa dos custos e exige atenção constante na gestão financeira. “O combustível representa cerca de 30% da linha de custo da companhia aérea, então qualquer aumento gera uma pressão muito grande”, afirmou.
Por fim, o executivo destacou a relevância do canal de vendas indireto para a estratégia comercial da empresa, ressaltando que os agentes de viagens continuam sendo peça central no relacionamento com o mercado. Segundo ele, a maior parte das vendas da companhia ocorre por meio desse canal, especialmente em períodos próximos à data de embarque. “Mais de 55% das nossas vendas vêm dos agentes de viagem e, quanto mais próximo do embarque, esse percentual pode chegar a 80%”, afirmou.

