Dois anos após o alagamento que interrompeu suas operações por cerca de cinco meses em 2024, o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, já opera acima dos níveis registrados antes do desastre ambiental. No primeiro trimestre de 2026, o terminal movimentou 1,8 milhão de passageiros, superando os 1,6 milhão contabilizados no mesmo período de 2024.
No segmento internacional, o avanço também é consistente. Foram 101.587 passageiros entre janeiro e março deste ano, frente a 95.745 no primeiro trimestre de 2024, alta de 6,1%. O desempenho reforça a retomada da conectividade aérea do Rio Grande do Sul e sinaliza recuperação estrutural e operacional consolidada.
A reestruturação do terminal foi viabilizada por investimentos superiores a R$ 560 milhões. Desse montante, R$ 426 milhões foram destinados por medida cautelar do Governo Federal no âmbito do contrato de concessão com a Fraport Brasil.
Tomé Franca, ministro de Portos e Aeroportos, afirmou que o resultado vai além da recuperação operacional. “O que vemos hoje em Porto Alegre é mais do que a recuperação de um aeroporto. É a demonstração da capacidade do Estado brasileiro de responder com rapidez, coordenação e eficiência a uma situação extrema. O Salgado Filho volta a crescer, mais resiliente e preparado para o futuro”, declarou.
Infraestrutura reconstruída
A recuperação da pista de pousos e decolagens, com 3.200 metros, foi uma das etapas mais complexas. Submersa por cerca de 23 dias, a estrutura passou por limpeza, inspeção das placas de concreto, fresagem, remoção de detritos e recomposição do pavimento em um trecho de 1.400 metros. Sistemas elétricos e de sinalização luminosa também foram recuperados ou substituídos.
O aeroporto recebeu novos equipamentos operacionais, incluindo esteiras de bagagem, aparelhos de raio-X, escadas rolantes e elevadores. Também foram implementadas melhorias estruturais no sítio aeroportuário voltadas à drenagem e ao escoamento de águas pluviais.
Daniel Longo, secretário de Aviação Civil, destacou que as obras seguiram padrões técnicos e de segurança da aviação civil. “Hoje, o aeroporto opera com maior capacidade e preparado para sustentar o crescimento da demanda com eficiência e previsibilidade”, afirmou.
Mais de duas mil pessoas atuaram 24 horas por dia na operação de recuperação. Ao todo, 32 mil m² do terminal passaram por obras, mais de 300 mil metros de cabos de TI foram substituídos, cerca de 20 mil metros de cabos elétricos renovados, 10 subestações e 20 geradores recuperados, além da aplicação de quase 100 mil toneladas de asfalto e 55 mil m² de concreto.

