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Espanha conclui evacuação de cruzeiro ligado a surto de hantavírus

Operação mobiliza voos especiais, quarentenas e monitoramento internacional após mortes a bordo do MV Hondius

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

A Espanha conclui nesta segunda-feira (12) a operação de evacuação do MV Hondius, cruzeiro associado a um surto de hantavírus que provocou a morte de três passageiros e colocou autoridades sanitárias de diferentes países em alerta. O desembarque ocorre no porto de Granadilla, em Tenerife, nas Ilhas Canárias, sob forte esquema de controle sanitário.

Os últimos 22 ocupantes do navio deixarão a embarcação em um voo especial com destino à Holanda, encerrando a operação iniciada no domingo. Segundo o governo espanhol, permanecerão a bordo apenas 32 pessoas, entre tripulantes e equipe operacional. “Permanecerão 32 pessoas no navio, que seguirá para os Países Baixos”, afirmou Mónica García, ministra da Saúde da Espanha.

A ministra explicou ainda que passageiros inicialmente previstos para embarcar em uma aeronave australiana acabaram redirecionados para o voo holandês devido a atrasos logísticos.

O MV Hondius permanece fundeado sem atracar diretamente no porto, seguindo exigências das autoridades regionais das Canárias. Os passageiros são retirados em pequenos grupos por lanchas e transportados em ônibus isolados até o Aeroporto de Tenerife Sul, localizado a poucos minutos do terminal portuário.

As repatriações foram organizadas conforme a nacionalidade dos viajantes. No domingo, partiram voos especiais para países como França, Canadá, Reino Unido, Estados Unidos, Turquia, Irlanda e Países Baixos. Entre os ocupantes estavam também um argentino e um tripulante guatemalteco, únicos latino-americanos presentes no navio.

Antes da partida definitiva, o Hondius ainda receberá abastecimento e provisões. O cronograma prevê a conclusão da operação até as 19h no horário local.

Novos casos elevam preocupação

A reta final da evacuação coincidiu com o surgimento de dois novos casos sintomáticos entre passageiros e tripulantes já desembarcados. Os casos envolvem um cidadão americano e uma passageira francesa.

As autoridades sanitárias classificaram os evacuados como contatos de alto risco, o que levou diferentes países a adotarem protocolos de isolamento e monitoramento médico. A maioria dos passageiros deverá cumprir quarentena ao chegar ao destino final.

Os Estados Unidos, no entanto, informaram que cidadãos americanos não necessariamente serão submetidos a isolamento obrigatório. A decisão gerou preocupação na Organização Mundial da Saúde (OMS), que alertou para os riscos da medida.

Jay Bhattacharya, diretor interino dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, tentou minimizar o temor internacional. “Isto não é Covid-19”, disse.

Críticas à operação em Tenerife

A condução da evacuação também provocou desconforto entre autoridades das Ilhas Canárias. A presidente do conselho da ilha de Tenerife, Rosa Dávila, voltou a criticar a operação após o aparecimento dos novos casos suspeitos.

“O que espero é que a operação transcorra com todas as garantias, garantias que claramente não estão sendo dadas”, afirmou.

Segundo Dávila, passageiros evacuados não teriam realizado testes PCR antes da repatriação. Apesar das críticas, o governo espanhol sustenta que os protocolos aplicados seguiram critérios rigorosos de segurança sanitária.

Questionada sobre os novos casos, Mónica García evitou alimentar a polêmica.

“Não vamos entrar em nenhuma dessas polêmicas. O governo da Espanha está focado no que importa: trabalhar para que esta operação seja bem-sucedida. É nisso que estamos desde o primeiro momento e acredito que o mundo está nos observando e, aliás, agradecendo nosso trabalho e as capacidades que temos na Espanha para conduzi-lo”, declarou.

Mensagem do comandante

Em meio à crise, o capitão do MV Hondius, Jan Dobrogowski, divulgou uma mensagem direcionada à tripulação e aos passageiros, destacando a postura adotada durante a emergência sanitária.

Segundo o comandante, o navio enfrentou a situação com “união e força”.

“Como capitão do Hondius, meu trabalho é liderar minha tripulação, cuidar dos meus hóspedes e levar o navio ao porto em segurança. E nossa responsabilidade não termina aí”, afirmou. Dobrogowski também declarou esperar que todos consigam “voltar para casa sãos, salvos e com boa saúde”.

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