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Canárias vetam ancoragem de cruzeiro com casos de hantavírus; Madri determina desembarque

Governo regional resiste à entrada do MV Hondius, mas Espanha ordena operação por razões sanitárias e marítimas

Kamilla Alves
Kamilla Alves
Gestora Web - E-mail: milla@brasilturis.com.br

O governo das Ilhas Canárias anunciou que não autorizaria a ancoragem do cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus, poucas horas antes da operação prevista para o último sábado (9). A decisão gerou impasse institucional, já que o governo espanhol determinou que o arquipélago recebesse o navio por razões de segurança marítima e necessidade de assistência sanitária a bordo.

A resolução foi emitida pela Direção-Geral da Marinha Mercante, órgão responsável pela regulação da navegação na Espanha. O cruzeiro pertence à operadora holandesa Oceanwide Expeditions e partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril.

Segundo o último balanço da Organização Mundial da Saúde, há seis casos confirmados de hantavírus entre oito suspeitos a bordo, incluindo três mortes. A doença é considerada rara, não possui vacina ou tratamento específico e pode provocar síndrome respiratória aguda.

O presidente das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, justificou a negativa citando preocupação com a segurança sanitária local. “Colaboração, sim. Solidariedade, também. Mas não a qualquer preço. Não sem relatórios, não com imposições do Estado e não colocando em perigo a segurança sanitária do povo das Ilhas Canárias”, declarou nas redes sociais.

Clavijo argumentou que não havia garantias técnicas de risco zero e defendeu que o navio permanecesse o menor tempo possível no arquipélago. Entre as preocupações levantadas estava a possibilidade de roedores a bordo alcançarem o território insular.

O governo central reagiu com relatório técnico apresentado por Javier Padilla, secretário de Saúde espanhol, indicando que inspeções realizadas não detectaram roedores e que a probabilidade de animais alcançarem a costa seria nula.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou a Tenerife para acompanhar a operação e publicou carta aberta aos moradores, afirmando que o risco para a população local é considerado baixo. “Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, escreveu.

A operação envolveu esquema sanitário controlado, com apoio da Autoridade Portuária de Tenerife e eventual atuação do serviço espanhol de resgate marítimo. A Unidade Militar de Emergências ficou responsável pelo traslado de passageiros em quarentena ao aeroporto de Tenerife-Sul, após recusa de empresas locais em realizar o serviço.

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