A ABIH-SP divulgou a 70ª edição da Pesquisa de Desempenho da Hotelaria do Estado de São Paulo, referente a abril de 2026, apontando um cenário de fortalecimento do segmento de lazer impulsionado pelos feriados prolongados, enquanto a retomada da demanda corporativa ficou abaixo dos resultados observados em anos anteriores.
De acordo com a entidade, o calendário teve impacto direto nos indicadores do período. Em 2026, os feriados da Páscoa, Tiradentes e 1º de maio ocorreram em semanas diferentes, favorecendo três finais de semana prolongados e sustentando o desempenho do lazer em todo o estado.
A taxa de ocupação (TO) apresentou leve retração de 2,02% em relação a março, encerrando abril em 58,01%. Já a diária média (DM) registrou alta de 8,35%, atingindo recorde histórico de R$ 584,46. O RevPar também alcançou seu maior patamar da série histórica, chegando a R$ 343,66, com crescimento de 6,16% no comparativo mensal.
Na comparação com abril de 2025, apenas a taxa de ocupação apresentou queda, de 4,06%. Em contrapartida, a diária média avançou 14,21%, enquanto o RevPar cresceu 9,57%.
Segundo a pesquisa, a alta das tarifas foi impulsionada especialmente pelos grandes eventos realizados na capital paulista e em regiões corporativas. O principal destaque ficou para a realização da Agrishow, que levou a região da Alta Mogiana a registrar recorde histórico de desempenho.
Entre as MRTs (Macrorregiões Turísticas), seis apresentaram retração na taxa de ocupação: Coração Paulista, Tietê Vivo-Terra do Sol, Entradas e Bandeiras-Polo Corp., Capital Expandida, Capital Paulista e Vale do Ribeira. Já na diária média, nenhuma região registrou queda.
No caso do RevPar, apenas quatro MRTs apresentaram retração, reflexo da redução na ocupação durante os períodos de feriado. As quedas foram observadas principalmente em regiões com forte perfil corporativo.
A ABIH-SP também destacou a atualização de sua base de dados, realizada a partir de cruzamento de informações do Cadastur, metabuscadores, inteligência artificial, sites de prefeituras e convention bureaus. O estudo agora passa a considerar todos os municípios das MRTs paulistas, ampliando a abrangência da pesquisa.
O levantamento contou com respostas de 107 propriedades, o equivalente a 3,09% do total pesquisado.
Outro indicador analisado foi a relação entre funcionários e unidades habitacionais (UHs), que permaneceu estável em 0,58. Segundo a entidade, o setor ainda enfrenta dificuldades para contratação de mão de obra qualificada.
A pesquisa também aponta preocupação da hotelaria com possíveis impactos operacionais e financeiros relacionados às novas discussões trabalhistas e adequações de escalas.
Para maio, a expectativa da entidade é de fortalecimento do segmento corporativo, favorecido pela ausência de feriados prolongados, enquanto o lazer deve apresentar ritmo mais moderado. Na capital paulista, a realização simultânea de grandes eventos já pressiona a disponibilidade hoteleira e contribui para a elevação das tarifas.
O desenvolvimento da pesquisa e a edição do conteúdo são conduzidos por Roberto Gracioso, enquanto Gláucia Sangiovanni responde pela coleta, tratamento e administração dos dados.

