A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) manifestou preocupação com os impactos operacionais provocados pelo Entry/Exit System (EES) nos aeroportos portugueses e pediu ao governo do país a suspensão temporária do sistema durante o verão europeu. A entidade também alertou para o risco de agravamento da situação diante da greve geral convocada para 3 de junho, que deve atingir setores ligados à aviação e aos transportes.
Segundo comunicado divulgado nesta terça-feira (26), a associação afirma que os aeroportos portugueses enfrentam sinais de “colapso operacional”, com longas filas, atrasos nos controles de fronteira e dificuldades recorrentes na entrada e saída de passageiros. Para a AHRESP, o cenário representa impacto direto para empresas ligadas ao turismo, hotelaria, alimentação e serviços.
A entidade defende que Portugal vive uma “contradição insustentável” ao investir na promoção internacional do destino e, ao mesmo tempo, permitir que turistas enfrentem experiências negativas logo na chegada ao país.
Entre os principais problemas apontados estão filas prolongadas, perda de conexões aéreas, reclamações nas redes sociais e prejuízos à fidelização de visitantes internacionais.
Entidade quer suspensão do EES até setembro
O principal pedido da AHRESP é a suspensão do EES até o fim de setembro, período considerado estratégico para o turismo europeu. Na avaliação da entidade, a medida permitiria maior fluidez nos controles migratórios enquanto não forem asseguradas condições técnicas, operacionais e humanas adequadas para o funcionamento pleno do novo sistema.
O EES é o novo modelo europeu de controle automatizado de entradas e saídas de cidadãos não pertencentes à União Europeia. A ferramenta pretende reforçar a segurança nas fronteiras do bloco, mas vem gerando preocupação no setor turístico devido ao aumento do tempo de processamento de passageiros nos aeroportos.
Para a associação portuguesa, os impactos operacionais afetam diretamente a competitividade do destino e a experiência do visitante. “Esta falha estrutural não é apenas uma questão de conforto, é um risco direto para a reputação do país e para a confiança dos mercados emissores”, afirmou a entidade em comunicado.
Greve geral amplia preocupação do setor
Além das dificuldades ligadas ao EES, a AHRESP teme novos transtornos com a greve geral prevista para 3 de junho. A paralisação foi convocada em protesto contra mudanças na legislação trabalhista portuguesa e deve contar com adesão de trabalhadores ligados aos setores de transportes, aeroportos e aviação civil.
Segundo a associação, uma eventual paralisação pode ampliar prejuízos para toda a cadeia turística, especialmente em um momento considerado crucial para a alta temporada europeia. A entidade destacou que setores ligados ao turismo dependem fortemente de previsibilidade operacional para manter reservas, fluxos turísticos e atividades comerciais.
Apesar de reconhecer o direito à greve, a AHRESP defendeu maior diálogo entre governo, sindicatos e operadores do setor para evitar impactos mais severos ao turismo português durante o verão.








