O setor global de viagens e turismo deve crescer 3,2% em 2026, superando a expansão econômica mundial projetada em 2,4%, segundo dados do World Travel & Tourism Council. Nos próximos dez anos, a indústria deve avançar em média 3,6% ao ano, ritmo cerca de 1,5 vez superior ao da economia global.
Para Luiz Moura, cofundador e diretor de Negócios da Voll, esse cenário representa uma oportunidade estratégica para o Brasil acelerar seu posicionamento no mercado de turismo corporativo e transformar tecnologia em vantagem competitiva.
“O Brasil ainda opera abaixo do seu potencial. O desafio não é apenas crescer, mas crescer com inteligência, investindo em tecnologia, infraestrutura e sustentabilidade”, afirma Moura.
Segundo dados da Global Business Travel Association e da Visa, o Brasil movimenta aproximadamente US$ 30 bilhões por ano em viagens corporativas, ocupando atualmente a décima posição entre os maiores mercados globais do segmento.
Apesar disso, o país ainda apresenta índices considerados baixos de mobilidade aérea corporativa. De acordo com levantamento da International Air Transport Association, o Brasil registra apenas 0,47 voo por habitante ao ano, mesmo contando com mais de 2,4 mil aeroportos, a segunda maior infraestrutura aeroportuária do planeta.
Na avaliação de Moura, os números mostram que existe um espaço relevante para expansão. “Enquanto o mundo reconhece o turismo como um motor econômico e de geração de empregos, o Brasil ainda não aproveita toda a capacidade que possui”, destaca.
Inteligência artificial ganha protagonismo
O executivo acredita que a próxima etapa do crescimento do setor será fortemente impulsionada por inteligência artificial, automação e gestão inteligente de viagens.
Segundo ele, a América Latina já desponta entre as regiões mais avançadas na adoção de IA agentiva aplicada ao turismo corporativo, movimento que poderia fortalecer ainda mais a competitividade brasileira no cenário internacional.
“IA e novas tecnologias são fundamentais para melhorar a experiência do viajante e aumentar a eficiência operacional. O Brasil está avançando nessa adoção e isso pode se tornar um diferencial importante”, afirma Moura.
Crescimento da demanda internacional
O avanço das viagens internacionais também reforça o potencial do setor. Levantamento da Booking.com for Business aponta crescimento de 71% nas viagens corporativas aos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2026.
Para Moura, a alta demonstra que existe demanda reprimida e espaço para crescimento estruturado. “O desafio agora é transformar essa demanda em resultado econômico para o país, com melhor conectividade, políticas voltadas ao setor e investimento em tecnologia”, explica.
O executivo destaca três pilares considerados essenciais para que o Brasil aproveite o atual ciclo de expansão global: tecnologia aplicada à gestão de viagens, sustentabilidade de destinos e conectividade aeroportuária.
Na visão da Voll, o país reúne condições favoráveis para acelerar sua presença no turismo corporativo internacional, especialmente pela combinação entre malha aérea robusta, capacidade hoteleira e digitalização crescente do setor. “Fazer esse movimento agora, enquanto o turismo global está em plena expansão, é o que diferencia crescimento de liderança”, conclui Moura.








