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Brasil pode liderar nova onda global das viagens corporativas, avalia Voll

Turismo corporativo no Brasil pode crescer com IA, conectividade e tecnologia, segundo análise da Voll sobre o setor

Felipe Lima
Felipe Lima
Chefe de Redação - E-mail: felipe@brasilturis.com.br

O setor global de viagens e turismo deve crescer 3,2% em 2026, superando a expansão econômica mundial projetada em 2,4%, segundo dados do World Travel & Tourism Council. Nos próximos dez anos, a indústria deve avançar em média 3,6% ao ano, ritmo cerca de 1,5 vez superior ao da economia global.

Para Luiz Moura, cofundador e diretor de Negócios da Voll, esse cenário representa uma oportunidade estratégica para o Brasil acelerar seu posicionamento no mercado de turismo corporativo e transformar tecnologia em vantagem competitiva.

“O Brasil ainda opera abaixo do seu potencial. O desafio não é apenas crescer, mas crescer com inteligência, investindo em tecnologia, infraestrutura e sustentabilidade”, afirma Moura.

Segundo dados da Global Business Travel Association e da Visa, o Brasil movimenta aproximadamente US$ 30 bilhões por ano em viagens corporativas, ocupando atualmente a décima posição entre os maiores mercados globais do segmento.

Apesar disso, o país ainda apresenta índices considerados baixos de mobilidade aérea corporativa. De acordo com levantamento da International Air Transport Association, o Brasil registra apenas 0,47 voo por habitante ao ano, mesmo contando com mais de 2,4 mil aeroportos, a segunda maior infraestrutura aeroportuária do planeta.

Na avaliação de Moura, os números mostram que existe um espaço relevante para expansão. “Enquanto o mundo reconhece o turismo como um motor econômico e de geração de empregos, o Brasil ainda não aproveita toda a capacidade que possui”, destaca.

Inteligência artificial ganha protagonismo

O executivo acredita que a próxima etapa do crescimento do setor será fortemente impulsionada por inteligência artificial, automação e gestão inteligente de viagens.

Segundo ele, a América Latina já desponta entre as regiões mais avançadas na adoção de IA agentiva aplicada ao turismo corporativo, movimento que poderia fortalecer ainda mais a competitividade brasileira no cenário internacional.

“IA e novas tecnologias são fundamentais para melhorar a experiência do viajante e aumentar a eficiência operacional. O Brasil está avançando nessa adoção e isso pode se tornar um diferencial importante”, afirma Moura.

Crescimento da demanda internacional

O avanço das viagens internacionais também reforça o potencial do setor. Levantamento da Booking.com for Business aponta crescimento de 71% nas viagens corporativas aos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2026.

Para Moura, a alta demonstra que existe demanda reprimida e espaço para crescimento estruturado. “O desafio agora é transformar essa demanda em resultado econômico para o país, com melhor conectividade, políticas voltadas ao setor e investimento em tecnologia”, explica.

O executivo destaca três pilares considerados essenciais para que o Brasil aproveite o atual ciclo de expansão global: tecnologia aplicada à gestão de viagens, sustentabilidade de destinos e conectividade aeroportuária.

Na visão da Voll, o país reúne condições favoráveis para acelerar sua presença no turismo corporativo internacional, especialmente pela combinação entre malha aérea robusta, capacidade hoteleira e digitalização crescente do setor. “Fazer esse movimento agora, enquanto o turismo global está em plena expansão, é o que diferencia crescimento de liderança”, conclui Moura.

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