O Ministério do Turismo (MTur) anunciou nesta segunda-feira (8) a elaboração de um diagnóstico e de um plano de ação voltados ao desenvolvimento do turismo de fronteira nas regiões do Amapá e do Pará que fazem divisa com a Guiana Francesa e o Suriname. O anúncio foi feito pelo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, durante agenda em Oiapoque (AP).
A iniciativa integra um projeto de cooperação técnica firmado com a Unesco e prevê o levantamento das condições atuais da atividade turística, além da identificação de desafios e oportunidades para o setor. O objetivo é subsidiar a formulação e o aprimoramento de políticas públicas que conciliem preservação ambiental, valorização das culturas locais e cooperação institucional entre estados e países vizinhos.
Ao apresentar a proposta, Gustavo Feliciano, ministro do Turismo, destacou o potencial da atividade como instrumento de desenvolvimento regional.
“Nossa presença aqui faz parte do permanente esforço do Governo do Brasil para levar desenvolvimento ao Amapá, proporcionando empregos, distribuição de renda e inclusão social. E isso passa pelo desenvolvimento do turismo. Por esta razão, tenho a honra de anunciar a realização de um estudo profundo, que vai diagnosticar e traçar um plano de ação estratégico sobre o turismo fronteiriço, com foco nas divisas dos estados do Amapá e do Pará com a Guiana Francesa e o Suriname”, afirma.
Segundo o MTur, o projeto faz parte de um conjunto de cinco iniciativas voltadas ao fortalecimento do turismo em áreas de fronteira das regiões Norte e Sul do Brasil. No caso do eixo Amapá-Pará, os estudos considerarão aspectos territoriais, econômicos, sociais e culturais, com foco na ampliação das oportunidades para comunidades tradicionais e empreendedores da cadeia turística.
O ministro também destacou que o trabalho está inserido em uma estratégia mais ampla de integração regional.
“Este nosso trabalho integra um projeto de cooperação técnica junto à UNESCO e abrange, ainda, outros estados da região Norte e do Sul do Brasil, buscando a integração regional e o fortalecimento das relações turísticas com países vizinhos. O objetivo é fortalecer o turismo de fronteira a partir de uma análise das condições atuais da nossa atividade. Vamos identificar obstáculos e, acima de tudo, mapear oportunidades, construindo estratégias que promovam o intercâmbio turístico, cultural e econômico”, complementa.
Estudos abrangem outras regiões de fronteira
O projeto ganhou força após discussões realizadas na reunião de ministros do Turismo do Mercosul, em 2023, e está alinhado às diretrizes do Comitê Nacional de Fronteiras e à elaboração da Estratégia Nacional de Fronteiras.
Além do eixo Amapá-Pará, o estudo sobre as fronteiras do Amazonas e de Roraima com Guiana, Venezuela, Colômbia e Peru já foi concluído. Também estão em andamento levantamentos nas regiões de Mato Grosso do Sul e Paraná, em áreas de fronteira com países do Mercosul.
Novos editais deverão contemplar ainda as fronteiras do Acre e Rondônia com Peru e Bolívia, além das regiões de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
De acordo com o Ministério do Turismo, dos 9,3 milhões de turistas internacionais recebidos pelo Brasil em 2025, cerca de 65% vieram de países sul-americanos, o que reforça a relevância estratégica das regiões de fronteira para o turismo internacional.
Crédito e orientação a empreendedores
Durante a agenda em Oiapoque, técnicos do MTur também realizaram atendimentos voltados ao acesso às linhas de financiamento do Fundo Geral de Turismo (Fungetur) e orientações sobre o Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur), requisito para obtenção dos financiamentos.
A ação integra a quarta edição do programa Brasil Mais Crédito para o Turismo, que já passou por Salvador (BA), Fortaleza (CE) e João Pessoa (PB).
Entre 2018 e 2026, o Fungetur registrou 14.789 operações contratadas em todo o país, totalizando R$ 5,1 bilhões em financiamentos. Apenas em 2026, até 2 de junho, foram realizadas 719 operações, que somaram R$ 276,3 milhões em crédito concedido.
Ao comentar a iniciativa, Feliciano ressaltou a importância do financiamento para o desenvolvimento dos pequenos negócios turísticos.
“Esta iniciativa do Ministério do Turismo marca um novo e decisivo passo do governo do presidente Lula para levar desenvolvimento econômico e justiça social a cada cidadão desta região. Neste sentido, também estamos oferecendo, aqui, orientações essenciais para que empreendedores turísticos acessem crédito em condições muito vantajosas, por meio do Fungetur. É dinheiro na veia para que pequenos negócios possam crescer e prosperar”, disse o ministro.
Investimentos e cooperação internacional
Oiapoque também concentra investimentos federais em infraestrutura turística. Entre os projetos em execução apoiados pelo MTur estão a construção de um centro turístico para comercialização de produtos locais, com aporte de R$ 4,7 milhões, e a requalificação da orla da cidade, que recebe R$ 802,1 mil em recursos.
O fortalecimento das relações com o Suriname também integra a estratégia do governo federal. Em maio, o MTur recebeu o ministro do Transporte, Comunicação e Turismo do Suriname, Raymond Landveld, para discutir um memorando de entendimento voltado à cooperação turística entre os dois países.
Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil recebeu 4.084 visitantes do Suriname, crescimento de 30,6% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo o Ministério do Turismo, 92,4% dessas entradas ocorreram pelo Pará.
Além das ações voltadas ao turismo de fronteira, o ministro destacou medidas recentes para ampliar o acesso ao crédito por mulheres empreendedoras do setor, incluindo uma portaria que facilita o acesso aos recursos do Fungetur para vítimas de violência doméstica. Também citou o lançamento das versões em inglês e espanhol do Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, apresentado durante o Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, realizado na semana passada em João Pessoa (PB).







