Quase oito anos após o incêndio que atingiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, o projeto de reconstrução do Paço de São Cristóvão começa a revelar como será a nova fase da instituição. A proposta prevê uma transformação significativa do espaço, que terá áreas dedicadas à visitação, educação e exposições ocupando praticamente todo o edifício histórico. Antes do incêndio, apenas cerca de um terço do palácio era utilizado para esse fim.
Desenvolvido pelo consórcio H+F Arquitetos e Atelier de Arquitetura e Desenho Urbano, o projeto tem inauguração prevista para 2029 e propõe uma abordagem que vai além da recuperação do prédio. A ideia é transformar o próprio Paço em parte da experiência museológica, valorizando elementos históricos descobertos durante as obras.
Achados arqueológicos passam a integrar a visita
Ao longo do processo de reconstrução, equipes identificaram estruturas e detalhes que permaneceram ocultos por décadas ou até séculos. Entre as descobertas estão pisos originais de pedra, vestígios da antiga capela do palácio, pinturas decorativas em stencil e acabamentos em Stucco Marmo nas cores azul e vermelha encontrados sob sucessivas camadas de tinta.
Uma cisterna histórica localizada durante as escavações também será incorporada ao percurso expositivo.
Outro espaço que terá papel de destaque é a área onde o incêndio teve início em setembro de 2018. O local, que sofreu o colapso de três pavimentos e teve sua estrutura severamente danificada pelas chamas, será preservado como ambiente de memória e reflexão sobre a história recente da instituição.
O novo acervo será composto por diferentes frentes de reconstrução. Entre elas estão as 1.815 peças recuperadas dos escombros, incluindo fragmentos do crânio de Luzia e o Meteorito de Bendegó, de 5,6 toneladas, que resistiu praticamente intacto ao incêndio.
Novas peças e espaços ampliam a experiência
Além dos itens recuperados, o museu recebeu mais de 14 mil peças por meio de doações. Entre os destaques está o Manto Tupinambá do século XVI, repatriado pelo Museu Real da Dinamarca. Também integram o acervo as coleções científicas preservadas em prédios anexos que não foram atingidos pelo fogo.
Uma das novas atrações será o esqueleto de uma baleia cachalote com 15,7 metros de comprimento. A estrutura ficará suspensa sob a claraboia restaurada da escadaria monumental, em um dos espaços centrais do edifício.
A reconstrução do Museu Nacional está orçada em aproximadamente R$ 520 milhões. Apesar dos avanços, o projeto ainda depende da captação de cerca de R$ 170 milhões para sua conclusão.
O cronograma já sofreu adiamentos desde o incêndio, que completará oito anos em setembro deste ano. Ainda assim, a equipe responsável pela reconstrução acredita que o resultado final apresentará uma instituição renovada.
“A minha esperança é que as pessoas percebam que vão encontrar um outro Museu Nacional, que não é uma versão ferida daquele antes do incêndio. É uma outra versão, com algumas perdas e alguns ganhos”, disse o arquiteto Pablo Hereñú, coordenador do projeto.

