A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo (ABIH-SP) divulgou a 71ª edição da Pesquisa de Desempenho da Hotelaria Paulista, referente a maio de 2026. O levantamento aponta um comportamento considerado previsível para o período, marcado pela retomada da demanda corporativa, pelo início da temporada de outono/inverno e pela ausência de feriados prolongados.
A taxa de ocupação (TO) registrou leve crescimento, enquanto a diária média (DM) e o RevPar (receita por apartamento disponível) apresentaram pequenas retrações em relação ao mês anterior. Segundo a entidade, o cenário foi influenciado pelo enfraquecimento da demanda nos destinos de praia e pelo impacto da sazonalidade em regiões de montanha e interior.
Na capital paulista, grandes feiras e eventos impulsionaram a ocupação, que alcançou o melhor desempenho do ano e beneficiou também a região metropolitana. Já na Alta Mogiana, os primeiros dias de maio ainda refletiram o movimento gerado pela Agrishow.
Entre as 12 Macrorregiões Turísticas (MRTs) participantes da pesquisa, cinco registraram crescimento na taxa de ocupação e sete apresentaram retração. Os principais avanços ocorreram na Capital Paulista e na Capital Expandida, enquanto Circuito das Águas e Estâncias, Mogiana, Vale do Ribeira e os litorais registraram as maiores quedas.
Na diária média, cinco regiões tiveram crescimento e sete apresentaram redução. As retrações mais significativas foram observadas no Sudoeste Paulista, Litoral Norte, Vale do Ribeira e Mogiana, enquanto a Capital Paulista e a Capital Expandida registraram alta impulsionada pela realização de grandes eventos.
No RevPar, oito regiões apresentaram queda e quatro registraram crescimento. O maior desempenho positivo foi observado na Capital Paulista, enquanto a Mogiana apresentou a maior retração.
Indicadores consolidados
Os resultados consolidados do estado mostram taxa de ocupação de 59,67% em maio de 2026, com acumulado de 56,78% no ano. A diária média alcançou R$ 567,22, elevando a média acumulada de 2026 para R$ 552,08. Já o RevPar fechou o mês em R$ 338,46, com acumulado anual de R$ 313,89.
A pesquisa também revelou o perfil dos empreendimentos participantes. Entre os hotéis respondentes, 45,79% pertencem ao segmento econômico, 45,79% ao midscale e 8,41% ao upscale. Em relação ao perfil de atuação, 61,68% declararam foco principal no turismo corporativo, 28,04% atendem igualmente os segmentos de lazer e negócios, enquanto 10,28% atuam prioritariamente no lazer.
Atualização da base amplia representatividade
Esta edição incorpora os resultados da atualização da base de dados da ABIH-SP, realizada no primeiro semestre de 2026. O estudo revisou a composição das Macrorregiões Turísticas, a quantidade de meios de hospedagem por município e a distribuição de hotéis, resorts e pousadas em todo o estado.
Segundo a entidade, a atualização utilizou informações do Cadastur, plataformas de metabusca, inteligência artificial, sites de prefeituras, Convention & Visitors Bureaux e outras fontes, passando a considerar todos os municípios das regiões turísticas paulistas. O objetivo foi oferecer uma fotografia mais precisa da oferta de hospedagem disponível no estado.
A pesquisa contou com a participação de 107 empreendimentos, que representam 14.222 unidades habitacionais. A amostra contempla 459 municípios, o equivalente a 70,16% do total paulista, e corresponde a 266.939 unidades habitacionais, ou 89,49% da capacidade considerada no estudo.
Mercado segue atento aos próximos meses
Para junho, a ABIH-SP projeta manutenção da demanda corporativa, ainda que com oscilações provocadas pelos jogos da Copa do Mundo e da Seleção Brasileira. O feriado prolongado de Corpus Christi deve estimular a ocupação nos destinos de montanha, fazenda e interior, enquanto os litorais tendem a registrar desempenho moderado devido às temperaturas mais baixas.
A entidade também destaca que eventos como o Dia dos Namorados, a Parada do Orgulho LGBT+ e a Marcha para Jesus devem contribuir para o aumento da demanda durante o período.
Outro ponto ressaltado pela associação é a necessidade de um calendário mais equilibrado de feiras e eventos ao longo do ano. Segundo a ABIH-SP, a concentração de grandes eventos em poucos períodos pressiona a oferta de hospedagem, eleva tarifas e dificulta a logística dos participantes, ao mesmo tempo em que reduz a ocupação em outras épocas do calendário.
Entre as preocupações levantadas pelos hoteleiros está ainda o aumento do comissionamento praticado por uma OTA específica, medida que, segundo a entidade, poderá impactar significativamente a rentabilidade das propriedades. A ABIH-SP informou que já atua em conjunto com a ABIH Nacional para discutir o tema e buscar alternativas para minimizar seus efeitos sobre o setor.

