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Fhoresp cobra reforço na fiscalização do turismo de aventura após morte em Limeira

Entidade encaminha ofícios aos governos federal e paulista e propõe cadastro nacional de operadores, certificação profissional e inspeções periódicas

Rafael Destro
Rafael Destro
Redator - E-mail: Rafael@brasilturis.com.br

A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) encaminhou ofícios ao Ministério do Turismo e à Secretaria de Estado de Turismo e Viagens de São Paulo solicitando medidas para reforçar a segurança nas atividades de turismo de aventura. A iniciativa foi motivada pela morte da estudante Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump realizado em Limeira (SP), no último dia 13 de junho.

Protocolados entre os dias 16 e 18 de junho, os documentos pedem esclarecimentos sobre os processos de licenciamento, fiscalização, monitoramento e controle das operações de lazer consideradas de risco. A entidade também questiona quais órgãos são responsáveis pela emissão de autorizações, quais requisitos são exigidos para a concessão e renovação de licenças e se existe um sistema oficial para monitoramento e investigação de acidentes envolvendo esse tipo de atividade.

Maria Eduarda, educadora física e moradora de Jandira (SP), morreu após ser lançada de uma ponte de aproximadamente 40 metros de altura sem o uso das cordas de segurança durante um salto de rope jump. O acidente ocorreu na chamada Ponte do Esqueleto, estrutura de uma obra ferroviária inacabada em Limeira. Até o momento, seis pessoas foram presas, entre instrutores e integrantes da equipe responsável pela atividade.

Para a Fhoresp, que representa mais de 500 mil estabelecimentos e 24 sindicatos patronais no estado de São Paulo, o caso evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre regulamentação, qualificação profissional e fiscalização das atividades de aventura desenvolvidas no país.

“O turismo de aventura tem potencial para a geração de empregos e de renda, além de ser sinônimo de desenvolvimento regional, uma vez que um dos pontos fortes das cidades do interior no setor turístico é justamente o oferecimento de atividades radicais. No entanto, operações de risco exigem regras claras, fiscalização ferrenha, especialização e mecanismos capazes de garantir segurança aos consumidores e aos instrutores, que precisam, por óbvio, atuar dentro da legalidade”, defende Edson Pinto, diretor-executivo da Fhoresp.

Segundo a entidade, o crescimento do turismo de aventura exige uma resposta institucional compatível com a expansão do segmento. Dados do Ministério do Turismo apontam que atividades de lazer ao ar livre são a preferência de 13% dos brasileiros, percentual que chega a 22% entre jovens de 16 a 24 anos. Já informações da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta) indicam que o segmento, inserido no Turismo de Natureza e Ecoturismo, representava cerca de 6% do mercado turístico nacional em 2025.

Propostas para ampliar a segurança

Além dos pedidos de esclarecimento, a Fhoresp apresentou uma série de propostas voltadas ao fortalecimento da segurança nas operações de turismo de aventura. Entre elas estão a criação de um Cadastro Nacional de Operadores, a exigência de certificação profissional para instrutores, inspeções periódicas dos equipamentos utilizados e maior transparência das informações disponibilizadas aos consumidores.

A entidade também defende a elaboração de um Plano Nacional de Segurança para o Turismo de Aventura, reunindo representantes do poder público, especialistas, entidades técnicas e integrantes do setor para discutir normas e procedimentos capazes de reduzir riscos nas atividades.

“A proteção da vida deve ser prioridade absoluta. O fortalecimento da fiscalização, da exigência da qualificação profissional e da informação ao consumidor / turista, entre outras medidas, pode contribuir para reduzir riscos e preservar a credibilidade de um segmento importante para o País, que é o Turismo”, conclui Edson Pinto.

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