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Delta relaciona alta das tarifas aéreas ao controle de tráfego nos EUA

CEO da companhia aponta restrições operacionais como causa do aumento das passagens, enquanto especialistas atribuem o cenário à oferta e demanda

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

Ed Bastian, CEO da Delta Air Lines, atribuiu o aumento das tarifas aéreas às restrições de capacidade provocadas pela congestão no sistema de controle de tráfego aéreo dos Estados Unidos. A declaração foi feita durante entrevista à Fox Business.

Segundo o executivo, a ampliação da capacidade do espaço aéreo e a melhoria do fluxo de voos permitiriam aumentar a oferta de assentos, reduzir os preços das passagens e ampliar o acesso dos passageiros a mais destinos.

Especialistas e análises do setor, no entanto, contestam essa avaliação. Embora reconheçam que o sistema de controle de tráfego aéreo dos Estados Unidos enfrenta desafios e demande modernização para reduzir atrasos, eles afirmam que a alta das tarifas não pode ser atribuída diretamente a esse fator.

De acordo com essas análises, a precificação das passagens é determinada principalmente pela relação entre oferta e demanda, e não apenas pelos custos operacionais. Dados do setor indicam que as tarifas aumentaram cerca de 30% desde o início do ano, percentual superior aos 10% a 15% mencionados por Bastian, período em que não houve mudanças significativas no sistema de controle de tráfego aéreo.

Os especialistas apontam que o principal fator para o aumento dos preços tem sido a redução voluntária da capacidade pelas companhias aéreas, estratégia adotada para elevar as tarifas por meio da limitação da oferta.

Outro ponto citado é que empresas do setor, incluindo a própria Delta, vêm operando parte de sua malha com aeronaves de menor capacidade, como jatos regionais e o Airbus A220, o que também contribui para restringir a oferta de assentos.

As análises também indicam que a relação entre receita por assento-quilômetro e custo operacional ainda apresenta déficit para diversas companhias, situação compensada por programas de fidelidade e outras fontes de receita.

Apesar das divergências sobre as causas da alta das tarifas, há consenso quanto à necessidade de modernização do sistema de controle de tráfego aéreo dos Estados Unidos para aumentar a eficiência operacional. Ainda assim, especialistas avaliam que essa medida, isoladamente, não seria suficiente para reduzir os preços das passagens diante dos fatores de mercado e das estratégias comerciais adotadas pelas companhias aéreas.

Em contraponto à posição da Delta, Scott Kirby, CEO da United Airlines, afirmou que, quanto mais tempo durar o atual cenário geopolítico, maior tende a ser a permanência das tarifas aéreas em patamares superiores aos registrados antes da crise.

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