O Museu das Favelas, instituição do Governo do Estado de São Paulo administrada pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão (idg), recebe a partir de 10 de julho a exposição ‘Com Amor, Alcione’. Idealizada e produzida pelo Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), onde conquistou público e crítica, a mostra realiza sua primeira itinerância na capital paulista e amplia a programação do museu dedicada à valorização da cultura negra e periférica. Mais do que revisitar cinco décadas da carreira da cantora, a exposição propõe uma reflexão sobre a formação da identidade brasileira por meio da trajetória de uma de suas maiores intérpretes.
Para Alcione, a chegada da mostra ao Museu das Favelas simboliza um reencontro com os admiradores paulistas e a oportunidade de dividir sua história em um espaço voltado à preservação da memória nacional. “É uma honra ter a minha vida e obra ocupando o Museu das Favelas. O nome, por si só, já revela a grandiosidade dessa instituição, que estou ansiosa para conhecer. Espero que o público goste e venha conhecer a história desta Marrom aqui, que tem uma gratidão imensa pelo povo de São Paulo. Nos vemos em breve”, declara a cantora.
Com mais de 650 peças do acervo pessoal de Alcione, entre fotografias raras, vídeos, figurinos, prêmios e objetos marcantes, a exposição conduz o visitante por diferentes momentos da vida e da carreira da artista. Família, fé, carnaval, migração e identidades negra e nordestina estão entre os temas abordados, mostrando como sua trajetória dialoga com experiências coletivas que ajudaram a moldar a cultura brasileira. O percurso expositivo também incorpora textos e reflexões de nomes como Nei Lopes, Leonardo Bruno e outros representantes da cultura nacional.
“A chegada da exposição ‘Com Amor, Alcione’ ao Museu das Favelas é um marco que reforça o compromisso do Estado em descentralizar e valorizar as potências culturais que moldam a identidade brasileira. Alcione é um símbolo de talento e conexão entre territórios. Trazer essa mostra para São Paulo reafirma o museu como um espaço vivo de celebração, inclusão e salvaguarda da nossa memória popular”, afirma Marília Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.
Segundo Natália Cunha, diretora do Museu das Favelas, a exposição fortalece a missão da instituição de destacar narrativas essenciais para compreender o Brasil. “Receber ‘Com Amor, Alcione’ no Museu das Favelas é reconhecer uma artista cuja trajetória ajuda a compreender a formação cultural do Brasil. Ao longo de mais de cinco décadas, Alcione construiu uma obra marcada por encontros entre territórios, memórias e identidades que dialogam diretamente com as histórias que preservamos e compartilhamos aqui. Esta exposição reafirma o Museu das Favelas como um espaço de celebração e valorização de legados fundamentais para a construção da nossa memória coletiva”, afirma a diretora.
Criado especialmente para a temporada em São Paulo, um novo módulo da exposição presta homenagem às pessoas migrantes e destaca a contribuição delas para as transformações sociais, culturais e urbanas da capital paulista. Com curadoria de Deyla Rabelo, Gabriel Gutierrez e Luciana Gondim, além da curadoria institucional de Jairo Malta, a mostra coloca as identidades negras e nordestinas no centro da narrativa.
“Fazer a ponte São Paulo–Maranhão é quebrar mais uma barreira histórica do isolamento do Norte e Nordeste do país. Alcione fez isso quando migrou para o Sudeste e transformou a cultura nacional. Esperamos que essa itinerância dedicada à artista amplie a percepção dos visitantes sobre a construção da cultura brasileira, reconhecendo sempre a contribuição do pensamento popular, principalmente afro-indígena, nesse percurso. A exposição é um grande viva a todos que, como Alcione, inventaram e continuam inventando nosso país a partir das margens”, afirma Gabriel Gutierrez, diretor do Centro Cultural Vale Maranhão e curador da exposição “Com Amor, Alcione”.
Além de homenagear a cantora, a iniciativa destaca o papel dos equipamentos culturais na preservação de histórias que ajudam a compreender a diversidade do país.
Para Ricardo Piquet, diretor-geral do idg, a exposição também evidencia a relevância dos museus na construção da memória coletiva. “Receber a exposição no Museu das Favelas é afirmar a potência das instituições culturais como espaços de reconhecimento, memória e construção simbólica. A trajetória de Alcione atravessa música, território, ancestralidade, carnaval, fé e pertencimento, compondo uma leitura profunda sobre o Brasil. Para o idg, que tem atuado na consolidação de museus conectados aos desafios e às identidades do nosso tempo, esta exposição amplia o lugar das narrativas negras, nordestinas e periféricas na compreensão da nossa identidade coletiva.”

