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Delta mantém projeção anual após lucro de US$ 1,6 bilhão no 2º trimestre

Companhia registrou aumento nas tarifas e na receita, apesar da maior despesa com combustível de sua história, e prevê manutenção do cenário para o restante de 2026

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

A Delta Air Lines manteve sua projeção financeira para 2026 após registrar lucro líquido de US$ 1,6 bilhão no segundo trimestre do ano, mesmo diante do maior gasto trimestral com combustível de sua história. A companhia também avalia que os reajustes tarifários implementados ao longo da primavera e do início do verão no mercado norte-americano devem permanecer, mesmo com a redução dos preços do combustível de aviação.

Segundo o relatório financeiro divulgado nesta sexta-feira (10), a receita operacional da empresa alcançou US$ 19,76 bilhões no segundo trimestre, alta de 19% em relação ao mesmo período de 2025. As despesas operacionais somaram US$ 17,89 bilhões, crescimento de 23%, impulsionadas principalmente pelos custos com combustível. O lucro operacional foi de US$ 1,86 bilhão, abaixo dos US$ 2,1 bilhões registrados um ano antes, enquanto a margem operacional ficou em 9,4%.

Em comunicado, Ed Bastian, CEO da Delta Air Lines, destacou o desempenho da companhia apesar do cenário de custos elevados. “Obtivemos um lucro antes de impostos de US$ 1,4 bilhão, mesmo absorvendo a maior despesa trimestral com combustível da nossa história, o que reflete a forte procura generalizada, a crescente preferência pela marca e o bom desempenho da base de receita diversificada”, declara.

O executivo acrescenta que a empresa espera manter esse desempenho ao longo do segundo semestre. “A Delta está a operar a partir de uma posição de força, e esperamos que esse ímpeto se mantenha no segundo semestre, com margens de dois dígitos e retorno ao crescimento dos lucros”, salienta.

A companhia manteve a previsão de crescimento de aproximadamente 20% nos lucros em 2026 e afirmou que os resultados reforçam sua estratégia para os próximos anos. “Isso reforça a resiliência da Delta e posiciona-nos para manter o nosso ritmo de crescimento em 2027″, complementa Bastian.

Tarifas devem permanecer em alta

Durante a apresentação dos resultados, Bastian afirmou que o setor aéreo norte-americano mudou estruturalmente, reduzindo a probabilidade de uma nova guerra tarifária entre as companhias.

As tarifas aéreas nos Estados Unidos cresceram 26,7% em maio na comparação anual, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (CPI). A Delta informou ainda que seu yield (receita por milha voada por passageiro) aumentou 12% no segundo trimestre.

Os reajustes foram impulsionados pelo aumento dos custos de combustível após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz. Os gastos da Delta com combustível cresceram 75% no período.

Apesar da recente queda no preço do querosene de aviação, atualmente em torno de US$ 3,10 por galão, ante valores superiores a US$ 4 registrados durante boa parte da primavera, Bastian acredita que as tarifas não devem recuar. “O cenário da indústria mudou completamente”, pontua.

Segundo o executivo, as companhias de baixo custo perderam capacidade de influenciar os preços do mercado como faziam anteriormente. Ele citou a redução da oferta desse segmento após o encerramento das operações da Spirit Airlines, em maio, além das dificuldades financeiras enfrentadas por outras empresas de perfil semelhante.

De acordo com análise da própria Delta, o segmento de menor tarifa ainda precisaria elevar os preços em cerca de 5% para atingir o ponto de equilíbrio financeiro. “Não há nada a ganhar tentando crescer nesse ambiente. A oportunidade está em encontrar formas de aumentar as receitas, e não a participação de mercado”, reforça Bastian.

Bastian também destaca que o abandono das estratégias de hedge de combustível pelas companhias aéreas norte-americanas eliminou outro fator que historicamente incentivava reduções tarifárias para ganho de mercado.

Para o terceiro trimestre, a Delta projeta margem operacional entre 11% e 13%. A empresa avalia que a demanda permanece elevada e espera uma redução na pressão dos custos de combustível em relação ao trimestre anterior.

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