O Instituto Bancorbrás completa 18 anos nesta quarta-feira (15) celebrando uma trajetória construída por pessoas, organizações sociais e comunidades que encontraram novas possibilidades por meio do investimento social privado. Criado em 2008 como agente social do Grupo Bancorbrás, o Instituto chega à maioridade com identidade renovada, projetos em expansão e a convicção de que o turismo pode transformar territórios.
Ao longo dessa trajetória, a organização consolidou iniciativas voltadas ao fortalecimento de organizações sociais, ao turismo responsável e ao protagonismo comunitário, sempre baseada em uma atuação colaborativa. Para Roberta Abreu, gerente executiva do Instituto Bancorbrás, essa evolução também pode ser percebida dentro da própria equipe, que reúne diferentes experiências e perfis em torno de um mesmo propósito.
Equipe diversa, propósito comum
Formado por dez profissionais, sendo oito mulheres e dois homens, o Instituto reúne diferentes gerações, crenças e trajetórias. A faixa etária vai dos 25 aos quase 60 anos, em uma composição que, segundo Roberta, amplia a capacidade de compreender realidades distintas e construir soluções mais conectadas às comunidades atendidas.
“A pluralidade não impede a construção de uma dinâmica integrada. Ao contrário, contribui para enriquecer os debates e a tomada de decisões dentro da organização”, afirma.
A sintonia também é resultado do tempo compartilhado. O integrante mais recente está no Instituto há cerca de sete anos, enquanto parte da equipe acumula quase duas décadas de atuação no Grupo Bancorbrás. Roberta está na organização há 15 anos, período em que passou pelas funções de assistente social, analista de projetos e coordenadora antes de assumir a gerência executiva.
“É um time que está junto há muito tempo e que tem muita afinidade. Não estou falando de perfeição, mas de uma equipe que funciona muito bem, que se entende e consegue caminhar na mesma direção”, destaca.
Essa proximidade profissional se reflete na forma como o Instituto planeja seus projetos. A organização desenvolveu uma teoria da mudança para definir o impacto social que pretende gerar e, a partir dela, direcionou parte importante de seus esforços ao turismo sustentável, ao fortalecimento das organizações sociais e ao protagonismo de pessoas e comunidades.
“A gente não chegou sozinha a esses 18 anos”, afirma Roberta. “Sozinho, ninguém consegue transformar um território”, pontua.
A história do Instituto começou justamente a partir dessa visão coletiva. A organização nasceu da convergência entre duas lideranças do Grupo Bancorbrás. Na época, o então presidente Alfredo Albano e o diretor-geral Jorge Tomio marcaram uma reunião para apresentar propostas semelhantes: institucionalizar as ações sociais que já faziam parte da cultura da empresa. A coincidência deu origem ao Instituto, inicialmente vinculado à área de comunicação interna e com uma estrutura reduzida.
Identidade renovada celebra o protagonismo
As comemorações tiveram início na primeira semana de julho, com o lançamento de uma nova identidade visual. O sol, símbolo já presente na marca anterior, foi mantido, mas ganhou um movimento semelhante ao de um catavento, representando transformação, amadurecimento e continuidade.
As novas cores também dialogam com a atuação do Instituto. O verde remete ao meio ambiente e ao turismo regenerativo, enquanto o amarelo representa o sol e o protagonismo social.

O aniversário também motivou a criação da websérie “18 histórias de 18 protagonistas”, que reúne relatos de escritores, voluntários, empreendedores e pessoas que participaram de projetos da organização. O último episódio será divulgado nesta quarta-feira.
Outra novidade é a Calculadora do Protagonismo Social, ferramenta digital que apresenta um diagnóstico inspirado em diferentes estágios da natureza, da semente à floresta. A partir das respostas, o usuário recebe sugestões para ampliar sua atuação na família, no trabalho ou na comunidade.
“O espaço da transformação social comporta muitas possibilidades”, explica Roberta. “Não queremos ditar regras, mas mostrar caminhos para que cada pessoa avance”, complementa.
Turismo responsável ganha espaço
Entre os projetos que traduzem essa estratégia está o Capacita Bancorbrás, destinado à formação de guias de turismo cadastrados no Cadastur. A iniciativa aborda turismo responsável, turismo de aventura, inteligência de mercado e desenvolvimento de produtos.
A primeira etapa foi realizada no Centro-Oeste e recebeu mais de 500 inscrições para aproximadamente 100 vagas. Neste ano, o projeto terá uma nova turma em São Paulo e aprofundará a formação dos participantes anteriores, incluindo a possibilidade de apoio financeiro para a criação de roteiros e soluções turísticas.
A escolha de São Paulo foi baseada em dados da operadora e do Clube de Turismo Bancorbrás, que identificaram o estado como o território com maior volume de diárias utilizadas por seus clientes. O objetivo é devolver parte do valor gerado pela atividade, apoiando guias, empreendedores e iniciativas responsáveis.
O Instituto também desenvolve, em parceria com o Sebrae no Distrito Federal, uma jornada voltada ao fortalecimento de empreendedores do turismo local. A proposta é ampliar o olhar sobre Brasília para além das viagens cívicas e corporativas, valorizando gastronomia, produção artesanal e experiências ligadas à identidade do território.
Celebração valoriza empreendedores locais
A comemoração dos 18 anos foi realizada em Brasília, na Quinta das Baunilhas, empreendimento social participante de um dos projetos do Instituto. O encontro reuniu parceiros, beneficiários e representantes do Grupo Bancorbrás em uma experiência sensorial com produtos locais.
O brunch teve receitas harmonizadas com baunilha cultivada no próprio espaço. Os convidados também receberam uma cachaça artesanal localproduzida por outro empreendimento apoiado, reforçando a intenção de colocar pequenos negócios no centro da celebração.
“Queremos enfatizar quem empreende localmente, enfrenta desafios e contribui para um turismo genuíno”, destaca a gerente.
A programação interna do aniversário será realizada nesta quarta-feira e contará ainda com atividades para os colaboradores, além da participação de um projeto social dedicado à formação profissional de jovens e mães como baristas. O grupo levará cafés especiais e um bolo de café desenvolvido pelos próprios participantes.

Maioridade amplia responsabilidades
Ao olhar para os próximos anos, o Instituto pretende fortalecer o turismo sustentável como ferramenta de desenvolvimento social. Para Roberta, o setor ainda recebe pouco espaço dentro do investimento social privado, apesar de sua relevância econômica e de sua capacidade de gerar renda, preservar identidades e ampliar oportunidades.
“O turismo não é o fim, mas pode ser um meio de transformação social”, resume Roberta.
A prioridade será apoiar comunidades para que participem das decisões, escolham seus parceiros e construam suas próprias soluções.
A visão de futuro inclui ainda o avanço da filantropia colaborativa, aproximando institutos, universidades, organizações sociais, governos e integrantes do Sistema S. A proposta é evitar atuações fragmentadas e compreender as necessidades de cada território de forma integral.
“Queremos agendas conjuntas, com menos ego e mais cooperação”, afirma Roberta. “O turismo vai além do negócio e do lazer. Ele pode transformar realidades”, conclui.








