BRL - Moeda brasileira
EUR
5,88
USD
5,14

Novo controle migratório provoca filas e tensão no aeroporto de Lisboa

Passageiros relatam longas esperas, confusão na imigração e risco de perder voos após implantação do novo sistema europeu

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

A implantação do novo sistema europeu de controle de passaportes tem provocado transtornos no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Longas filas na imigração, tentativas de furar a fila, discussões entre passageiros e atrasos em voos têm marcado a rotina de quem embarca para destinos internacionais. O problema, que já vinha sendo alvo de críticas em outros países da Europa, ganhou novos episódios na capital portuguesa.

Na noite de 2 de julho, passageiros enfrentaram cerca de uma hora de espera para concluir a última etapa da imigração antes do embarque. Durante esse período, foram registrados protestos, reclamações e pessoas tentando avançar na fila com receio de perder seus voos.

O embarque de um voo com destino a São Paulo, inicialmente previsto para as 22h30, começou apenas às 22h50, enquanto a decolagem, programada para as 23h30, sofreu atraso de aproximadamente uma hora.

De acordo com a administração do aeroporto, a demora ocorreu em razão de “problemas no sistema”. Já a bordo da aeronave, o comandante informou que a falta de funcionários também atrasou o carregamento das bagagens.

Apesar dos contratempos na imigração, o despacho de malas e a inspeção de segurança transcorreram normalmente. O principal gargalo estava concentrado na conferência de passaportes, etapa que apresentou fila ainda maior do que a registrada na chegada do passageiro a Portugal dias antes, quando o processo de entrada levou apenas 15 minutos.

A passagem pelos totens eletrônicos do novo sistema europeu ocorreu de forma rápida. A lentidão começou na conferência manual dos documentos.

Das 18 cabines disponíveis para atendimento, apenas quatro estavam em funcionamento. Duas eram destinadas a passageiros prioritários, como idosos e cidadãos da União Europeia, enquanto as outras duas atendiam os demais viajantes. Por volta das 21h30, uma dessas cabines ainda foi desativada, reduzindo ainda mais a capacidade de atendimento.

Durante o período de espera, grupos de passageiros demonstraram irritação com a situação. Algumas pessoas retiravam as fitas de isolamento para se juntar a conhecidos em posições mais avançadas da fila, enquanto outras simplesmente tentavam passar à frente dos demais.

Um dos episódios de maior tensão envolveu passageiros que viajariam para Angola. Cerca de meia hora após entrar na fila, um homem discutiu com duas mulheres que, segundo ele, haviam ultrapassado sua posição e a de outros passageiros.

Em outro momento, um passageiro que já estava próximo da imigração bateu palmas para chamar a atenção dos funcionários responsáveis pela organização da fila.

A principal preocupação dos viajantes era saber se conseguiriam embarcar. Às 21h10, uma passageira pediu autorização para deixar momentaneamente sua posição e verificar a situação de seu voo para Doha, no Catar, previsto para decolar às 21h30.

Ela recebeu a informação de que o voo estava atrasado. Ao mesmo tempo, um passageiro com destino a Cabo Verde, cujo embarque estava previsto para as 21h05, foi orientado a deixar a fila e procurar o balcão de atendimento da companhia aérea.

Mais tarde, por volta das 21h30, passageiros que seguiriam para Angola passaram a chamar os funcionários em voz alta, informando que o embarque havia começado.

A tensão aumentou novamente quando uma mulher atravessou toda a fila alegando precisar chegar ao final da área de controle. A movimentação provocou novas reclamações entre os passageiros, que pediram intervenção dos funcionários.

Pouco antes de chegar à imigração, um atendente informou que os passageiros do voo para Angola deveriam receber prioridade na passagem pelas cabines. A orientação ainda gerou questionamentos entre os próprios funcionários responsáveis pelo controle.

Quando finalmente chegou sua vez, o procedimento durou apenas alguns segundos. Foi necessário apresentar o passaporte, o cartão de embarque e confirmar verbalmente o destino da viagem.

Após cruzar a imigração, a cena se repetia do outro lado: a fila de passageiros que aguardavam autorização para entrar em Portugal tinha proporções semelhantes à daqueles que tentavam deixar o país.

LEIA MAIS NOTÍCIAS

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem, 
necessariamente, a opinião deste jornal

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

MAIS LIDAS

NEWSLETTER

    AGENDA 2026

    Labace

    REDES SOCIAIS

    PARCEIROS