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Europa opera com menos de 30 dias de combustível de aviação

Estoques de querosene de aviação seguem pressionados pela dependência de importações e pelas tensões no Oriente Médio

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

A Europa dispõe atualmente de menos de 30 dias de reservas de combustível de aviação, segundo análise da Reuters. Apesar do aumento das importações, da ampliação da produção em refinarias e do uso dos estoques estratégicos, a região continua sendo a mais vulnerável a uma eventual interrupção no fornecimento de querosene de aviação.

Dados da empresa de análise Energy Aspects mostram que, no início de junho, os estoques europeus somavam cerca de 38 milhões de barris, enquanto os Estados Unidos contavam com aproximadamente 99 milhões de barris.

De acordo com a Reuters, a dependência europeia de importações torna o continente mais exposto a impactos decorrentes das tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente na região do Estreito de Ormuz, rota por onde passa mais de um quinto do petróleo e do gás natural transportados por via marítima no mundo.

A agência destaca que um agravamento do conflito pode comprometer novamente o abastecimento de combustível para aviação, reduzindo ainda mais a margem operacional do setor aéreo europeu.

Entre os países considerados mais vulneráveis estão Reino Unido, França e Alemanha. Segundo a Reuters, o fechamento de diversas refinarias nas últimas décadas aumentou a dependência dessas nações em relação às importações provenientes do Oriente Médio.

Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que, no fim de maio, os estoques provisórios de querosene de aviação estavam 10% acima dos registrados no mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, a produção das refinarias cresceu 30%, cenário que, segundo a Reuters, garante à Europa aproximadamente um mês de margem para abastecimento.

Para evitar o esgotamento dos estoques, o continente ampliou as importações de combustível provenientes de países como Canadá, Estados Unidos e Nigéria. Apenas em junho, foram importados cerca de 673 mil barris por dia de querosene de aviação, o maior volume desde outubro de 2025, conforme dados da Kpler.

O cenário permanece acompanhado de perto devido à instabilidade no Estreito de Ormuz. A passagem foi fechada em fevereiro após os primeiros ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, parcialmente reaberta em junho durante um acordo de cessar-fogo e voltou a sofrer interrupções no início de julho, após novos confrontos na região.

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