A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou, nesta segunda-feira (20), a antecipação dos protocolos normalmente adotados para o verão devido à previsão de intensificação do Super El Niño. O fenômeno climático, associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, pode provocar temperaturas acima da média e chuvas intensas já no fim do inverno, com impactos que devem se estender pela primavera e pelo verão.
Segundo o município, mais de 50 órgãos estão mobilizados para atuar em situações de calor extremo, temporais e outros eventos climáticos. O anúncio foi feito no Centro de Operações e Resiliência (COR), na Cidade Nova.
“No fundo, estamos antecipando a preparação que a cidade já faz todos os anos para lidar com o verão. Parte dos efeitos desse Super El Niño, para a realidade da nossa cidade, é como se houvesse uma antecipação dos efeitos do verão”, afirma Eduardo Cavaliere, prefeito do Rio de Janeiro. “As águas de março, neste momento, podem estar chegando antes do verão”, acrescenta.
De acordo com Juliana Hermsdorff, meteorologista do Sistema Alerta Rio, a probabilidade de o El Niño atingir intensidade “muito forte, principalmente no fim da primavera e no início do verão”, entre outubro e dezembro, é de 81%.
“É normal já termos, na primavera e no verão, temperaturas mais elevadas. Temos grandes áreas urbanizadas que aumentam a temperatura, formando ilhas de calor. Então, os impactos do El Niño vão reforçar principalmente essa questão da temperatura, um combustível para a formação de chuvas intensas aqui na cidade do Rio”, explicou.
Protocolos e monitoramento
Segundo a prefeitura, as ações que normalmente começariam em novembro passam a ser adotadas de forma antecipada. “A prefeitura está antecipando suas ações, que normalmente a gente executaria lá em novembro”, comenta Rodrigo Gonçalves, subsecretário de Defesa Civil do Rio de Janeiro.
“A partir deste momento, estamos colocando em alerta máximo todas as secretarias e órgãos que trabalham com prevenção e resposta na cidade do Rio de Janeiro justamente por conta do El Niño. E vamos fazer esse acompanhamento junto ao Centro de Operações e Resiliência, o COR”, acrescenta.
O município informou que conta atualmente com mais de 50 protocolos envolvendo órgãos municipais, estaduais e federais. Um dos exemplos é o protocolo de ressaca desenvolvido em conjunto com a Marinha do Brasil, que prevê, entre outras medidas, a interdição da ciclovia Tim Maia quando há previsão de maré elevada.
Os estágios operacionais da cidade permanecem divididos em cinco níveis, que variam desde condições normais até situações de alto risco, quando pode ser necessário restringir deslocamentos e ampliar o suporte à população.
Obras para reduzir impactos
Durante a apresentação, a prefeitura detalhou obras de drenagem, controle de enchentes e ampliação de áreas verdes que estão em andamento.
Entre os projetos citados estão intervenções do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em bairros como Realengo, Acari, Jardim Maravilha, Maré, Rocinha e Complexo do Alemão, além da continuidade das obras de controle de enchentes na Grande Tijuca.
Segundo Wanderson Santos, secretário municipal de Infraestrutura, a primeira etapa das obras do PAC Realengo deverá ser entregue ainda este ano, antes do cronograma originalmente previsto.
“Não estaremos com todas essas obras finalizadas até a chegada do Super El Niño, mas estaremos nos locais. Teremos uma mobilização para poder atender e mitigar os eventuais danos dessas chuvas intensas”, afirma.
Apesar dos investimentos, Cavaliere destacou que parte das áreas mais vulneráveis continuará sujeita aos efeitos de eventos extremos.
“Boa parte dessas áreas mais sensíveis ainda estará sujeita a eventos extremos e riscos no próximo verão”, reconhece o prefeito. “As obras de infraestrutura reduzem os efeitos desses eventos climáticos extremos, minimizam impactos, mas não significam que a cidade vá deixar de viver momentos extremos de chuva”, complementa.
Parques e arborização
A administração municipal também destacou a expansão de parques urbanos como estratégia para ampliar áreas vegetadas e reduzir os efeitos das ilhas de calor.
Além dos parques já existentes, estão em andamento as ampliações dos parques Oeste e Realengo, bem como a construção dos parques Terra Prometida, em Santa Cruz, e Linear da Maré. Outros projetos incluem os parques do Tanque, Taquara Fazenda Baronesa, Guadalupe, Jardim do Amanhã e Parque do Saber.
Na área de arborização, a Secretaria Municipal de Ambiente e Clima informou que realizou o plantio de 112,4 mil árvores apenas em 2026. Desde janeiro de 2023, o total chega a 417,5 mil mudas.
Mega ralos e drenagem
Outra medida apresentada foi a instalação de mega ralos para ampliar a capacidade de escoamento da água da chuva.
Segundo a prefeitura, desde 2023 foram implantados mais de 280 ralos e mega ralos em diferentes regiões da cidade, incluindo 156 equipamentos na Avenida Brasil, dos quais 70 são mega ralos ligados diretamente à rede pluvial.
A Secretaria de Conservação informou ainda que já desobstruiu 1,7 quilômetro da rede de drenagem neste ano, retirando 129 toneladas de resíduos, enquanto as ações de desassoreamento removeram 257 mil toneladas de materiais de rios e canais.
Após relatos de danos em um dos equipamentos localizado em Manguinhos, a prefeitura informou que enviará uma equipe para vistoriar a estrutura.
Protocolo de calor permanece em vigor
O município também reforçou o protocolo de calor implantado após a morte de uma fã durante um show da cantora Taylor Swift, em novembro de 2023.
A partir do nível 4, quando o índice de calor ultrapassa 40°C por pelo menos três dias consecutivos, são abertas estruturas de resfriamento, atividades físicas escolares passam para áreas cobertas e trabalhadores expostos ao sol devem realizar pausas para hidratação. Dependendo das condições, eventos também podem ser suspensos caso não adotem medidas como fornecimento gratuito de água.
“Lembrando que 40% do nosso território sofre alto impacto do calor. E esse impacto vai gerar mais problemas para as crianças, os idosos e as pessoas em situação de rua”, afirmou Rodrigo Prado, secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro.







