A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo (ABIH-SP) divulgou a 72ª edição da Pesquisa de Desempenho da Hotelaria Paulista, referente a junho de 2026. Tradicionalmente marcado pela demanda corporativa, o período apresentou o comportamento esperado nas Macrorregiões Turísticas (MRTs) com esse perfil, mas registrou retração generalizada nos indicadores. Nem mesmo o início da temporada de inverno foi suficiente para sustentar os resultados do lazer, devido ao desempenho mais fraco dos destinos de litoral. A íntegra do levantamento está disponível para assinantes do Portal do Hoteleiro.
A taxa de ocupação (TO) apresentou queda significativa tanto em relação a maio quanto ao mesmo período de 2025. A diária média (DM) e o RevPar seguiram a mesma tendência de retração. O inverno reduziu a demanda nos destinos litorâneos e apenas um feriado prolongado não foi suficiente para compensar os resultados dos demais polos de lazer. Embora regiões de montanha, fazenda e aventura tenham registrado crescimento esperado, o desempenho do litoral puxou os indicadores estaduais para baixo.
Após registrar, em maio, o maior índice de ocupação do ano, a Capital Paulista e a Capital Expandida também sentiram os efeitos da desaceleração em junho. Segundo a ABIH-SP, as MRTs com predominância corporativa registraram quedas expressivas nos três indicadores. Entre os fatores apontados estão a antecipação de eventos empresariais para maio, por causa da Copa do Mundo, além do início das férias escolares e da ausência de grandes feiras e eventos no período.
Nesse contexto, os três indicadores apresentaram resultados considerados preocupantes em junho. Na taxa de ocupação, nove das 12 MRTs participantes registraram queda e apenas três tiveram alta. Os melhores desempenhos ficaram com Capital Expandida, Sudoeste e Circuito das Águas, impulsionados pelo início da temporada de inverno e pelo feriado de Corpus Christi.
As maiores retrações ocorreram nos destinos de lazer, como Vale do Rio Grande, Vale do Ribeira, Litoral Norte e Litoral Paulista. O Vale do Paraíba-Serras também apresentou desempenho abaixo do esperado, apesar da relevância do feriado para a região. Na diária média, quatro MRTs registraram crescimento e oito tiveram retração. As maiores quedas foram observadas na Capital Paulista, Capital Expandida, Entradas e Bandeiras Polo Corporativo e Mogiana.
Entre os resultados positivos da diária média destacaram-se Circuito das Águas e Estâncias, Litoral Norte, Vale do Rio Grande e Tietê Vivo. No RevPar, dez MRTs registraram retração e apenas duas apresentaram crescimento. Os impactos negativos concentraram-se em Mogiana, nos litorais Norte e Paulista, Capital Paulista, Capital Expandida e Entradas e Bandeiras Polo Corporativo. O principal desempenho positivo foi registrado no Circuito das Águas e Estâncias.
Na comparação com maio, a taxa de ocupação recuou 10,07%, a diária média caiu 9,33% e o RevPar apresentou retração de 18,46%. Em relação a junho de 2025, a taxa de ocupação ficou 10,64% abaixo, enquanto a diária média avançou apenas 6,16% e o RevPar caiu 5,14%.
Nesta edição, apenas 12 MRTs responderam ao levantamento. Planalto Paulista, Noroeste Paulista e Coração Paulista não participaram. A entidade destaca que os resultados ganham maior consistência quando todas as regiões contribuem com informações. Para julho, a expectativa é de continuidade da retração no segmento corporativo, influenciada pela Copa do Mundo e pelos dias de jogos da Seleção Brasileira.
Por outro lado, julho marca o período de férias escolares e a alta temporada de inverno nas MRTs Serras, Circuito das Águas e Estâncias e Vale do Rio Grande, favorecendo o turismo de montanha, fazenda e interior. Nos destinos litorâneos, entretanto, a projeção segue de demanda reduzida, com altas pontuais de ocupação dependendo das condições climáticas.
A pesquisa também apresenta a evolução da taxa de ocupação, diária média e RevPar por MRT desde 2020. Nesta edição, participaram 124 empreendimentos, o equivalente a 1,64% do total de hotéis do estado, distribuídos por 413 municípios, representando 64,03% das cidades paulistas. A amostragem corresponde a 176.432 unidades habitacionais (UHs), ou 59,15% do total estimado, sendo que os hotéis participantes representam 18.118 UHs, equivalentes a 10,27% dessa amostra.
Os números já refletem a atualização da base de dados realizada pela ABIH-SP no primeiro semestre de 2026, incluindo revisão da quantidade de hotéis, UHs, tipologias, municípios e divisão das MRTs. O levantamento utilizou informações do Cadastur, metasearchs, inteligência artificial, sites de prefeituras, Convention & Visitors Bureaux e outras bases de dados.
A nova metodologia passou a considerar todos os municípios das MRTs, ampliando a representatividade da pesquisa e oferecendo um retrato mais preciso da oferta de meios de hospedagem existente em cada região do estado.
A ABIH-SP ressalta, contudo, que o estudo não substitui dados oficiais dos municípios nem possui caráter censitário, estando sujeito a futuras revisões. O objetivo foi atualizar uma base originalmente elaborada em março de 2020, com informações referentes ao período pré-pandemia.
Na relação entre funcionários e unidades habitacionais, o indicador fechou junho em 0,58, retomando o patamar registrado nos três meses anteriores. Ainda assim, apresentou retração de 3,57% em relação a maio e de 3,33% na comparação com o início da série histórica, iniciada em julho de 2020.
Segundo a percepção dos hotéis participantes, permanece o desafio relacionado à contratação de mão de obra qualificada. A expectativa em torno da nova legislação trabalhista também gera preocupação quanto à adequação das escalas, custos operacionais e demais ajustes necessários para o setor.
A pesquisa também traz indicadores segmentados por categoria dos empreendimentos — Econômico, Midscale e Upscale — e pelo perfil predominante de atuação — Corporativo, Lazer ou Ambos. Os resultados variaram conforme as respostas recebidas e auxiliam na análise do desempenho de cada segmento.
Na relação entre despesas e receitas, o indicador apresentou queda de 2,70% em relação a maio. A média acumulada do ano até junho ficou em 67,06%, indicando que aproximadamente dois terços da receita bruta são destinados à cobertura das despesas operacionais.
Na comparação com junho de 2025, esse indicador registrou redução de 1,10%. O estudo considera exclusivamente a relação entre receitas e despesas informada pelos hotéis, sem incluir indicadores financeiros como Ebitda.
A ABIH-SP voltou a destacar a importância da participação dos hotéis na pesquisa. Entre os temas apontados pelos respondentes, chama atenção a preocupação com o aumento do comissionamento praticado por uma OTA específica, fator que poderá afetar significativamente a rentabilidade dos empreendimentos. Segundo a entidade, já existem ações em andamento, tanto no âmbito estadual quanto junto à ABIH Nacional, para discutir o tema.
Resultado consolidado do Estado – Taxa de Ocupação
TO de junho/26: 53,66%. Variação negativa em relação a maio/26: 10,07%. Acumulado do ano: 56,26%.
Resultado consolidado do Estado – Diária Média
DM de junho/26: R$ 514,29. Variação negativa em relação a maio: 9,33%. Acumulado do ano: R$ 545,78.
Resultado consolidado do Estado – RevPar
RevPar de junho/26: R$ 275,97. Variação negativa em relação a maio: 18,46%. Acumulado do ano: R$ 307,57.
Indicadores por categoria de hotéis
Econômico: 38,70%. Midscale: 54,04%. Upscale: 7,26%.
Indicadores por atividade principal dos hotéis
Corporativo: 69,36%. Ambos: 22,59%. Lazer: 8,06%.
A ABIH-SP é presidida por Marcos Vilas Boas. O projeto da pesquisa e a edição do conteúdo são conduzidos por Roberto Gracioso, vice-presidente da entidade. A gerente operacional Gláucia Sangiovanni responde pela coleta, tratamento e gestão das informações.







