A WestJet adotou medidas preventivas para minimizar impactos aos passageiros diante da possibilidade de paralisação dos comissários de bordo no Canadá. A companhia passou a oferecer remarcações e cancelamentos sem cobrança de taxas para viagens programadas entre 30 de julho e 4 de agosto, enquanto seguem as negociações com o sindicato que representa a categoria.
A medida foi anunciada após o Canadian Union of Public Employees (CUPE) emitir um aviso de greve com antecedência de 72 horas. Em resposta, a WestJet apresentou um aviso de locaute (lockout), mecanismo previsto na legislação trabalhista canadense. Caso não haja acordo, a paralisação poderá começar em 2 de agosto.
Negociação segue em andamento
O impasse envolve reivindicações relacionadas ao modelo de remuneração dos comissários de bordo. Segundo o sindicato, a categoria busca receber pelo período integral de trabalho, desde a apresentação para o voo até o encerramento da jornada, e não apenas pelas chamadas “horas de crédito”, utilizadas atualmente pela companhia para calcular os pagamentos.
Além disso, os representantes dos trabalhadores defendem reajustes salariais, argumentando que os custos de vida em cidades como Toronto dificultam a permanência dos profissionais na empresa.
Apesar da escalada das negociações, tanto a WestJet quanto o CUPE afirmaram que continuam trabalhando para alcançar um acordo e evitar a interrupção das operações.
“Tomamos essa decisão com pesar. Permanecemos comprometidos em minimizar os impactos aos nossos passageiros”, afirmou Alexis von Hoensbroech, CEO do WestJet Group.
Já Alia Hussain, presidente da representação local do CUPE, reiterou que o sindicato prefere uma solução negociada. “Desde o início deixamos claro que queremos chegar a um acordo justo sem a necessidade de uma greve.”
Passageiros podem remarcar viagens
Enquanto as negociações prosseguem, a WestJet recomenda que passageiros com viagens entre 30 de julho e 4 de agosto acompanhem os comunicados da companhia e avaliem a possibilidade de alterar seus itinerários.
Segundo a empresa, clientes impactados por eventuais cancelamentos ou atrasos terão direito a reembolso ou reacomodação, conforme as políticas vigentes. Passageiros que compraram bilhetes diretamente com a companhia serão comunicados por e-mail, enquanto aqueles que reservaram por meio de agências de viagens ou OTAs deverão procurar o canal responsável pela emissão.
A companhia informou ainda que operações da WestJet Encore, realizadas com aeronaves Q400, e voos em codeshare operados por companhias parceiras não deverão ser afetados por uma eventual paralisação.
Mercado acompanha possível impacto
A WestJet responde por cerca de 30% do mercado doméstico canadense e, segundo especialistas locais, uma paralisação poderá provocar impactos relevantes durante o período de alta temporada de verão no hemisfério norte.
A situação também remete ao movimento realizado pelos comissários da Air Canada em 2025, quando milhares de voos foram afetados durante uma disputa semelhante envolvendo remuneração da categoria.

