O novo luxo da mobilidade corporativa

CEO da Paxtour, Auro Nardelli afirma que atendimento, discrição e previsibilidade são os principais diferenciais da mobilidade premium

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

Quando um executivo desembarca de uma aeronave particular, deixa um terminal exclusivo ou segue para uma reunião estratégica, o veículo que o aguarda representa apenas uma parte da jornada. Embora automóveis premium, blindagem e conforto continuem sendo atributos valorizados, eles deixaram de ocupar o papel central na percepção de qualidade do serviço. 

Para Auro Nardelli, CEO da Paxtour Mobilidade Corporativa e vice-presidente da Skal Internacional São Paulo, o luxo na mobilidade passou a ser definido pela experiência entregue ao passageiro, na qual atendimento, discrição, previsibilidade e personalização pesam muito mais do que a marca estampada na dianteira do veículo.

Especializada em transporte executivo para reuniões, viagens de incentivo, congressos e eventos corporativos, a Paxtour atende um público formado por empresários, presidentes de empresas e executivos que esperam encontrar nos deslocamentos terrestres o mesmo padrão de excelência presente em hotéis, companhias aéreas e demais serviços de alto padrão. Embora o lazer de luxo não represente o foco da operação, o executivo explica que a empresa atende frequentemente passageiros desse segmento, principalmente em traslados entre residências, aeroportos, terminais privados e destinos turísticos.

“O nosso core business é o transporte executivo corporativo, mas naturalmente atendemos clientes que exigem um padrão elevado de serviço. Muitos utilizam aeronaves particulares, helicópteros ou solicitam veículos específicos para completar a experiência da viagem”, afirma.

Segundo Nardelli, existe uma visão equivocada de que a excelência na mobilidade está diretamente relacionada ao automóvel utilizado. Na prática, esse perfil de cliente espera encontrar um veículo compatível com o seu padrão de consumo, frequentemente blindado e de marcas premium, mas a fidelização acontece por outros motivos. “O carro corresponde a cerca de 30% da experiência. Os outros 70% estão no atendimento. O trato é o que realmente faz a diferença”, pontua. 

Essa experiência é construída por uma série de fatores que passam despercebidos para quem observa apenas o deslocamento. Pontualidade, postura profissional, conhecimento prévio das necessidades do passageiro, discrição e capacidade de antecipar situações fazem com que o motorista deixe de ser apenas um condutor e passe a representar a própria empresa diante do cliente. Em um mercado em que diferentes fornecedores conseguem oferecer veículos semelhantes, o relacionamento tornou-se o principal diferencial competitivo.

Essa lógica ajuda a explicar um fenômeno recorrente na mobilidade executiva: muitos passageiros solicitam nominalmente o mesmo motorista sempre que retornam. Para Nardelli, essa fidelização demonstra que a confiança criada durante o atendimento supera a própria relação comercial estabelecida com a empresa. 

Ao mesmo tempo em que fortalece a percepção de qualidade, essa proximidade também cria desafios operacionais. Nem sempre o profissional solicitado está disponível para atender todos os clientes, exigindo da empresa uma gestão cuidadosa das equipes para preservar o padrão de atendimento esperado.

Outro aspecto indispensável para esse público é a discrição. Presidentes de empresas, investidores e personalidades valorizam a privacidade tanto quanto conforto ou segurança. Por esse motivo, a Paxtour adotou procedimentos específicos em seus receptivos aeroportuários, evitando a utilização de placas de identificação em determinadas operações e optando por um padrão visual que permite reconhecer os profissionais sem expor a identidade dos passageiros em áreas públicas.

A preocupação com a segurança também aparece na crescente demanda por veículos blindados, que, segundo o executivo, deixaram de representar um diferencial para se tornar um requisito esperado por parte dos clientes de maior poder aquisitivo. Ainda assim, amenities e pequenos mimos oferecidos durante o trajeto ocupam um papel secundário diante da qualidade do atendimento. “O cliente quer se sentir bem atendido. O veículo precisa estar à altura da expectativa, mas a experiência é o que permanece na memória”, declara. 

Enquanto o mercado de luxo eleva continuamente suas exigências, a mobilidade corporativa também convive com a expansão dos aplicativos de transporte premium. Nardelli reconhece que essas plataformas conquistaram espaço pela facilidade de contratação e pela conveniência tecnológica, mas acredita que ainda enfrentam dificuldades para oferecer aquilo que o público corporativo mais valoriza: consistência. “O aplicativo não mantém um padrão de atendimento”, destaca. 

Na avaliação do executivo, cada viagem realizada por aplicativo pode apresentar um motorista diferente, um veículo diferente e uma experiência diferente. Para o consumidor ocasional, essa variação costuma ser aceitável. Já para o passageiro corporativo recorrente, acostumado a um determinado nível de serviço, a previsibilidade torna-se um fator decisivo.

Essa diferença também ajuda a explicar a pressão sobre preços enfrentada pelas empresas especializadas. Segundo Nardelli, plataformas digitais operam com estruturas distintas e conseguem oferecer valores mais baixos, enquanto companhias dedicadas à mobilidade executiva precisam absorver custos relacionados à manutenção da frota, blindagem, treinamento, uniformização, mão de obra própria e estrutura operacional. “Tudo tem um custo”, lembra. 

Apesar desse cenário, o executivo avalia que a demanda por serviços de alto padrão permanece aquecida, impulsionada pelo crescimento do turismo de luxo e pelo fortalecimento de hotéis, resorts e experiências voltadas ao público de maior renda. A mobilidade terrestre, entretanto, disputa espaço com novos fornecedores, aplicativos e até serviços incorporados por hotéis, companhias aéreas e terminais privados, tornando o mercado mais competitivo do que há alguns anos.

Ainda segundo o CEO, essa transformação evidencia uma mudança importante no conceito de luxo. Se antes o diferencial estava na ostentação, hoje ele está na ausência de atritos. O cliente espera encontrar exatamente o veículo contratado, ser recebido por profissionais preparados, preservar sua privacidade e ter a certeza de que toda a operação acontecerá conforme o planejado. Quando isso ocorre, o transporte deixa de ser apenas um elo entre diferentes momentos da viagem e passa a integrar a experiência premium como um todo. “O passageiro busca segurança, discrição, atendimento e previsibilidade. É isso que faz com que ele volte”, conclui.

LEIA MAIS NOTÍCIAS

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem, 
necessariamente, a opinião deste jornal

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

MAIS LIDAS

NEWSLETTER

    AGENDA 2026

    ExpoSki

    REDES SOCIAIS

    PARCEIROS