A colaboração entre poder público, iniciativa privada e entidades do turismo abriu a programação da Arena Conexões, realizada durante a Equipotel 2026, nesta quarta-feira (15), no Expo Center Norte, em São Paulo. Com curadoria da Resorts Brasil e da GKS Inteligência Territorial, o espaço terá quatro dias de debates sobre hospitalidade e desenvolvimento do setor.
O primeiro dia concentrou discussões sobre a transformação do Centro de São Paulo, inteligência de dados para o turismo e políticas públicas. Entre os temas, ganharam destaque a implantação do novo centro administrativo estadual, a adesão à Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) Digital e as recomendações reunidas pelo programa Vai Turismo.
Na abertura, Thiago Borges Ferreira, presidente do Conselho Diretor da Resorts Brasil e diretor comercial do Vale Suíço Resort, definiu a Arena como um ambiente voltado à aproximação de diferentes agentes. “Algumas conexões são planejadas, outras surgem de forma inesperada, e é dessa troca que podem nascer novos caminhos para o nosso setor”, afirmou.
Centro de São Paulo entra no debate turístico
Um dos principais debates tratou das mudanças em andamento na região central da capital paulista. Guilherme Afif Domingos, secretário de Projetos Estratégicos do Governo do Estado de São Paulo, apresentou projetos que articulam investimentos públicos e privados, recuperação de imóveis e valorização do patrimônio histórico e cultural.
Entre as próximas intervenções está a implantação de um novo centro administrativo estadual na região da Praça Princesa Isabel. A concentração de secretarias e órgãos estaduais deverá aumentar o fluxo cotidiano de trabalhadores e estimular comércio, serviços, ocupação residencial e novos investimentos no entorno.
Para Antonio Dias, vice-presidente de Relações Institucionais da Resorts Brasil e diretor-executivo do Royal Palm Hotels & Resorts, a ampliação da ocupação residencial e os empreendimentos de uso misto podem contribuir para gerar demanda para gastronomia, comércio, lazer e hotelaria.
Já Ana Biselli Aidar, secretária de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, relacionou o processo à atuação conjunta entre Estado, Prefeitura e iniciativa privada. “A gente vê um exemplo vivo do que é a colaboração”, afirmou.
FNRH Digital alcança 16 milhões de registros
A digitalização da hotelaria ganhou espaço com a apresentação da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes Digital. Augusto Lira da Rocha, secretário Nacional de Políticas de Turismo do Ministério do Turismo, mostrou como a ferramenta pode ampliar a geração de dados sobre os fluxos turísticos.
Dos 20.962 meios de hospedagem cadastrados no Cadastur, 8.121 aderiram à FNRH Digital, o equivalente a 38,7%. A plataforma já reúne aproximadamente 16 milhões de registros digitais.
Dados como origem dos hóspedes, motivo da viagem, meio de transporte e tempo de permanência podem apoiar empresas e destinos no planejamento de infraestrutura, promoção e serviços. A ampliação dessa base, porém, depende do crescimento da adesão dos meios de hospedagem.
A discussão sobre informações para tomada de decisão também se conectou às políticas públicas. O programa Vai Turismo, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), realizou 28 oficinas em 2026, com 1.378 participantes e mais de 800 instituições de todas as unidades federativas.
O processo resultou em 735 recomendações para o desenvolvimento do turismo. Entre as prioridades aparecem conectividade, inteligência de dados, qualificação, acessibilidade, adaptação climática, patrimônio e integração regional. A infraestrutura turística associada à acessibilidade universal apareceu nas recomendações das 27 unidades federativas.
Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), diretor da CNC e coordenador do Cetur/CNC, defendeu maior presença do turismo nas agendas governamentais. “Turismo e comércio viajam juntos”, resumiu.
O primeiro dia terminou com Hugo Hoyama, embaixador do tênis de mesa pela Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), relacionando experiências do esporte de alto rendimento a liderança, preparação e trabalho coletivo. A participação retomou o eixo que conduziu a programação: a cooperação entre diferentes agentes como ferramenta para desenvolver projetos e políticas para turismo e hospitalidade.

