A Azul Linhas Aéreas pretende manter a parceria comercial com a Tap Air Portugal, apesar da disputa judicial envolvendo o pagamento de 189 milhões de euros pela companhia portuguesa. Segundo Fábio Campos, vice-presidente Institucional e Corporativo da Azul, o processo não interfere na relação comercial entre as empresas, que também poderá continuar após a privatização da companhia aérea portuguesa.
A Tap e a Azul são parceiras comerciais e mantêm uma disputa judicial relacionada a um empréstimo de 90 milhões de euros concedido pela companhia brasileira em 2016. O valor, acrescido de juros, ainda não foi pago. A Azul também chegou a ser acionista indireta da empresa portuguesa ao lado de David Neeleman, fundador da companhia brasileira.
“Nossa relação com a TAP é excelente, é uma relação comercial com muitos anos. A TAP é um grande parceiro comercial para a Azul e tenho a certeza de que vai continuar a ser”, afirmou Fábio Campos, vice-presidente Institucional e Corporativo da Azul, durante cerimônia realizada na quinta-feira (18), em Lisboa, para marcar os dez anos de operação da companhia brasileira em Portugal.
No evento, realizado na residência do embaixador do Brasil em Portugal, Campos destacou a distribuição de passageiros entre as redes das duas empresas. Passageiros da Azul são distribuídos pela malha europeia da Tap, enquanto clientes da companhia portuguesa têm acesso à rede brasileira da Azul.
Sobre a disputa judicial, que envolve 189 milhões de euros cobrados pela Azul, o executivo afirmou que o processo “está correndo na Justiça”. “Cada um tem os seus argumentos e estamos aguardando uma decisão” do tribunal, declarou. Segundo Campos, a Azul espera receber o valor.
A disputa, segundo o executivo, não altera a relação comercial entre as companhias. Para Campos, a parceria está “cada vez mais forte”.
Privatização da Tap
A Tap está em processo de privatização, que prevê a entrada de um novo investidor com pelo menos 44,9% do capital da companhia. Entre as interessadas estão Lufthansa e Air France-KLM, empresas que mantêm relações com concorrentes da Azul, como Latam e Gol.
Questionado sobre possíveis mudanças na parceria após a privatização, Campos afirmou que a Azul tem “total interesse” em “continuar a ser parceira da TAP”, independentemente de qual empresa assumir a participação.
A relação financeira entre as companhias teve origem em 2016, quando a Azul investiu 90 milhões de euros em títulos da TAP SGPS. A estatal portuguesa Parpública investiu outros 30 milhões de euros, totalizando 120 milhões de euros.
Em 2020, após a pandemia de Covid-19, o governo português promoveu uma intervenção estatal que levou à saída dos acionistas privados. Na ocasião, ficou definido que Neeleman deixaria a Tap em troca de 55 milhões de euros e que os títulos deixariam de ser conversíveis em ações.
O pagamento de 189 milhões de euros à Azul estava previsto para março de 2026, enquanto a Parpública deveria receber 63,7 milhões de euros em junho do mesmo ano.
A disputa teve início em 2024, quando a Azul afirmou que pretendia executar as garantias relacionadas ao empréstimo, entre elas o programa de milhas da Tap, ou receber antecipadamente os valores.
Naquele período, a Tap passava por uma reorganização que resultou na separação da companhia em duas entidades. A Tap SA ficou com o programa de milhas e empresas como a Portugália, que será privatizada. Já a Tap SGPS, vinculada ao empréstimo da Azul, foi renomeada como Siavilo, ficou sem ativos e entrou em insolvência.
Em março de 2026, quando estava previsto o pagamento, a Azul entrou com uma ação judicial contra a Tap. Desde então, as duas partes mantêm a disputa nos tribunais.
Pedido de insolvência
A Azul também apresentou um pedido para que a insolvência da Siavilo fosse classificada como culposa. A companhia portuguesa, por sua vez, argumenta que o financiamento de 120 milhões de euros deve ser considerado um suprimento, modalidade de empréstimo feito por um sócio que, segundo a empresa, não seria reembolsável nas condições defendidas pela Azul.
De acordo com o relatório e as contas do primeiro semestre da Tap, os administradores da insolvência apresentaram um parecer “no qual propõem a qualificação da insolvência da Siavilo como fortuita”.
Ainda segundo a companhia portuguesa, em 10 de julho o “Ministério Público emitiu parecer no âmbito do incidente de qualificação da insolvência, concluindo igualmente no sentido de que a insolvência da Siavilo deveria ser qualificada como fortuita e não culposa”.
Questionado sobre os pareceres, Fábio Campos não quis comentar.













