Trânsito amplia tempo de viagens corporativas em São Paulo

Trajetos entre aeroportos e centros empresariais podem ganhar uma hora no pico e exigir planejamento de até 6h30 antes de voos internacionais

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

Quem chega a São Paulo para participar de reuniões, eventos ou outros compromissos profissionais precisa avaliar mais do que a distância do aeroporto até o destino ao montar sua agenda. Nos períodos de pico, o trânsito pode adicionar até uma hora ao tempo habitual de percurso entre os principais terminais aéreos e polos empresariais da capital, conforme levantamento da tg.mob, especializada em mobilidade executiva.

Em situações normais, o trajeto entre o Aeroporto Internacional de Guarulhos e a região da Avenida Faria Lima dura, em média, 1h30. Para a avenida Paulista, o tempo é de 1h. Já a partir do Aeroporto de Congonhas, os percursos médios levam 45 minutos até a Faria Lima e 35 minutos até a Paulista.

Nos períodos de tráfego mais intenso, entretanto, a tg.mob aponta acréscimo de até uma hora nesses percursos. Com isso, o trajeto entre Guarulhos e Faria Lima pode alcançar 2h30, enquanto uma viagem de Congonhas até a Paulista chega a durar 1h35.

Para Leandro Pimenta, CEO da tg.mob, os dados revelam um desafio que ultrapassa o planejamento individual dos viajantes corporativos e deveria integrar as discussões sobre mobilidade na Região Metropolitana de São Paulo. “A capital paulista é o principal centro de negócios do País e recebe diariamente profissionais que chegam para reuniões, eventos, feiras e compromissos empresariais. A conexão entre os aeroportos e os polos corporativos precisa ser vista também sob essa perspectiva. Quando um deslocamento pode variar em uma hora dependendo do trânsito, temos um impacto direto sobre a previsibilidade das agendas e a atividade das empresas”, afirma.

Guarulhos supera 4,4 milhões de passageiros

O fluxo registrado pelo principal aeroporto brasileiro ajuda a mostrar a dimensão desse cenário. Apenas em julho deste ano, dado mais recente divulgado, o Aeroporto Internacional de Guarulhos recebeu 4.404.637 passageiros, sendo 2.735.805 em operações domésticas e outros 1.668.832 em voos internacionais, conforme informações do próprio terminal.

Para passageiros que deixam São Paulo, o cálculo deve incluir também a antecedência necessária para chegar ao aeroporto. A tg.mob orienta que os viajantes estejam em Guarulhos três horas antes dos voos nacionais e quatro horas antes dos internacionais. Em Congonhas, a recomendação é de duas horas. Ao considerar um trajeto da Faria Lima a Guarulhos no horário de pico, por exemplo, quem embarca em um voo nacional pode precisar começar o planejamento até 5h30 antes da partida. Para viagens internacionais, o intervalo pode alcançar 6h30.

“Não estamos falando apenas do tempo dentro do carro. Uma hora a mais em um trajeto pode significar menos espaço para uma reunião, necessidade de antecipar a saída de um compromisso ou até reorganizar uma agenda inteira. Mobilidade, nesse contexto, também é uma questão de produtividade e competitividade”, explica Pimenta.

Congonhas figura entre os gargalos

Outro local que demanda atenção no momento é o Aeroporto de Congonhas. As intervenções de ampliação e modernização do terminal causaram alterações nos acessos entre a Avenida Washington Luís e o aeroporto neste ano, sob monitoramento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Na rotina da tg.mob, Congonhas figura hoje entre os principais gargalos dos deslocamentos executivos. A companhia também aponta dificuldades para acessar Guarulhos nos períodos de pico e nas regiões de Faria Lima, Pinheiros e Itaim Bibi, onde se concentra uma parcela relevante das atividades empresariais paulistanas. Para o CEO da empresa, a experiência acumulada no transporte diário de profissionais pode colaborar com um debate mais abrangente sobre as prioridades da mobilidade paulistana nos próximos anos. “Quando se discute mobilidade urbana, é importante olhar também para os deslocamentos relacionados à atividade econômica. Aeroportos, centros empresariais, hotéis, centros de convenções e espaços de eventos fazem parte de uma mesma cadeia. O planejamento público precisa considerar como essas conexões podem se tornar mais eficientes e previsíveis”, avalia.

Na avaliação do executivo, a discussão ganha importância adicional diante dos debates sobre os próximos ciclos do planejamento público estadual. “São Paulo precisa pensar a mobilidade não apenas para atender à demanda atual, mas para acompanhar sua vocação como centro de negócios, eventos e conexões nacionais e internacionais. Melhorar os acessos, integrar diferentes modais e aumentar a previsibilidade dos deslocamentos são questões que deveriam fazer parte do planejamento de longo prazo”, conclui.

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