Grandes volumes de sargaço têm chegado às praias do Norte e Nordeste do Brasil, com impactos sobre a pesca, o turismo e organismos marinhos. Um estudo publicado em 2026 reuniu 51 registros de encalhes na costa brasileira entre 2010 e 2025, sendo 40 identificados em reportagens e 11 na literatura científica.
O Pará concentrou a maior parte das ocorrências. Em março de 2025, aproximadamente 42,8 mil toneladas de sargaço chegaram às praias de Salinópolis, no maior volume de biomassa registrado entre os eventos analisados. Dos 40 registros encontrados na imprensa, 18 ocorreram no estado. Entre os registros científicos, oito dos 11 casos também foram no Pará, todos relacionados à Praia do Atalaia, em Salinópolis.
Impactos no turismo
O sargaço pelágico das espécies Sargassum natans e Sargassum fluitans pode reduzir o oxigênio da água durante a decomposição, afetando peixes, crustáceos e outros organismos. Na pesca, o acúmulo pode obstruir redes e motores de embarcações.
Nas praias, o excesso de material orgânico e o mau cheiro também podem dificultar o uso da faixa de areia e afetar o turismo. O estudo, no entanto, não calculou o impacto financeiro provocado pelos encalhes no Brasil.
A retirada do material exige planejamento, já que máquinas utilizadas na limpeza podem remover areia junto com as algas e contribuir para a erosão. Segundo os pesquisadores, o país ainda não possui um protocolo nacional específico para grandes arribadas de sargaço.
Monitoramento
Os pesquisadores defendem a criação de um sistema nacional de monitoramento para antecipar a chegada das algas às praias. A proposta prevê combinar imagens de satélite com modelos de correntes e ventos, além do uso de drones, câmeras e relatos de moradores, pescadores e turistas.
As informações poderiam indicar localização, extensão e estimativa de biomassa, permitindo que municípios se preparassem com antecedência para os eventos.











