Japão avança no mercado brasileiro de viagens de incentivo

Quickly Travel identifica maior procura pelo destino e mudança na avaliação das empresas sobre programas corporativos de longa distância

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

O Japão atravessa um período de forte crescimento no turismo internacional e também ganha presença entre os viajantes brasileiros. Em 2025, o destino recebeu o recorde de 42,6 milhões de visitantes estrangeiros, dos quais mais de 110 mil eram brasileiros, conforme a Organização Nacional de Turismo Japonês (JNTO). Para esse público, o cenário recebeu outro incentivo com a extensão da isenção de visto para estadias de até 90 dias, válida até 29 de setembro de 2029. Nesse movimento, o país também passa a ocupar mais espaço no turismo Mice, sobretudo nas viagens de incentivo. Esse movimento amplia o interesse do mercado local.

Esse cenário é observado pela Quickly Travel, agência especializada em viagens corporativas, Mice e integrante do Grupo JTB, que identifica crescimento potencial de 75% no volume de negócios relacionados ao Japão, ao comparar o resultado de 2025 aos projetos já confirmados e em concorrência para 2027. O avanço sinaliza uma mudança diante do padrão tradicional desse segmento, que historicamente privilegiava destinos com deslocamentos menores em programas com duração de três a cinco noites.

De acordo com a agência, trajetos superiores a 24 horas de viagem eram vistos como um obstáculo para a escolha de destinos em programas de incentivo. Com o maior interesse dos turistas brasileiros pela Ásia, porém, o Japão passou a surgir com mais frequência nas consultas e concorrências, com operações já realizadas, grupos confirmados e novas possibilidades de negociação.

“Quando a viagem tinha até cinco noites, era preciso avaliar se fazia sentido levar o grupo tão longe. O que percebemos agora é que as empresas estão mais abertas a considerar a Ásia, e isso muda o ponto de partida dessas conversas”, afirma Paula Tanaka, Head of MICE Sales da Quickly Travel.

A atuação da agência nesse mercado mostra a dimensão do movimento. Em 2023, a Quickly organizou dois incentivos no Japão: um grupo da Nissin, com 42 participantes e venda total de R$ 3,45 milhões, e uma operação para Toyota do Brasil e TASA, que levou 400 viajantes ao país, com venda de R$ 13,45 milhões. Em 2025, a Brother promoveu um programa de incentivo no destino, com 20 participantes e venda total de R$ 2,45 milhões.

Em 2027, o Japão estará novamente entre os destinos selecionados para programas corporativos. Em maio, a Quickly realizará para a Cogna uma viagem de incentivo com 120 participantes e projeção de venda próxima de R$ 3 milhões. Além dessa operação já confirmada, a agência disputa atualmente outras duas concorrências voltadas ao destino, com grupos que apresentam diferentes perfis e tamanhos.

A extensão da isenção de visto favorece um cenário de maior acessibilidade ao Japão. Para brasileiros com passaporte comum, a medida autoriza viagens de até 90 dias sem exigência de visto, condição prorrogada pelo governo japonês até setembro de 2029. Aliada ao avanço do fluxo turístico e ao interesse internacional pelo Japão, a facilidade de entrada pode contribuir para que o destino seja considerado em programas corporativos que exigem planejamento antecipado.

Para Paula, o crescimento do Japão nesse mercado está ligado não só à maior abertura das empresas para considerar viagens de longa distância, mas também à diversidade de experiências oferecidas pelo destino em programas corporativos.

“O Japão consegue reunir elementos muito diferentes em uma mesma viagem. Dependendo do perfil do grupo, podemos trabalhar cultura, gastronomia, tecnologia, tradição, compras e experiências exclusivas. Isso permite construir programas que tenham significado para os participantes e que estejam alinhados aos objetivos de cada empresa”, afirma. A avaliação sobre a distância, portanto, passa a considerar também o valor da experiência proporcionada pelo destino e o perfil dos participantes.

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