São Paulo responde por 43,4% da receita do turismo internacional no Brasil, diz Setur-SP

Na abertura da Abav Expo, Ana Biselli destaca peso econômico do Estado, conectividade e estratégia para distribuir visitantes pelos destinos paulistas

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

São Paulo (SP) – O Estado de São Paulo responde por 43,4% de toda a receita do turismo internacional no Brasil, segundo estimativas do Centro de Inteligência da Economia do Turismo (Ciet), com base em dados do Banco Central. O número foi apresentado nesta quarta-feira (30) por Ana Biselli Aidar, secretária de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, durante a abertura da 53ª Abav Expo, no Expo Center Norte, na capital paulista.

Anfitrião da edição de 2026, sete anos depois da última realização da feira em território paulista, o Estado recebe mais de 50 milhões de turistas por ano. Biselli reconheceu que parte significativa desse fluxo ainda se concentra na capital, mas apontou a distribuição dos visitantes pelo interior e pelo litoral como uma oportunidade para o trade.

“A gente convida os agentes a conhecerem e estimularem (os turistas) para que estendam a sua permanência no Estado de São Paulo e conheçam a nossa diversidade de destinos”, afirmou. Segundo a secretária, a participação paulista na receita internacional evidencia o potencial econômico de uma oferta que reúne segmentos e territórios distintos.

Durante o discurso, Biselli apresentou São Paulo não como um destino único, mas como um conjunto de experiências que se estende da maior metrópole do Hemisfério Sul às serras e ao litoral. A titular da Setur-SP citou ainda a Mata Atlântica e as rotas temáticas dedicadas ao vinho, café, cachaça, cerveja e queijo. A estruturação desses produtos, segundo ela, envolve diferentes áreas do poder público, além do apoio de instituições como InvestSP e Sebrae.

“São Paulo não é um destino. São Paulo representa muitos e muitos destinos. E uma viagem por aqui nunca é uma só”, declarou. Para Biselli, essa diversidade também passa pela natureza, cultura, turismo de base comunitária e grandes eventos, segmentos que ajudam a compor a oferta turística estadual.

Conectividade sustenta distribuição de turistas

A conectividade apareceu como outro pilar da estratégia paulista. Biselli destacou que o Aeroporto Internacional de Guarulhos conecta São Paulo a mais de 100 destinos nacionais e internacionais e citou o stopover como ferramenta para combinar uma estadia no Estado com outros destinos do Brasil e da América do Sul. O Porto de Santos, por sua vez, recebe dezenas de cruzeiros internacionais a cada temporada. A secretária também mencionou o avanço dos segmentos ferroviário e náutico.

Além da infraestrutura, a titular da Setur-SP destacou a composição cultural do Estado como elemento da experiência turística. Italianos, japoneses, árabes, alemães e portugueses estão entre as comunidades mencionadas pela secretária, ao lado das culturas indígenas e afro-brasileiras e das populações provenientes de diferentes regiões do País.

“Viajar por São Paulo é vivenciar o Brasil e o mundo inteiro em um só lugar”, disse. Na avaliação de Biselli, gastronomia, costumes e histórias preservadas pelas comunidades integram o patrimônio que pode ser transformado em produtos e experiências para os visitantes.

A acessibilidade também integra a estratégia estadual. A secretária citou uma parceria lançada neste mês com a Universidade de São Paulo (USP) e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência para selecionar e divulgar boas práticas de turismo inclusivo. As iniciativas podem ser conhecidas no estande de São Paulo durante a Abav Expo.

Agentes no centro da estratégia

Biselli atribuiu parte dos resultados paulistas à atuação dos profissionais que compõem a cadeia turística, com destaque para os agentes de viagens. “Parabéns a vocês, agentes de viagens, que conduzem muito bem, divulgam, promovem e conhecem a nossa atividade”, declarou.

Operadores, receptivos, guias, hotéis, atrativos, produtores, comunidades locais, fornecedores e gestores também foram citados pela secretária como responsáveis por transformar a diversidade paulista em experiências comercializáveis.

Durante os três dias da Abav Expo, a Setur-SP participa da feira ao lado de destinos, Convention Bureaux e receptivos do Estado. O espaço paulista conta com apresentações artísticas, programação de conteúdo e ações voltadas à aproximação entre destinos e profissionais do mercado.

Ao concluir o discurso, Biselli defendeu maior integração entre os diferentes atores do turismo. A secretária resumiu a estratégia em cinco conceitos: “cocriação, colaboração, informação, formação e, acima de tudo, integração”.

“Turismo é isso, uma cadeia interdependente que só se sustenta quando cada elo age junto com o outro”, afirmou. Para ela, a Abav Expo deve servir como ponto de partida para uma relação mais próxima entre destinos, países, governos, Sistema S e iniciativa privada.

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