Como será o perfil do viajante na próxima década? Quais experiências estarão entre suas prioridades? De que maneira empresas e destinos poderão adotar novas tecnologias sem abrir mão do componente humano? Qual será a contribuição do turismo diante dos desafios ambientais, sociais e econômicos dos territórios? E como os profissionais deverão se preparar para atuar no setor nos próximos anos?
Essas estão entre as questões abordadas no lançamento de “Futuro do Turismo – Inovação, Tendências e Estratégias para um Novo Mundo”, primeiro livro solo de Marta Poggi, profissional que há mais de 30 anos desenvolve estratégias destinadas a empresas, destinos e instituições no Brasil e no exterior. A obra foi apresentada durante a Abav Expo.
O lançamento ocorreu no dia 1º de outubro, das 14h às 14h45, na Arena Ibirapuera do Abav Talks, durante o painel “Turismo no Futuro: o caminho começa agora”. Na ocasião, a autora apresentou algumas das transformações que já modificam o setor e discutiu os caminhos que destinos, empresas e profissionais precisam percorrer desde agora para manter sua relevância ao longo da próxima década.
Publicado pela Editora Senac São Paulo, o livro possui sete capítulos que tratam de assuntos como comportamento do viajante, experiências, tendências globais, turismo regenerativo, tecnologia e inovação. A publicação parte da ideia de que o futuro da atividade turística não estará condicionado somente às novas ferramentas disponíveis, mas à capacidade do mercado de utilizá-las para gerar valor aos viajantes, negócios, destinos e comunidades.
Entre os conceitos explorados por Marta está o Viajante 5.0, definido como um consumidor mais conectado, consciente e exigente, cujas expectativas ultrapassam a própria viagem. Nesse cenário, ganham espaço fatores como personalização das experiências, autenticidade, bem-estar, propósito e a construção de memórias capazes de permanecer após o retorno para casa.
As experiências constituem outro eixo da publicação. Entre os movimentos que já exercem influência sobre o comportamento dos turistas e as estratégias dos negócios do setor aparecem o bem-estar 360, a gastronomia, o passion travel, as whycations e a procura cada vez maior por destinos menos conhecidos e afastados dos circuitos turísticos tradicionais.
A obra também examina a passagem do overtourism para uma perspectiva de turismo regenerativo, na qual a redução dos efeitos negativos provocados pela atividade deixa de ser suficiente. A proposta passa pela adoção de modelos capazes de produzir impactos ambientais, sociais, culturais e econômicos positivos para os destinos, territórios e comunidades que recebem os viajantes.
Inteligência artificial, Big Data, tecnologias imersivas e automação também ocupam espaço na análise da autora. Esses recursos são observados não somente pelo potencial de elevar a eficiência das operações, mas pela capacidade de auxiliar processos de decisão, personalizar as experiências oferecidas e potencializar a atuação humana na geração de valor.
A inovação surge, nesse contexto, como componente estratégico para destinos e empresas. O livro discute ecossistemas de inovação, startups, Destinos Turísticos Inteligentes, place branding e novos modelos de negócios, com uma análise sobre como essas frentes podem contribuir para elevar a competitividade do turismo diante de um ambiente marcado por transformações cada vez mais rápidas.
Para Marta, tecnologia e humanização não são caminhos opostos. “O futuro do turismo não será definido pela tecnologia em si, mas pela maneira como ela será utilizada para criar experiências mais humanas, inteligentes, significativas e sustentáveis”, explica.
No último capítulo, a autora estende a análise até 2040 e apresenta possíveis direções para a atividade turística. Entre os temas estão as mudanças nas profissões e nos talentos necessários para essa nova economia, viagens mais fluidas e pautadas por propósito, além de novas fronteiras da inovação que poderão transformar a relação das pessoas com as viagens, como o turismo espacial.









