Otacílio Costa estrutura turismo religioso e mira novas experiências na Serra Catarinense

Município investe em atrativos ligados à fé, aproxima roteiros de propriedades rurais e avalia turismo industrial como nova frente de visitação

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

Otacílio Costa começa a desenhar uma nova vertente de desenvolvimento turístico na Serra Catarinense. Conhecido historicamente pela presença dos setores madeireiro, florestal, industrial e agrícola, o município passou a organizar uma estratégia que tem o turismo religioso como uma das principais portas de entrada para novas experiências, com a intenção de incorporar, em etapas posteriores, o turismo rural, a produção agrícola e o turismo industrial.

Com população estimada em 17.965 habitantes em 2026, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Otacílio Costa ocupa um território de 847,253 km² e registra PIB per capita de R$ 73.231,72, de acordo com dados de 2023. Integrante da Associação dos Municípios da Região Serrana (Amures), a cidade trabalha para conquistar maior presença nos roteiros que interligam os destinos turísticos da Serra Catarinense.

De acordo com o prefeito Fabiano Baldessar, a proposta ganhou impulso após a pandemia, a partir de uma iniciativa desenvolvida junto à comunidade religiosa e ao padre Darcy. Um dos primeiros símbolos desse movimento foi instalado na localidade de Vila Aparecida: uma imagem de Nossa Senhora Aparecida com 10 metros de altura, que passou a receber visitantes. O Portal Municipal de Turismo já relaciona a Igreja da Vila Aparecida e a estátua da santa entre os pontos de interesse turístico da cidade.

Outro passo foi a instalação de uma imagem de São Cristóvão, com 12 metros de altura, às margens da SC-114. O monumento está ligado à tradicional Festa dos Caminhoneiros, que alcançou sua 50ª edição em 2024. Um caminhão de 1974, ano associado ao início da celebração, também foi incorporado ao cenário e permanece abaixo da imagem do santo. Atualmente, o Portal Municipal de Turismo também apresenta a Estátua de São Cristóvão como um dos atrativos locais.

O circuito religioso deve alcançar uma escala maior com imagens de São João, São Sebastião e São José, que formarão um percurso de aproximadamente 40 quilômetros entre a Igreja Matriz e a localidade de Goiabal. O projeto apresentado pelo prefeito prevê ainda a Cavalgada da Fé, o Pedal da Fé e a Caminhada da Fé, com diferentes formas de peregrinação e visitação pelo território. “E, com isso, fortalecer o turismo rural, fortalecer o turismo de visitação nas propriedades”, destaca Fabiano Baldessar.

Fé conectada ao turismo rural

A estratégia vai além da instalação de monumentos religiosos. O município pretende estimular uma permanência maior dos visitantes, com experiências em propriedades rurais, contato com paisagens do interior e acesso à produção agrícola e aos produtos desenvolvidos na região.

Entre os casos mencionados pelo prefeito está a propriedade de Edna Mello, dedicada ao cultivo de frutas vermelhas, uvas e mirtilo. Outro exemplo é a propriedade de Elis Macedo, que já recebe visitantes e oferece campos, piscinas e alojamentos com características semelhantes às encontradas em uma pousada rural.

A ideia, portanto, é transformar eventos e percursos religiosos em pontos de partida para levar os turistas também às áreas rurais de Otacílio Costa, com uma combinação entre fé, natureza, agricultura, gastronomia, hospitalidade e experiências relacionadas à vida no campo.

Esse movimento ganha importância em um município cuja infraestrutura turística ainda atravessa uma etapa de desenvolvimento. O atual Portal Municipal de Turismo apresenta duas alternativas de hospedagem e dois atrativos classificados especificamente no segmento de turismo religioso. Entre as opções está a Network Pousada Rural, situada na comunidade de Aparecida.

Rede hoteleira ainda tem espaço para crescer

Na oferta hoteleira tradicional, Otacílio Costa dispõe atualmente de empreendimentos como o Igaras Hotel e o Hotel Daieli. O Igaras conta com 42 apartamentos, divididos entre as categorias luxo, executivo e standard, segundo cadastro da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Santa Catarina (ABIH-SC).

O Hotel Daieli também trabalha com diferentes categorias de hospedagem, entre suítes econômicas, executivas e de luxo. As acomodações possuem configurações para receber duas, três ou até quatro pessoas.

Um Plano Municipal de Turismo elaborado anteriormente já indicava uma oferta reduzida de hospedagem, com dois meios de hospedagem identificados em levantamento realizado entre abril e julho de 2019. As informações disponíveis atualmente indicam que a estrutura segue relativamente enxuta, cenário que representa um desafio, mas também uma oportunidade diante de um possível aumento do número de turistas.

Para uma cidade que planeja receber grupos de peregrinos, ciclistas, cavaleiros e viajantes interessados em experiências rurais e industriais, o crescimento da oferta de hospedagem e de atividades complementares estará entre os pontos relevantes para transformar essa proposta em uma nova vocação turística.

Turismo industrial pode abrir uma nova frente

Enquanto o turismo religioso funciona como ponto inicial da estratégia, o projeto de Otacílio Costa também considera uma característica capaz de diferenciar o município dentro da Serra Catarinense: sua expressiva identidade industrial.

Fabiano Baldessar cita, entre os exemplos, a trajetória da produção de MDF e a importância histórica do município nesse setor. O prefeito menciona ainda a presença de grandes companhias do segmento têxtil, a fabricação de papel e celulose, a mão de obra metal-mecânica, além da produção agrícola e da atividade florestal.

Essa base produtiva poderá, no futuro, dar origem a um produto de turismo industrial, com visitas técnicas, circuitos históricos, espaços destinados à memória, apresentação dos processos de fabricação e conexão com iniciativas de formação profissional e tecnológica.

A iniciativa permitiria mostrar aos visitantes uma perspectiva diferente da Serra Catarinense. Além das paisagens, do frio, da gastronomia e das experiências rurais, os roteiros poderiam apresentar a indústria, a tecnologia, o trabalho e os processos que transformam a madeira em produtos destinados a diferentes mercados.

Um novo lugar no mapa turístico da Serra

A prefeitura afirma que a estratégia passa pelas áreas de Desenvolvimento e Turismo e Cultura, em um trabalho articulado com a Amures e com os demais municípios que integram a região serrana.

O objetivo é incluir Otacílio Costa em um circuito integrado a destinos com maior presença turística, como Lages, São Joaquim, Bom Jardim da Serra e Urubici, com o aproveitamento do fluxo dessas cidades para apresentar outras possibilidades aos viajantes. “Estamos colocando Otacílio Costa nesse circuito”, resume o prefeito.

A iniciativa sinaliza uma mudança na forma de trabalhar o turismo local. Em vez de concentrar a identidade do destino em um único atrativo, o município passa a reunir diferentes possibilidades: a fé como elemento de mobilização, o campo como ambiente de experiências, a agricultura como produto, a natureza como cenário e a indústria como parte do patrimônio econômico e histórico.

O próximo desafio de Otacílio Costa será transformar esse conjunto de potencialidades em roteiros organizados, calendário permanente, infraestrutura, meios de hospedagem e promoção turística, para que o visitante encontre razões não apenas para passar pela cidade, mas também para permanecer, conhecê-la e retornar. “Isso tudo deverá se tornar realidade assim que o projeto do turismo religioso estiver concluído, num futuro breve”, finaliza o prefeito Fabiano Baldessar.

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